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Como Inovar

Como usar o spinner na aula para virar o jogo contra falta de interesse

O brinquedo já virou febre entre crianças e adolescentes, mas enfrenta resistência nas escolas

por Marina Lopes 29 de junho de 2017

Assim como a onda dos ioiôs, tazos colecionáveis, bichinhos virtuais e, recentemente, da caçada aos Pokémons, os fidget ou hand spinners são a nova moda entre crianças e adolescentes. Como uma espécie de pião do século 21, o brinquedo gira ao redor do seu próprio eixo por até quatro minutos –tempo suficiente para a criança inventar manobras e exibir performances aos colegas. Enquanto a febre toma conta das escolas, professores ainda não sabem lidar com o objeto que pegou carona nos bolsos e mochilas dos alunos para entrar na sala de aula.

Com modelos que variam de R$ 5 a R$ 500, o brinquedo teria sido criado pela norte-americana Catherine Hettinger para interagir com a sua filha. A engenheira química, que na época sofria de uma doença autoimune chamada miastenia, inventou a brincadeira giratória para driblar a fraqueza muscular que a impedia de fazer outras atividades com a menina. O produto foi patenteado em 1993 e, anos depois, começou a ser vendido como um dispositivo para combater a ansiedade, melhorar a atenção e diminuir o estresse.

Apesar de não existir qualquer indício científico de que o spinner tem propriedades terapêuticas, uma coisa não dá para negar: ele ganhou popularidade entre os alunos e se tornou um desafio para educadores. Como alternativa para conter a distração causada pelo brinquedo, algumas escolas optaram pela proibição. “Sempre que há uma novidade no mercado, principalmente que envolva os adolescentes, a primeira reação da escola é cortar o barato”, observa o professor Silvester Dias da Silva, especialista em mídias integradas para a educação. No entanto, ele diz que o item também pode ser utilizado a favor da aprendizagem.

“Temos que aproveitar o momento em que as crianças estão com a atenção voltada ao spinner para fazer com que isso também seja um estímulo dentro da nossa aula”, defende o professor, que publicou um vídeo no seu canal do YouTube com dicas de como ensinar conceitos de física usando o brinquedo. “Tem bastante coisa que dá para trabalhar com o brinquedo. Basta ter um pouquinho de criatividade na hora de pensar em como relacionar isso ao currículo”, sugere.

No colégio COC Novomundo, localizado em Praia Grande, no litoral de São Paulo, a professora Bruna Sanches decidiu levar o spinner para as aulas de ciências do sétimo ano. Depois de orientar diversas vezes os alunos a guardarem o brinquedo, ela teve a ideia de chamar a atenção deles com um jogo de perguntas e respostas. “Eu lançava uma pergunta, e o aluno sorteado tinha o tempo do spinner rodando para responder”, explica.

Durante a atividade, que foi desenvolvida em duas aulas, a professora conta que o interesse da turma foi nítido. “No segundo dia, eu notei que eles chegaram mais empolgados e até estudaram para conseguir fazer a atividade. Mesmo não valendo nota, eles se empenharam muito”, avalia.

Temos que aproveitar o momento em que as crianças estão com a atenção voltada ao spinner para fazer com que isso também seja um estímulo dentro da nossa aula

De acordo com a professora e designer de atividades pedagógicas Janaína Spolidorio, o uso do brinquedo com um fim educacional reforça a proposta de trazer o universo das crianças e adolescentes para dentro da sala de aula. “Quando os alunos se interessam muito por alguma coisa, e você lida com esse assunto em sala de aula, eles percebem uma conexão da escola com a vida cotidiana”, avalia a educadora, que foi incentivada pelo filho de oito anos a criar sequências didáticas com o spinner.

Ela aponta que o spinner pode ser envolvido em qualquer disciplina. Seja na área de linguagens, para trabalhar ortografia com um jogo de palavras, ou até mesmo em ciências, para marcar o tempo dentro de uma partida de stop, Janaína diz que as estratégias são inúmeras, mas é preciso conhecer bem o brinquedo para elaborar uma atividade. “O primeiro passo é o professor brincar com o spinner. Sem brincar não dá [para criar nada]. Ele pode pegar o brinquedo para fazer experiências nas suas aulas”, orienta Janaína.

Confira algumas dicas para usar o fidget ou hand spinner na sala de aula:

Relacione o spinner com os conceitos da disciplina
Que tal usar o brinquedo giratório para ensinar e ilustrar conceitos de diferentes disciplinas? O item pode ser um recurso para trabalhar as leis de Newton, conservação de energia, movimento de rotação e translação, operações matemáticas e até mesmo ortografia.

Use o objeto giratório como um temporizador para fazer desafios
De uma partida de stop com os conteúdos da disciplina até um jogo de perguntas e respostas, o professor pode usar o spinner como um temporizador. Enquanto o brinquedo gira, ele marca o tempo para a turma completar uma atividade.

Incentive que os alunos construam o seu próprio brinquedo
Colocar a mão na massa pode ser uma maneira divertida de aprender. Os alunos podem fazer pesquisas e utilizar diferentes materiais para construir um spinner.

Monte um jogo em que o brinquedo funciona como roleta
Coloque uma seta em uma das pontas do spinner e transforme o brinquedo em uma roleta para construir jogos com base nos conteúdos das disciplinas. O objeto giratório pode ser usado em cima de um tabuleiro ou até mesmo em uma roda, em que os alunos fazem perguntas uns para os outros.

Organize um debate sobre patente e propriedades terapêuticas do brinquedo
A história e o uso do brinquedo estão cercados de polêmicas. Os questionamentos envolvendo a patente e as propriedades terapêuticas do spinner podem ser usados para montar um debate ou organizar uma espécie de júri dentro da sala de aula.

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ensino fundamental, ensino médio, jogos