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Diário de Inovações

Alunos participam de videoconferência com autor durante aula de literatura

Professora de Curitiba (PR) usou a tecnologia como aliada para despertar o interesse da sua turma pela leitura de obras adotadas pela escola

por Marcela de Alencar 27 de setembro de 2017

Nem sempre o trabalho com a literatura inspira os alunos a lerem obras adotadas pela escola. Mas será que eles ficariam mais motivados se pudessem discutir o livro com o próprio autor? Pensando nisso, tive a ideia de promover uma conversa via internet entre a turma e um escritor local.

Depois de realizarem a leitura da obra “Perfeito de todo jeito”, do paranaense Domingos Pelllegrini, os alunos dos sétimos anos do Colégio Amplação, de Curitiba (PR), participaram de uma discussão com o autor. Por intermédio da tecnologia, foi realizada uma videoconferência via Skype para a turma compreender melhor o seu posicionamento e as suas inspirações na hora de escrever.

Essa proposta veio a partir de um questionamento dos alunos. Durante uma das nossas aulas, passei um vídeo em que o autor contava como foi despertado seu prazer pela leitura durante a infância. Imediatamente um aluno perguntou: “O autor do livro está vivo, professora? “Percebi que deveria aproveitar esse momento de surpresa para envolvê-los.

Pela primeira vez na vida, a maioria dos meus alunos tiveram a oportunidade de conversar pessoalmente com o autor de um livro adotado pela instituição de ensino. O fato do autor ser extremamente simpático também facilitou o diálogo e deixou os alunos à vontade para realizarem perguntas.

As questões foram elaboradas ao longo de uma semana, após discussões e questionamentos. Meu objetivo era mostrar para os alunos que a leitura pode ser trabalhada de várias formas e que um questionário no formato de prova ou uma redação argumentativa não são os únicos métodos para verificar a interpretação de um livro. Seu resultado pode ser dinâmico e transformador.

Com essa atividade, os alunos entenderem que é possível usar a tecnologia, não apenas em atividades de entretenimento, mas também para encurtar distância e aproximar pessoas, como ocorreu com o autor Domingos Pellegrini. Quando confirmamos a videoconferência, a postura dos alunos mudou. Eles se tornaram mais críticos e participativos. Estavam ansiosos e cheios de expectativas.

Durante a conversa, o autor afirmou que iria revisar o livro e publicar uma nova edição baseada nos comentários realizados pelos alunos. Foi um momento sensacional, afinal, ele despertou nos estudantes o desejo de ler a nova edição e conhecer outras obras do autor.

A leitura, a interpretação e o debate de questões são fundamentais para o amadurecimento do indivíduo. Acredito que essa atividade plantou uma nova semente em cada um dos alunos e me arrisco a dizer que ela deu vida a novos leitores. Vale a pena sair do conforto da sala de aula e pensar de forma disruptiva. Afinal, ter 68 alunos focados em uma videoconferência é a prova de que a tecnologia é nossa aliada.

Marcela de Alencar

Professora de língua portuguesa e literatura há oito anos na rede publica e privada. Atualmente, leciona no Colégio Amplação, em Curitiba (PR). Graduada em letras, especialista em literatura brasileira e história nacional. Ministrou aulas do ensino fundamental I ao médio, passando por todos os anos de ensino.

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aprendizagem colaborativa, ensino fundamental, tecnologia