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Inovações em Educação

4 formas de aumentar o domínio das tecnologias digitais no ensino superior

Estudantes como makers e parcerias entre indústria e educação são duas das sugestões de estudo do New Media Consortium para melhorar o letramento digital

por Fernanda Nogueira 23 de janeiro de 2017

Um estudo do NMC (New Media Consortium) traz quatro recomendações para aumentar o domínio das tecnologias digitais entre alunos, professores e funcionários do ensino superior. A pesquisa “Digital Literacy: An NMC Horizon Project Strategic Brief” define ainda três modelos de letramento digital e destaca 21 experiências bem-sucedidas de universidades.

“O objetivo da publicação é estabelecer uma visão compartilhada do letramento digital para líderes de ensino superior, esclarecendo definições e modelos-chave assim como as melhores práticas e recomendações para implementar iniciativas bem-sucedidas”, diz a introdução do estudo, encomendado pela Adobe Systems. Mais de 450 líderes educacionais, professores e profissionais do ensino superior responderam à pesquisa da NMC.

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Segundo o levantamento, o letramento digital não significa apenas entender como funciona uma ferramenta, mas também saber por que ela é útil no mundo real e quando usá-la. “Esse conceito pode ser descrito como cidadania digital – o uso responsável e apropriado da tecnologia, destacando áreas como comunicação digital, etiqueta digital, saúde digital, bem-estar e direitos e responsabilidades digitais”, diz o texto.

A partir das respostas recebidas pelas instituições, a NMC definiu três modelos de letramento digital: universal, criativo e através de disciplinas. O letramento universal é a familiaridade com o uso de ferramentas digitais básicas como softwares de produtividade – os do pacote Office, por exemplo –, manipulação de imagens, uso de aplicativos e conteúdo baseados na nuvem e de ferramentas de criação de conteúdo na web.

O letramento criativo inclui os aspectos do letramento digital e adiciona outras habilidades técnicas que levam à produção de conteúdo mais rico, como edição de vídeo, criação e edição de áudio, animação, compreensão do funcionamento do hardware de computadores, programação, cidadania digital e conhecimentos sobre direitos autorais.

O letramento através de disciplinas é disseminado em diferentes tipos de aulas de formas únicas e apropriadas a cada contexto de aprendizado. Cursos de sociologia, por exemplo, podem ensinar sobre ações interpessoais online, como a ética e a política das interações em redes sociais, enquanto aulas de psicologia e negócios podem focar em interações humanas mediadas pelo computador.

Com os três modelos definidos, o estudo elabora quatro recomendações para aumentar o domínio das tecnologias digitais no ensino superior. São elas:

Engajamento em implementações estratégicas

O estudo sugere que as instituições de ensino superior, mais do que avaliar o letramento digital em um único cenário, devem pensar sobre uma implementação mais ampla, incluindo suas bibliotecas no planejamento e na criação de padrões.

Foco nos estudantes como makers

A pesquisa afirma que as políticas e iniciativas de letramento digital devem empoderar os alunos como produtores de conteúdo e mídia e não enxergá-los apenas como consumidores de conhecimento. “Espaços maker, físicos e virtuais, podem criar oportunidades para a inovação”, diz o estudo.

Construção de parcerias entre a indústria e a educação

A indústria, as empresas de tecnologia e as instituições de ensino devem firmar parcerias para entenderem melhor as demandas da força de trabalho em relação ao letramento digital, o que está em constante mudança, com amplas e contínuas conversas, que incluam todas as partes interessadas.

Desenvolvimento de colaborações inteligentes

Por último, o estudo recomenda que governos, bibliotecas públicas e acadêmicas, museus e organizações de patrimônio cultural trabalhem juntos no desenvolvimento de iniciativas de compartilhamento de informação, na criação de comunidades online de prática e em projetos de letramento digital.

A pesquisa traz uma lista de 21 boas experiências na área. Confira quatro delas, que servem como exemplos das recomendações sugeridas:

“Digital Playspace” na Massey University – A biblioteca da Massey University, na Nova Zelândia, colabora com a unidade de ensino e aprendizado da universidade para construir um espaço chamado “Digital Playspace”, que irá oferecer oportunidades de aprendizado informal e treinamento para melhorar o letramento digital dos profissionais e professores da universidade.

“Challenge Accepted” Workshops Na Ryerson University, no Canadá, codificar é visto como um aprendizado importante que irá cultivar nos estudantes as habilidades necessárias para definir e criar as ferramentas digitais do futuro. Nos workshops chamados “Challenge Accepted”, os alunos aprendem como criar um aplicativo para celular em apenas três horas. “Compreender como os algoritmos aplicam o pensamento linear estruturado para resolver uma variedade de problemas será uma habilidade-chave da força de trabalho, mesmo em campos não-técnicos”, segundo o estudo.

Parceria da Webster University com a Adobe – Reconhecendo a natureza universal da tecnologia digital e o aumento de sua utilização através das disciplinas, a Webster University, no estado americano do Missouri, fez uma parceria com a Adobe para oferecer acesso à Adobe Creative Cloud para toda a sua comunidade, incluindo profissionais, professores e estudantes. Os usuários podem acessar a biblioteca da Adobe Creative Cloud, usar ferramentas como Photoshop, Illustrator e InDesign, fazer armazenamento na nuvem, entre outros serviços, seja quando estiverem utilizando um computador da universidade ou nos seus próprios equipamentos.

Parceria entre instituições de Hong Kong para aprimoramento do letramento informacional – Oito instituições de Hong Kong irão conduzir uma avaliação interdisciplinar sobre os comportamentos dos estudantes universitários para identificar as necessidades educacionais para o aprendizado do letramento informacional, definido como a habilidade de encontrar, avaliar, usar e disseminar informações para aprender a aprender. O estudo irá ajudar no desenvolvimento de material didático multimídia interativo e de uma ferramenta de autoavaliação sobre o tema.

Em sua conclusão, a pesquisa da NMC afirma que a obtenção de competências digitais interdisciplinares é a alma de resultados de aprendizagem mais profundos que levam a carreiras produtivas. “As instituições de ensino superior devem desempenhar um papel crucial no fornecimento de ferramentas e oportunidades que garantam que os alunos possam utilizar com êxito as comunicações visuais e digitais de forma que este uso os ajude a atingir seus objetivos”, diz o texto.

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aplicativos, competências para o século 21, mão na massa, nmc, programação, tecnologia, videoaulas