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Inovações em Educação

Casal percorre o Brasil para levar o autoconhecimento

Projeto Moporã viaja pelo país com oficinas que ajudam jovens a criarem seus caminhos pessoais e profissionais

por Marina Lopes 2 de março de 2015

Uma casa móvel e um quintal do tamanho do mundo. Esse foi o estilo de vida que Bruno Hohl, 35, e sua namorada Larissa Mungai, 25, decidiram adotar quando deixaram o setor de recursos humanos de uma grande empresa no ramo de cosméticos. Com o desejo de sair do universo corporativo para se aventurar por uma viagem itinerante, perceberam que apenas tirar um ano sabático não seria o suficiente. Então, por que não aproveitar a experiência adquirida na área de desenvolvimento de pessoas para auxiliar outros jovens a encontrarem seus caminhos pessoais e profissionais? Apostando nessa ideia, criaram a empresa social Moporã, que está percorrendo o Brasil para levar programas, oficinas e palestras que orientam os participantes a descobrirem os seus potenciais.

A viagem começou em novembro do ano passado, após quase 10 meses de planejamento. Para viver como nômades digitais e chegar até os rincões do país, Bruno e Larissa venderam tudo o que tinham em São Paulo e compraram um motorhome –veículo que promete servir de residência, transporte e até mesmo escritório durante os próximos dois anos. Segundo eles, a intenção é levar materiais, formações e coaching para cidades pequenas, onde o acesso a esse tipo de conhecimento costuma ser escasso. Além das atividades gratuitas, também são desenvolvidos cursos pagos que ajudam a viabilizar o projeto financeiramente.

O Moporã, que do tupi-guarani significa tornar belo, conta com uma grade de oficinas presenciais e materiais online que foram desenvolvidos pelo casal. A metodologia tem como base em uma série de estudos e referências que foram trazidas do mercado corporativo. “Tentamos mostrar para os jovens o que eles precisam para se empoderar e tomar as rédeas da sua vida, fazendo escolhas mais conscientes”, explica Larissa Mungai, que tem formação em administração, mas se define como psicóloga de coração, já que durante a sua carreira profissional sempre trabalhou com desenvolvimento de pessoas.

MoporãCrédito: Divulgação

Na parte presencial, o projeto prevê oficinas de criatividade, métodos para adquirir novos aprendizados e sessões de cinema com rodas de bate-papo sobre empoderamento. Um dos destaques é a oficina “Da Paixão para a Ação”, que costuma ter um dia e meio de duração e busca reconectar os jovens com aquilo que traz prazer. Esta atividade é estruturada em etapas que procuram adquirir consciência sobre valores, descobrir habilidades e criar um propósito de vida, estabelecendo caminhos e possiblidades futuras.

“Eu acredito que o jovem não está em busca apenas de um bom salário”

A primeira oficina realizada pelo Moporã aconteceu em dezembro, no município de Indaiatuba (SP). Motivado pelo desejo de buscar novos caminhos, Paulo Pereira, 22, técnico de informática, foi um dos participantes do encontro. Segundo ele, as atividades foram importantes para se autoconhecer e colocar no papel os seus projetos. “Eu acredito que o jovem não está em busca apenas de um bom salário”, defendeu, ao falar sobre o planejamento de caminhos profissionais que possam trazer satisfação. Inspirado pelas reflexões geradas no projeto, ele diz que está começando a pensar em novos caminhos para sua carreira.

Todos os conteúdos são voltados para esse público: jovens em primeira fase profissional, quando costumam surgir muitos questionamentos sobre projeto de vida e, muitas vezes, não existe um apoio adequado para reflexão. “Quando eu trabalhava no RH (recursos humanos), muitas coisas que eu desenvolvia ficavam restritas apenas aos altos executivos, diretores e gerentes”, lembra Bruno Hohl, engenheiro com especialização em desenvolvimento de líderes e life coach.

“O autoconhecimento é o ponto cego da educação brasileira”, define Larissa, quando questionada sobre a necessidade de trabalhar essas discussões sobre projeto de vida e carreira desde cedo com os jovens. “Nós somos ensinados apenas a funcionar no mercado de trabalho. Não somos estimulados a entender quais são as nossas reais motivações”, completa, Bruno. Segundo ele, a geração atual tem um choque muito grande quando sai do colégio ou da faculdade, já que existem muitas possiblidades e se o jovem não estiver fortalecido internamente, não consegue reduzir as escolhas para focar naquilo que realmente faz sentido para ele.

Atualmente, Bruno e Larissa estão em Arembepe (BA), a cerca de 30 km de Salvador. O próximo destino será a Chapada Diamantina (BA). Para chegar em uma nova cidade, o Moporã conta com a colaboração de uma pessoa da comunidade, que ajuda a facilitar a entrada no local e oferece suporte para organizar as oficinas. O interessado em ser um anfitrião e receber o projeto na sua cidade pode entrar em contato pelo e-mail mopora@mopora.com. Todas as experiências da viagem estão sendo compartilhadas pelo site, canal no Youtube e Facebook.

TAGS

carreira, empreendedorismo, projeto de vida