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Inovações em Educação

Empresas desmitificam tablets para professores

Especialistas treinam docentes para que percam o medo do dispositivo e explorem todo o seu potencial em sala de aula

por Patrícia Gomes 5 de julho de 2012

No primeiro trimestre deste ano, a venda de tablets no Brasil cresceu 350% se comparada com o mesmo período do ano passado e, até o final do ano que vem, o país já deverá ter vendido cerca de 4 milhões de unidades, segundo dados divulgados na semana passada pela consultoria IDC. No início do ano letivo, o MEC anunciou a compra de 600 mil desses aparelhinhos destinados a professores de ensino médio. Na mesma época, escolas incluíram o item na lista do material obrigatório. Com a crescente presença dos tablets no cotidiano das pessoas e nas salas de aula do país, a grande pergunta que tem atormentado professores é: o que fazer com isso? Atentos a essa preocupação, empresas do Brasil e do mundo têm oferecido serviços para desmistificar a ferramenta entre os docentes e potencializar seu uso nas escolas.

Acontece que, apesar da entrada maciça dos tablets no mercado, os professores “migrantes digitais” vêm adotando apenas gradualmente o uso da tecnologia no seu cotidiano e nas suas práticas pedagógicas, em atividades mais simples do que ela pode proporcionar. Prova disso é que 17% dos 1.821 professores consultados em pesquisa do Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação disseram ter algum tipo de dificuldade ou nunca nem sequer ter mando um e-mail. Diante de dispositivos móveis como iPads e similares, então, a insegurança é grande. “O professor fica apavorado e acaba não usando”, diz Adriana Gandin, diretora pedagógica do projeto “iPad na Sala de Aula”, que presta consultoria, desde 2010, a escolas para capacitar professores para usar o dispositivo.

Como tudo é ainda muito novo, afirma Adriana, o professor fica com medo. “Eles me perguntam se o aluno não vai ficar no Facebook ou no Twitter. Eu digo que a aula tem que ser boa para prender a atenção dos alunos e, se os garotos entrarem nas redes sociais, que seja para uso pedagógico”, afirma. Ela começa, então, a apresentar as vantagens do aparelho, entre elas a facilidade na realização de pesquisas, na partilha e no registro de informações, acesso a recursos, como registro de imagens e vídeos, e uma infinidade de aplicativos, além, é claro, da mobilidade, que permite que a aula ocorra em qualquer outro ambiente que não a sala de aula.

De acordo com Adriana, a equipe “iPad na Sala de Aula” identifica as necessidades de cada escola, segundo seu projeto pedagógico, e faz sugestão de uso. A instituição não precisa comprar um tablet por aluno. “Tendo 20 tablets, já dá para fazer um trabalho. Formam-se grupos para atividade em equipe e, com isso, os alunos aprendem a compartilhar”, diz a especialista, para quem o cuidado com o aparelho acaba trazendo uma oportunidade de desenvolver aspectos relacionados à educação integral. “Mesmo os alunos pequenos sabem que o aparelho é caro, que é preciso ter cuidado na hora de usar, tem que dividir, esperar, limpar e desligar quando acabar.”

Entre as sugestões sob medida para cada escola, Adriana diz que seu projeto também aponta alguns aplicativos grátis que podem ser usados pelos professores de determinadas disciplinas e ainda treina os docentes para encontrar outros sozinhos. “O universo dos aplicativos é um mundo à parte. Tem aplicativo que mostra a tabela periódica em formato tridimensional, tem aplicativo que ajuda no processo de alfabetização, montando as palavras”, afirma.

Projeto Tabula

Bem familiarizado com esse universo tecnológico, o norte-americano Noah Kravitz, que já foi professor de informática e mais recentemente escrevia sobre tecnologia em blogs, também resolveu entrar no mercado dos tablets na educação. Ele fundou o Projeto Tabula, voltado a desenvolver programas para a utilização dos dispositivos nas salas de aula capazes de, nas suas próprias palavras, “fazer com que ele, o tablet, seja tão simples de usar quanto papel e lápis”.

“Nosso objetivo é dar suporte para os professores. Ensinar, por natureza, demanda certa flexibilidade. O que estamos fazendo é facilitar isso”, afirma. Assim, Noah trabalha na elaboração de softwares que dinamizem o compartilhamento de informações e arquivos, o trabalho colaborativo e a evolução do aprendizado. No vídeo que apresentava o projeto no StartSomeGood, plataforma de crowdfunding em que o Tabula se inscreveu para levantar fundos, Noah explica algumas das funcionalidades que o software que está desenvolvendo pode ter.

Se os alunos estão fazendo exercícios em um e-book, por exemplo, o professor consegue saber em qual página cada um está. O sistema alerta para os que estão mais atrasados e aponta os mais adiantados, dá a média de tempo que os alunos estão demorando por página e, dessa forma, permite que o docente ajude cada estudante mais especificamente. “A partir do próprio tablet, o professor pode mandar uma mensagem para o aluno, olhar sua tela para ver o que está acontecendo ou pode colocar a tecnologia um pouco de lado e ir lá, pessoalmente, ajudar aquele que está com problemas”, diz Noah.

Veja o vídeo, em inglês.

 

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dispositivos móveis, formação continuada