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As 5 ações e os donos do próprio aprendizado

Summit Public Schools usa método baseado em definição de metas e planejamento para fazer com que os alunos aprendam a aprender

por Patrícia Gomes 11 de abril de 2013

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Essa rede de escolas é gratuita, voltada para jovens de origem humilde e tem conseguido taxas de aprovação em bons cursos universitários que fazem inveja às melhores escolas do estado. Se você vem sempre por aqui, já leu sobre ela. São as  Summit Public Schools, que ficam na Califórnia e cuja maior representante esteve presente no Transformar, na semana passada. Em entrevista exclusiva ao Porvir, Diane Tavenner apresentou o Ciclo do Aprendizado, estratégia usada por seus professores para fazer com que os alunos se tornem conscientes e tomem o controle do próprio aprendizado. Esse ciclo é formado por cinco etapas: definir uma meta, planejar como atingi-la, aprender, mostrar o que sabe e refletir sobre isso. Ele se repete diariamente e faz com que os alunos constantemente pensem sobre sua evolução. “É com isso que eles aprendem a aprender”, diz a educadora.

No intuito de fazer os alunos “aprenderem a aprender”, a escola usa amplamente o conceito de ensino híbrido, por enquanto apenas em matemática. Todos os dias, os alunos têm duas horas de aula da disciplina. Na primeira, se dedicam a estudar em seus computadores com playlists montadas pelos professores e com recursos on-line, como a Khan Academy. Cada um escolhe a sequência necessária a partir de suas necessidades. Na hora seguinte, os alunos se reúnem em grupos para um momento de aprofundamento, chamado por lá de Core (Núcleo), momento em que um professor propõe atividades baseadas em projeto para dar sentido, na vida real, ao que aprenderam na hora anterior.

A partir do próximo ano letivo, que começa no segundo semestre nos EUA, as escolas passarão a adotar o modelo em todas as disciplinas. O dia dos alunos passará a ser dividido por quatro grandes momentos. O primeiro será voltado para o aprendizado personalizado, aquele em que os alunos se dedicam a cumprir seus planos de estudos individuais com seus computadores. O segundo é um tempo chamado “comunidade”, no qual os jovens se reúnem com colegas com interesses parecidos e fazem atividades conjuntas. O terceiro, e proporcionalmente o mais longo, é o do Núcleo, em que professores liderarão atividades transdisciplinares para o aprofundamento dos conhecimentos. Por último, vem novamente um período dedicado ao aprendizado personalizado.

Confira detalhes na entrevista e no infográfico abaixo.

O que a Summit tem feito para garantir que os alunos sejam e se sintam responsáveis pelo próprio aprendizado?
É importante encontrar o equilíbrio entre dar autonomia aos alunos para que eles dirijam seu aprendizado e oferecer o suporte necessário para que eles se tornem alunos autônomos. Nós usamos o Ciclo de Aprendizagem para garantir que nossos alunos desenvolvam essas habilidades e se tornem donos de seu aprendizado (um papel que tradicionalmente ficou nas mãos dos educadores) e use essas ferramentas para encontrar suas metas. O Ciclo de Aprendizagem é uma ferramenta que nossos alunos usam para desenvolver metas de curto prazo, fazer planos para alcançá-las e acompanhar a evolução no sentido de encontrar essas metas, provar o que eles aprenderam e, em última instância, fazer uma avaliação e refletir sobre seus esforços. Os alunos são treinados por seus mentores e professores por esse processo. Vou dar um exemplo que ocorre nas nossas escolas de San Jose.

No início do ano letivo, nós damos aos alunos autonomia plena sobre seu aprendizado. Alguns alunos se identificaram com a proposta de imediato – esse era exatamente o tipo de abordagem que eles tinham precisado durante toda a sua vida escolar. A maior parte, no entanto, teve problemas imediatamente. Até então, nunca se havia esperado deles tanto controle sobre seu aprendizado, nunca tinham tido essa responsabilidade. Os estudantes gostaram da proposta, mas eles não sabiam o que fazer. Possuir seu próprio aprendizado é uma responsabilidade nova e séria, a qual os alunos não estão acostumados. O que os alunos mais precisavam era de um roteiro que os ajudasse a saber que comportamentos, habilidades e estruturas eram capazes de levá-los para a autonomia.

Estamos procurando recursos on-line para todas as disciplinas. No entanto, nós também estamos preparando nossos próprios recursos de aprendizagem e os estamos adicionando em playlists em uma plataforma

Como você vai usar esse modelo em todas as disciplinas?
Um dos princípios basilares da Summit é que nossos alunos, a cada minuto do dia, estarão envolvidos com experiências de aprendizado de altíssima qualidade. Durante o tempo do aprendizado personalizado, o aluno vai aprender o conteúdo tradicional de inglês, história, matemática, ciências, espanhol ou outras línguas estrangeiras. Durante o Core (Núcleo), ele vai se engajar em projetos de aprofundamento que reúnem múltiplas habilidades e conteúdos com os quais os alunos tiveram contato.

Recursos on-line são muito comuns em matemática. Como vocês estão lidando com o vácuo que existe em materiais de outras disciplinas?
Nós estamos procurando recursos on-line para todas as disciplinas. No entanto, nós também estamos preparando nossos próprios recursos de aprendizagem e os estamos adicionando em playlists em uma plataforma chamada Activate Instruction, que estamos desenvolvendo em parceria com a com a Illuminate Education e a Fundação Girard Foundation. Isso nos permite desenvolver playlists de qualidade não apenas por disciplinas (como matemática), mas modulando o aprendizado em áreas menores (funções quadráticas). Por exemplo, a playlist de equações quadradas compreende vídeos e exercícios da Khan Academy, livros didáticos, estudos dirigidos, planilhas e exercícios que nossos professores tenham criado.

Dois dos maiores desafios que muitas escolas enfrentam são personalizar o conteúdo e oferecer experiências ricas de aprendizado, baseadas em projetos que os permitam pensar criticamente e aplicar o conteúdo que aprendem em um contexto da vida real.

E como vocês estão pensando em medir habilidades em humanas?
Os alunos serão avaliados em múltiplos níveis para garantir que eles estejam verdadeiramente preparados para o sucesso na universidade. Esses níveis são “Saber e Fazer”, “Entender e Aplicar” e “Expedições”, assim como habilidades de aprendizado autônomo que têm valor inestimável para encontrar o sucesso na universidade. Todas essas formas de avaliação incorporam experiências de aprendizado do mundo real e o desenvolvimento de competências mais aprofundadas com o conteúdo que os alunos precisam.

Avaliações Saber e Fazer: Saber e Fazer estão no nível subjacente de nosso progresso com base na competência durante o tempo de aprendizagem personalizado. Essas avaliações são compostas por questões de múltipla escolha ou de verdadeiro e falso, que medem o conhecimento fundamental de um estudante no conteúdo. Os alunos fazem essas  avaliações por meio de um sistema on-line, assim que se sentirem prontos. Eles recebem feedback imediato para que possam rapidamente corrigir pontos mal compreendidos e aplicar seus conhecimentos em tarefas mais autênticas de aprendizado. Avaliações Compreender e Aplicar: São as que os alunos fazem para medir o desenvolvimento de suas habilidades cognitivas durante o Core. Essas avaliações são aplicadas pelos nossos professores e medidas a partr de uma rubrica de habilidades cognitivas que desenvolvemos. Expedições: Essas dão significado ao trabalho que os alunos estão fazendo em várias áreas. Expedições são demonstrações da vida real, simulações e outras experiências que podem ser apresentadas publicamente e que envolvem diversas áreas do conhecimento. As expedições conectam todas as habilidades em conhecimentos e comportamentos de que os alunos precisam para ter sucesso na universidade.

Como a Summit chegou a um consenso sobre como o dia do aluno será?
Estamos refletindo muito sobre como abordaremos o dia do estudante. Dois dos maiores desafios que muitas escolas enfrentam são personalizar o conteúdo e oferecer experiências ricas de aprendizado, baseadas em projetos que os permitam pensar criticamente e aplicar o conteúdo que aprendem em um contexto da vida real.

Você pode dar um exemplo do que pode acontecer no Core?
Um exemplo de um projeto de Core pode ser escrever um discurso persuasivo que combine com as aulas de inglês e história ou ainda participar de um projeto de ciências. Durante o Core, e dependendo do projeto específico, os alunos podem trabalhar em grupos pequenos, em duplas, individualmente ou até com seus professores.

TAGS

autonomia, avaliação, competências para o século 21, ensino híbrido, escolas inovadoras, mentoria, personalização, projeto de vida, transdisciplinaridade, transformar