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8 princípios da gamificação produtiva

O uso dos jogos na educação tem feito dos games uma das tendências de ensino mais importantes da década

por Tom Vander Ark, do Getting Smart 28 de fevereiro de 2014

Usar jogos para promover a aprendizagem não é uma ideia exatamente nova. Mas o uso ampliado de sistemas adaptativos baseados em jogos educativos, a explosão do número de aplicativos de aprendizagem para celular e tablets e a crescente utilização de abordagens pedagógicas baseadas em games faz da gamificação uma das tendências de ensino mais importantes desta década.

De acordo com o Teachers College, da Universidade de Colúmbia (EUA), a gamificação é o uso da mecânica e das dinâmicas de jogos, como as recompensas e os rankings de usuários, para melhorar a motivação e aprendizagem em contextos formais e informais de educação.

Deixando para trás a lógica de jogar alguma coisa de vez em quando no celular ou no tablet para se adotar um horário programado em um sistema adaptativo na escola inteira – como a Quest to Learn, que se organizou em torno dos princípios da gamificação –, é provável que os jogos e/ou a gamificação façam parte da experiência de aprendizagem da maioria dos estudantes.

Embora o uso generalizado de jogos digitais educativos e abordagens pedagógicas baseadas em games sejam relativamente novos, oito princípios da produtividade da gamificação estão surgindo. São eles:

1. Desafios conceituais
Bons jogos incorporam uma pedagogia rigorosa e desafios interessantes, que promovem uma aprendizagem conceitual mais profunda, em vez de somente instigar a memória do estudante. Eles devem possuir tarefas de aprendizado e não são apenas quizzes e games de pergunta e resposta.

Games eficazes estão alinhados com os currículos, o que torna mais fácil combiná-los com outras formas de ensino e de avaliação. “Uma das coisas que me chama atenção ao ler a Common Core State Standards [base curricular que vem sendo adotada por estados norte-americanos] para a matemática é que o espírito de questionar e de aguçar a curiosidade está de volta”, afirma o desenvolvedor de jogos Nigel Nisbet.

2. Fracasso produtivo
Bons jogos incentivam, dão suporte ao erro e dão feedback instrucional. As crianças aprendem criando e testando hipóteses e recebendo feedback úteis.

3. Calibragem cuidadosa
Sistemas de aprendizagem que se mostram eficazes normalmente identificam e mantêm a chamada zona de desenvolvimento proximal, a distância entre o que o aluno sabe e o que ele pode alcançar. Bons games são bem calibrados: não são tão fáceis a ponto de deixar os alunos entediados, nem tão difíceis que possam frustrá-los.

4. Estímulo à persistência
Dra. Jane McGonigal, autora, pesquisadora e defensora de games educativos observa que a mentalidade de jogo – a possibilidade de falhar e continuar tentando –, aumenta a resiliência, a persistência e, por si só, prepara virtualmente os alunos para lidarem melhor com os desafios do mundo real.

5. Construção da confiança
Elizabeth Corcoran, fundadora da organização Lucere, dedicada a ajudar educadores a encontrar e usar a tecnologia mais apropriada para inspirar seus alunos, defende que um dos principais benefícios da gamificação é que ela ajuda os estudantes a ganhar confiança, conforme eles aprendem como ter uma experiência de aprendizagem vencedora. Bons games também desenvolvem nos estudantes a noção de eficiência.

6. Melhora da motivação intrínseca
A gamificação engaja e motiva estudantes enquanto desenvolve neles a habilidade de resolver problemas e transmite um sentimento de realização graças ao sistema de feedback contínuo e de recompensa. Cristina Ioana Muntean, especialista em aprendizagem on-line, defende que um bom jogo e uma boa estratégia de aprendizado baseada em games não substituem a motivação intrínseca do estudante pela extrínseca. Mas oferece uma combinação das duas [motivações] para um melhor desempenho.

7. Acessibilidade
Em um bom game todos os jogadores têm o mesmo acesso aos recursos e informações e, embora o progresso possa variar, há uma oportunidade contínua para aprender habilidades para o domínio de todas as fases do jogo, argumenta o professor Dave Guymon, que acrescenta: “Como os bons designers de jogos, os professores devem estruturar o ambiente e o processo de aprendizagem para oferecer igualdade de acesso à informação e aos recursos necessários para que os alunos tenham sucesso na aprendizagem”.

8. Aprendizado profundo
“Alguns programas inovadores e adaptativos de aprendizagem baseados em jogos incorporam elementos-chave da avaliação de desempenho”, disse Tim Hudson, da Dreambox. “Estes programas oferecem aos alunos situações novas e desconhecidas que estimulam o pensamento crítico e a resolução de problemas estratégicos para atingir metas desafiadoras e significativas.”

Segundo Mike Flynn, diretor de Programas de Liderança Matemática no Mount Holyoke College, é preciso dar mais espaço para professores e alunos explorarem a matemática. “Ensinar matemática não é mais só memorizar os procedimentos, mas desenvolver ideias e entendimentos matemáticos que beneficiam os alunos para a vida, não apenas para um teste.”

Nossos jogos de entretenimento favoritos são educativos e podemos aprender muito com eles para melhorar os resultados na educação. Se bem estruturados e bem aplicados, games educativos têm o potencial de aumentar a motivação, a persistência e aprofundar o aprendizado dos estudantes.

Matéria originalmente publicada no Getting Smart

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aplicativos, dispositivos móveis, gamificação, jogos