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Inovações em Educação

Destaques de 2017 em pesquisas educacionais

Levantamento trata de temas como benefícios da mentoria e as estratégias mais eficazes para estudo e engajamento familiar

por Youki Terada, do Edutopia 26 de dezembro de 2017

Todos os anos esperamos que pesquisadores descubram novas coisas que funcionam ou não em sala de aula. Em 2017, um grupo de cientistas colocou a aprendizagem socioemocional como essencial, aprendemos que estereótipos negativos podem desencorajar estudantes negros a ingressarem na faculdade e que um exercício de escrita reflexiva pode ajudar. Também é aceitável que alunos do segundo ano usem os dedos para contar, e que as mensagens de texto enviadas aos pais estimulam mesmo o envolvimento familiar e a participação dos estudantes.

Simulados e planejamento no topo da lista das estratégias mais eficazes de estudo
Alunos geralmente superestimam sua preparação para uma prova, o que pode levar a um desastre. Uma nova pesquisa identificou duas estratégias altamente eficazes. Em uma investigação importante – abrangendo 118 estudos anteriores – realizar provas de baixo risco foi identificado como uma das maneiras mais eficazes para reter conceitos. Um outro estudo recente destacou os benefícios de pedir para que alunos planejem as etapas que precisam cumprir até a aprovação em um teste. Isso os encorajou a estudar e resultou em notas mais altas para todo o ano letivo – nota 30% maior, em média, do que seus pares.

Professores novatos – e seus alunos – ganham com mentores
Sabemos que mentores oferecem aos professores em começo de carreira apoio e orientações cruciais, mas também há outro forte efeito: estudantes de professores com mentores ganharam o equivalente a 3 ou 3,5 meses de aprendizado adicional em leitura e matemática ao longo de um ano, segundo novo estudo.

Não descarte logo cedo a conta nos dedos para crianças pequenas
As crianças geralmente são desencorajadas a usar seus dedos para contar até o final da primeira série – enquanto aprendem a fazer conta de cabeça, a contagem de dedos é vista como uma muleta. Mas um novo estudo com crianças de 6 e 7 anos mostra que isso pode ser um erro – a conta nos dedos, quando usada com jogos numéricos, pode aumentar o aprendizado de matemática para alunos do segundo ano.

A importância da aprendizagem socioemocional
Esse ano vimos dois relatórios consistentes que defendem aprendizagem socioemocional nas escolas. Os pesquisadores responsáveis de um dos estudos mais divulgados  lançaram uma continuação com mais de 97.000 estudantes da educação básica. Eles descobriram que os benefícios persistem por vários anos – aumentando o sucesso acadêmico, diminuindo o comportamento violento e o sofrimento emocional no longo prazo. Em um relatório separado, um conselho de 28 cientistas convocou escolas a se concentrarem no socioemocional, argumentando que o sucesso dos alunos está vinculado não apenas à capacidade acadêmica e às habilidades cognitivas (como memória de trabalho e autocontrole), mas também às emocionais (como a capacidade de lidar com a frustração) e às interpessoais (incluindo a empatia e a capacidade de resolver conflitos).

Exercícios de reflexão melhoram o desempenho dos alunos
Escrever sobre valores pessoais pode ajudar estudantes a se sentirem mais positivos em relação a si próprios e ao seu futuro, promovendo uma mentalidade de crescimento e criando uma proteção contra muitas experiências nocivas. Em um estudo, a tarefa de escrita reflexiva ajudou os estudantes negros a lidarem com racismo e estereótipos negativos, levando a melhores resultados acadêmicos e aumento das taxas de matrícula da faculdade anos mais tarde. Em outro estudo, um exercício de escrita semelhante ajudou estudantes de matemática a se concentrarem em metas de longo prazo em vez de pressões imediatas, reduzindo o estresse e melhorando suas atitudes em relação aos números.

Mensagens de texto podem aumentar as notas e a frequência
Outra estratégia para ser colocada na categoria “barata e efetiva”: um estudo publicado este ano descobriu que as mensagens de texto semanais enviadas automaticamente aos pais sobre as notas, faltas e tarefas não entregues os encorajavam a se envolver mais na aprendizagem de seus filhos, melhorando a frequência em 17% e reduzindo o número de reprovações em 39%.

O debate sobre conteúdo acadêmico x brincar na pré-escola continua
Uma análise importante – abrangendo 22 estudos anteriores – sustenta a ideia de que todas as crianças devem ter acesso à pré-escola. As crianças com menos de 5 anos que participaram de programas de educação para a primeira infância baseados em sala de aula eram menos propensas a serem colocadas em educação especial, tinham menos probabilidade de reprovação e eram mais propensas a concluir o ensino médio, em comparação com colegas que não estavam em tais programas. Enquanto já sabemos que as crianças precisam de uma dose saudável de tempo para brincar na escola, um novo estudo nos lembra por que os conteúdos acadêmicos são importantes durante a primeira infância: ao longo de um ano, crianças em idade pré-escolar que passaram mais tempo em atividades de linguagem, alfabetização e matemática do que seus colegas ganharam, em média, 2,5 meses de aprendizado adicional. E o que se tira disso? Mantenha conteúdo e brincadeiras equilibrados.

Publicado originalmente no Edutopia e reproduzido mediante autorização

TAGS

educação infantil, engajamento familiar, ensino fundamental, pesquisas, socioemocionais, tecnologia