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Inovações em Educação

Descomplica traz cursinho para dentro de casa

Site especializado em Enem encontra os melhores professores, grava suas aulas e disponibiliza on-line a preços populares

por Mariana Fonseca 3 de julho de 2012

Foi numa tentativa de reverter a lógica tradicional do sistema escolar brasileiro e fazer os professores mais talentosos chegarem a alunos de baixa renda que Marco Fisbhen fundou, em março do ano passado, o Descomplica, um site de videoaulas que prepara alunos para o Enem. A plataforma, que oferece aulas on-line para estudantes do ensino médio brasileiro, é recordista em acessos e em boas notas nos exames, com 75% dos seus usuários com média acima da nacional no Enem do ano passado.

“Queríamos sair do modelo tradicional de educação no Brasil, onde os melhores professores dão aulas para os alunos de classes AB, que podem pagar pelo cursinho e, com isso, conseguem passar nas melhores universidades públicas”, afirma o idealizador do projeto. Por isso, o Descomplica descobre quem são os professores mais carismáticos de cursinhos e escolas privadas, os contrata para dar videoaulas e as disponibiliza no site.

Até agora, a plataforma já reúne aulas com todo o conteúdo do Enem e boa parte das matérias do ensino médio. Ao contrário de alguns formatos mais conhecidos, como o da Khan Academy, o Descomplica só grava vídeos em que o professor aparece. “Escolhemos os professores e os remuneramos muito bem para gravar e dar as aulas. Achamos importante que eles estejam em primeiro plano. Sabemos que nada é mais engajador do que um bom professor”, avalia Marco, que é engenheiro e professor de física há 15 anos.

Com a qualidade do conteúdo garantida, o Descomplica também se preocupa em deixar os preços acessíveis. A plataforma funciona em um formato de assinatura que varia entre R$15 e R$20 mensais, de acordo com o plano escolhido – que pode ser semanal, mensal ou semestral. “Queremos levar o ensino de qualidade para alunos das classes C e D. Por isso, fazemos o possível para que o preço seja acessível”, diz. Marco avalia que é preciso haver uma espécie de mensalidade, mesmo que baixa, para garantir o engajamento dos estudantes. “Não achamos que o acesso deva ser de graça porque o mínimo de contribuição financeira é um incentivo a mais para que os alunos usem e retornem à plataforma para estudar.”

A maioria dos alunos não entende nem como a redação é corrigida, e a simples compreensão disso pode fazer diferença

Atualmente, o Descomplica está investindo em localização de conteúdo, buscando professores por todo o país que tenham uma proximidade histórica com os temas ensinados e que também tragam para a plataforma um pouco mais da cultura de cada região. “A ideia é que um professor baiano de história possa dar aula sobre a Sabinada, e que um do Rio fale sobre a Revolta da Chibata. Queremos trazer os melhores para falar sobre os temas que são fortes em suas regiões, com uma diversidade de sotaques.”

Além das videoaulas, o site também oferece exercícios de múltipla escolha e permite que o aluno tenha acesso ao seu resultado em tempo real. Também traz a resolução das provas dos principais vestibulares do país em vídeo, podcasts e simulados virtuais, que podem ser elaborados por qualquer professor que queira usar o site. Assim, se uma escola é assinante do Descomplica, seus professores podem usar as questões do site, propor outras, montar a prova e estipular os horários e prazos para que os alunos resolvam os exercícios.

Enem

Apesar de até ajudar os alunos em outros vestibulares, o foco do Descomplica é mesmo o Enem. “A escolha desse foco foi baseada numa expectativa de gerar impacto de curto prazo na vida dos alunos. O objetivo é fazer com que eles entendam que, se investirem em educação, terão um retorno, nem que inicialmente esse retorno seja uma melhor nota no Enem.”

Dos que fizeram a maratona pré-Enem do ano passado, 75% tiveram um resultado acima da média nacional e 30% conseguiram colocação na universidade via Enem

O conteúdo da plataforma ficou aberto, de graça, durante 50 dias antes da última edição do exame. Nesse período, as aulas foram acessadas por 500 mil alunos, quase 10% do número de estudantes brasileiros que chegaram a fazer a prova (4,6 milhões, em 2011). Além disso, o tempo médio de acesso à plataforma foi de 30 minutos, com 50 mil horas-aula dadas.

Na plataforma, o aluno pode buscar conteúdos e atividades por disciplina – biologia, história, geografia, física, química, matemática, português e redação. “É impressionante o impacto que podemos ter nas notas do Enem. A maioria dos alunos não entende nem como a redação é corrigida, e a simples compreensão disso pode fazer diferença.”

Para avaliar o impacto das aulas da plataforma, a empresa contratou um instituto de pesquisa, o IBPS. “Sabíamos que estávamos indo bem, mas queríamos uma visão imparcial, de fora.” Segundo a pesquisa, 92% dos professores que conhecem a plataforma aprovam o conteúdo. Entre os alunos, 78% deles consideraram o conteúdo importante para sua performance nos exames e 76% não faziam cursinho. “Dos que fizeram a maratona pré-Enem do ano passado, 75% tiveram um resultado acima da média nacional e 30% conseguiram colocação na universidade via Enem.”

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educação online, enem, tecnologia, vestibular, videoaulas