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Inovações em Educação

‘A brincadeira é a única maneira de mudar o mundo’

Edgard Gouveia Jr., cofundador do Instituto Elos, lança, no dia 21/12, o Play The Call, jogo que quer mobilizar dois bilhões de pessoas

por Vagner de Alencar 4 de dezembro de 2012

A brincadeira é a única maneira de mudar o mundo e as crianças e os jovens podem ser as peças fundamentais para isso. Quem acredita nessa possibilidade é Edgard Gouveia Jr., arquiteto e urbanista brasileiro conhecido mundialmente por seus projetos de protagonismo juvenil que sempre apostam na máxima: precisam ser rápidos, divertidos e de graça. O último deles – de longe o mais ambicioso – é o Play The Call, game que será lançado no próximo dia 21 de dezembro, estrategicamente escolhido por ser o dia do suposto fim do fundo, e pretende mobilizar dois dos sete bilhões de pessoas no mundo nos próximos quatro anos.

“O Play The Call vai permitir que participantes do mundo todo se comuniquem e troquem experiências aprendendo uns com os outros, se incentivando mutuamente. Se você chama os amigos para trabalhar, fica difícil. Mas chamar para brincar é muito melhor”, diz Gouveia Jr., que é cofundador do Instituto Elos, Ashoka fellow e professor da Universidade Monte Serrat , em Santos, do YIP (Youth Initiative Program) e do MSLS (Master Sustainability Leadership) ambos na Suécia.

micromonkey / Fotolia.comEdgard Gouveia Jr. Óasis Play The Call

Como uma espécie de gincana on-line mundial, no jogo os competidores serão desafiados a realizar diferentes missões, que podem ir de ações simples às mais complexas, desde plantar uma árvore a reformar uma praça. Até pintar ruas e parques, limpar praias e rios, replantar florestas e cultivar a alegria e paz nas escolas. À medida que os desafios forem sendo cumpridos, os jogadores poderão compartilhá-los nas redes sociais através de textos, vídeos e imagens como forma de inspirar novas ações. “Só brincando somos capazes de voltar a ser crianças, nos desprender dos preconceitos e ativar o que há de melhor em nós mesmos para jogarmos juntos”, afirma Gouveia Jr..

Mas será que ele consegue? Há dois anos, ele vem angariando apoio para essa ideia, no mínimo, megalomaníaca, viajando o mundo criando redes colaborativas em torno do game em países como Suécia, Índia, Nova Zelândia, Vietnã e Inglaterra. Hoje ele já conta com uma rede sólida de pessoas e instituições que vão ajudá-lo a colocar o projeto para frente como a rede dos Escoteiros do Brasil, organização que reúne 70.000 filiados no país, rede de programadores do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica). Além disso, o projeto tem buscado apoio de lideranças mundiais, apresentando sua proposta para grupos como o The Elders, que reúne nomes como o de Kofi Annan e Fernando Henrique Cardoso e começa agora a fazer uma campanha para tentar convencer Morgan Freeman a emprestar sua voz para o game.

Além disso, seu histórico de mobilização conta a seu favor. Gouveia Jr. também já levou, brincando, jovens do país inteiro para Santa Catarina, quando a região foi devastada por enchentes. Por meio do Oásis, game para universitários, ele reuniu em uma gincana, em 2009, 3.600 estudantes que, em um mês e meio, captaram recursos e reergueram praças, parquinhos de 12 comunidades, em seis cidades da região. A brincadeira se expandiu e mais 90 Oásis se espalharam pelo Brasil e pelo mundo. Veja abaixo a TED talk dele sobre o projeto.

 

Outro projeto do arquiteto é o Guerreiros sem Armas, programa que treina jovens para planejarem e executarem projetos locais (como a reforma de um espaço público ou de uma creche), sempre usando recursos e apoio de empresas e pessoas locais.

Para falar sobre como mudar o mundo brincando para pais e professores, Gouveia Jr. esteve, no último dia 1o , em São Paulo, em palestra, promovida pelo Colégio Itatiaia. Confira abaixo a entrevista que ele deu ao Porvir.

Os jovens estão se unindo mais para transformar o mundo?

Sim, eles estão se mobilizando mais para partilhar as tarefas. Chamam os colegas, os amigos, a família, os vizinhos. O que mais gostam e sabem fazer é o trabalho em grupo. Os jovens atuais têm uma maneira diferente, e mais eficaz, de promover mudanças.  Saem de cena o sonho com uma grande revolução e a atitude confrontadora – que tanto marcaram gerações anteriores – e entram em voga o desejo de transformar a realidade próxima e o valor dado à colaboração.

É importante incentivar as pessoas a promover mudanças expressivas agindo a partir da realidade social e concretizando seus próprios sonhos por meio de brincadeiras e jogos coletivos

Qual é a melhor forma de mudar o mundo e transformá-lo em um local mais pacífico e ideal para se viver?

Para mim uma das maneiras de se mudar o mundo é, sem dúvidas, por meio das brincadeiras. É importante incentivar as pessoas a promover mudanças expressivas agindo a partir da realidade social e concretizando seus próprios sonhos por meio de brincadeiras e jogos coletivos. Só brincando somos capazes de voltar a ser crianças, nos desprender dos preconceitos e ativar o que há de melhor em nós mesmos para jogarmos juntos. Se você chama os amigos para trabalhar, fica difícil. Mas chamar para brincar é muito melhor, né?

O que o projeto Play The Call tem de inovador em relação a outros jogos que reúnem pessoas em massa?

O Play The Call é um projeto que tem o objetivo de mobilizar dois bilhões de pessoas nos próximos anos. Como uma gincana on-line, o jogo traz diversas missões e é direcionado para crianças e jovens. Brincando de super-herói, o jogador terá desafios desde plantar árvores e mobilizar a família, amigos e vizinhos até reformar espaços públicos e ajudar comunidades em situações de calamidade. Na prática, o projeto funciona da seguinte forma: o jogo incentiva seus participantes a divulgarem na internet a realização de seus desafios, o que cria uma cadeia positiva, pois mostra aos demais jogadores que as metas estabelecidas podem ser cumpridas. Para mim é exatamente essa interatividade a grande novidade do game, já que ele permite que participantes do mundo todo se comuniquem e troquem experiências aprendendo uns com os outros e se incentivando mutuamente. O jogo está em fase final de desenvolvimento e deve ser lançado estrategicamente no dia 21 de dezembro.

O engajamento de uma grande parcela da população mundial para este jogo vem acontecendo de diversas formas como a realização de palestras por onde passo espalhando as “sementes” do projeto. O Play The Call surgiu durante uma viagem de ano sabático que fiz há dois anos. Já passei por lugares como Suécia, Índia, Nova Zelândia, Vietnã e Inglaterra, e sempre encontrei interessados e entusiastas que se engajaram no projeto. Em 2011, eu me reuni com cerca de 200 pessoas no Brasil em uma oficina de criação coletiva, de onde saíram alguns protótipos para serem testados na campanha este ano.

Na página do Facebook do projeto, vocês pedem o apoio do Morgan Freeman. Como ele irá ajudá-los?

Nós, do Play The Call, queremos que o ator e diretor Morgan Freeman narre o vídeo de abertura deste jogo global, afinal ele tem uma voz parecida com a “voz de Deus”. E uma das formas para alcançarmos nosso objetivo é contar com diversos compartilhamentos no Facebook para que a nossa intenção se espalhe o máximo que puder.

Este post foi atualizado, às 13h21, no dia 5 de dezembro. A versão anterior dizia incorretamente que o projeto contava com o apoio do The Elders.

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empreendedorismo, jogos

  • OLá

    Ótima materia! Gostaria de saber o contato do Edgar.Eu o conheci há muitos anos por intermédio da amiga comum Irene Cotrim.O Edgar ja´estava vinculado ao Elos.
    Muito obrigada

    Isa

    • por Vagner de Alencar

      Oi Isa, tudo bem?

      Você pode contatá-lo por meio do próprio Facebook do projeto.

      Um abraço,

      Vagner

  • manoel jardim

    Edgar,

    Excelente como sempre, parabéns.

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  • andrea bijalon

    Sempre Alerta

    estamos esperando ansiosos!!

    Grupo escoteiro Garopaba SC

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  • “O homem não pode tornar-se um verdadeiro homem senão pela educação. Ele é aquilo que a educação dele faz”. (Immanuel Kant).

    Ilmº. Senhor.
    Paz!

    Escrevo a V.Sa. para partilhar um pouco de minha experiência de vida, como educador na Escola Municipal de 1º e 2º Graus Natalino de Oliveira Lima na pequena cidade de Lagoa Real, sertão da Bahia – Brasil.
    Aqui, as dificuldades são imensas. A seca tem causado graves problemas e até dificultado a aprendizagem de nossos alunos. A qualidade de nossas escolas não é muito boa. O poder público local não tem valorizado o trabalho do professor.
    O acesso à internet é precário. Em nossa escola há um laboratório de informática com dez computadores que, no momento, apenas um funciona precariamente, apesar de nossas cobranças para que resolva esta situação.
    Apesar de tudo, nossa luta pela qualidade do ensino e pela melhoria do desempenho da aprendizagem de nossos educandos é constante.
    O meu acesso à internet era feito através de um notebook que me foi emprestado por um amigo. Lamentavelmente, há quinze dias ele não funciona mais. Levei a um técnico e me disse que queimou a ‘placa mãe’ e o valor aqui é bastante caro e não tenho condição de concertar.
    Por esta razão, escrevo também para solicitar desta conceituada Instituição ou de algum membro da mesma que tenha a condição e boa vontade de colaborar comigo, doando-me um notebook mesmo que seja usado mais em bom estado de uso, para que eu possa continuar os meus estudos, pois eu não sei mais como fazer.
    Gostaria de obter maiores informações sobre os trabalhos desenvolvidos por esta Instituição. Sobre congressos, cursos, eventos e ações que desenvolve e como buscar uma parceria para a melhoria de minha comunidade local.
    É muito triste a realidade do Sertão! Às vezes, aqui em casa nos falta até o essencial, as dificuldades são imensas mais eu acredito em um mundo melhor. Acredito que a Educação é a base para a construção de um mundo mais justo e fraterno. Infelizmente, aqui em minha região não há nenhum projeto de geração de emprego e renda. Nenhum projeto voltado para a criança, adolescente e o jovem. Isso me preocupa muito e me faz sonhar, mesmo sem ter nenhum recurso, em um dia poder consegui apoio e os recursos necessários para fazer algo concreto em prol desta gente.
    Sonho em construir aqui um Centro de Apoio e Formação para Jovens, onde possa oferecer cursos técnicos, formação para a vida e para o trabalho. Nossos jovens são obrigados a migrarem para a cidade grande em busca de emprego, em sua maioria, no corte de cana no sudeste e centro oeste do Brasil. Fico muito triste com isso.
    Desejo que DEUS continue abençoando esta instituição através de todas as pessoas envolvidas e coloco-me à disposição para outros esclarecimentos que julgar necessário, confiante de que poderei contar com a compreensão e apoio de V.Sa.
    Fraterno abraço,
    Prof. Gilmar Santos
    Av. Santa Maria, 505 – Centro
    46425000 – Lagoa Real – Bahia.
    Fone: 77-91437668 (TIM).

  • Adriana Tajtelbaum

    Vontade de ficar perto, de trabalhar amorosamente junto, de fazer e acontecer junto!!!! Imersa no desejo de compartilhar meus desejos e sonhos às gargalhadas amorosas que dão cor a minha vida e adoraria rir e trabalhar junto!
    Qdo teve o caos em Santa Catarina, fiquei extremamente comovida e paralisada. Atendi algumas pessoas de lá, pois trabalho com cura de traumas, mas foi MUITO menos do que desejava, assim como qdo teve a enchente em Teresópolis, RJ.
    Como faço para estar perto? Para ir? Para brincar junto?
    Bjs agradecidos pela luz e contentamento que este trabalho amoroso provocou em mim!
    Adriana completamente AGRADECIDA!