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Diário de Inovações

Alunos de design de interiores transformam creche comunitária

Professor de Belo Horizonte (MG) relata como projetos de protagonismo social ajudam a preparar universitários para o mundo real

por Leonardo Drummond Vilaça 25 de outubro de 2017

Sou professor dos centros universitários UNA e UniBH, em Belo Horizonte (MG). Leciono a disciplina Laboratório de Aprendizagem Integrada (LAI), que é aplicada no primeiro ano de todos os cursos de graduação das instituições da Ânima Educação. Trabalhamos o desenvolvimento de competências sociais e comportamentais, como criatividade, comunicação, resolução de problemas, pensamento crítico e respeito à diversidade. Desde 2015, quando comecei a lecionar a disciplina, além de usar os materiais didáticos que me foram disponibilizados, busco testar outras possibilidades de trabalhar essas competências com os meus alunos.

Uma delas é instigá-los a lançar mão dessas competências em projetos relacionados a suas possíveis áreas de atuação profissional no futuro. Em 2016, meus alunos de design de interiores do Centro Universitário UNA, em Betim (MG), realizaram o projeto Colorindo Vidas em uma creche comunitária. O objetivo foi transformar espaços da creche, antes pouco atrativos e sem “vida”, em locais mais divertidos, bonitos e funcionais para melhor atendimento das crianças.

Os alunos conversaram com os gestores, professores e as crianças dessa creche que usavam aquele espaço no dia a dia. Depois de entender as dificuldades das pessoas e possibilidades de melhoria no ambiente, criaram propostas de readequação do espaço. Compraram alguns materiais e também coletaram doações para produzir mobiliário e peças de decoração. No fim, o espaço foi transformado e encantou a equipe da creche e as crianças. Por meio de uma ação social, os alunos colocaram em prática o conteúdo que trabalhamos em sala sobre criatividade e resolução de problemas. Além disso, passaram a ter em seus portfólios já no primeiro ano de curso um projeto real, executado por eles do início ao fim.

internaCrédito: Divulgação

Em momento algum eu escolhi o projeto que eles deveriam fazer. Somente instiguei para que pensassem em uma iniciativa que os ajudasse a colocar em prática o que estávamos discutindo. Coube aos alunos pensar o que os sensibiliza, em que tipo de projeto gostariam de investir tempo e esforço. Claro que foi com alegria que, numa aula, ouvi que eles desejavam fazer projetos como esses. Dei total apoio e tentei, ao menos a cada duas semanas, reservar um tempo para orientar a execução dos trabalhos, assim como o fiz com outros projetos interessantíssimos que outros grupos criaram: exposição de fotografias de alunos contra o racismo, aplicativo de tradução automatizada do português para LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais), documentário sobre diversidade de gênero, plataforma para auxiliar alunos que desejam estudar no exterior, entre tantos outros.

Agora, em 2017, estou trabalhando com um grupo do curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas no Centro Universitário UNA, em Belo Horizonte, que, ao discutir questões relacionadas à diversidade e à resolução de problemas, decidiu pensar na criação de um óculos sensorial para indicar obstáculos e sugerir rotas a pessoas cegas ou com baixa visão. Eles já fizeram protótipos digitais desse equipamento e já estão partindo para a etapa de construção de um protótipo físico.

Essas experiências me fizeram perceber que é muito mais fácil e rápido engajar os alunos no estudo de competências não-técnicas se mostrarmos como elas estão diretamente ligadas ao campo profissional que escolheram. Recentemente, por exemplo, uma aluna me contou como se lembrou, num processo de seleção de estágio, das atividades que fizemos para desenvolver a comunicação e como ela utilizou a argumentação e oratória nas fases de entrevista e dinâmica de grupo. Já um outro estudante compartilhou sua experiência ao usar seus novos conhecimentos sobre diversidade no trabalho. Ele precisava ajudar a empresa a lidar como uma mudança nos sistemas de gestão de pessoas para que os softwares passassem a aceitar o uso de nomes sociais de funcionários transgêneros.

O LAI é uma resposta a um modelo de formação que vem sendo perpetuado ao longo de décadas, sem conexão prática com o mundo contemporâneo, que é global, multicultural e dinâmico. Essa disciplina faz parte de um programa pedagógico mais amplo das instituições do grupo Ânima, o Projeto de Vida, do qual sou um dos coordenadores. Hoje, já são mais de 30 mil alunos que estão aprendendo desta forma, não apenas acumulando conhecimento, mas buscando se tornar protagonistas sociais no contexto do século 21.

Leonardo Drummond Vilaça

Professor de comunicação e do Laboratório de Aprendizagem Integrada nos Centros Universitários UNA e UniBH, em Belo Horizonte-MG. Dá aulas nos cursos de design e análise e desenvolvimento de sistemas. É líder de inovação acadêmica do grupo Ânima Educação e coordenador do Projeto de Vida. Graduado em comunicação social com habilitação em jornalismo pela PUC Minas, tem especialização em produção e crítica cultural e é mestre em estudos de linguagens pelo CEFET-MG.

TAGS

competências para o século 21, ensino superior, protagonismo juvenil