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Inovações em Educação

Escolas suecas aproximam pedagogia e design

Rede Vittra mantém instituições com arquitetura fora dos padrões, sem tantas paredes e salas de aula, em 35 escolas do país

por Patrícia Gomes 21 de setembro de 2012

A escola sueca Vittra Telefonplan é assim, muito engraçada, (quase) não tem parede, (quase) não tem sala. No lugar das tradicionais mesas e carteiras, uma caverna para os momentos individuais de concentração, um laboratório para explorar cores, materiais e formas, um palco para apresentar descobertas. Toda essa liberdade é gratuita, aberta para matrícula durante todo o ano letivo, sem deixar para trás o currículo e as provas. A escola, que acaba de completar o primeiro ano de funcionamento, recebe crianças de 6 a 11 anos.

“Nós temos uma variedade de espaços e apostamos nisso para potencializar o aprendizado. Acreditamos que pedagogia e design têm que andar juntos”, diz Ante Runnquist, diretor de pesquisa e desenvolvimento da rede Vittra, que além da Telefonplan tem outras 34 escolas na Suécia com um total de 8 mil estudantes matriculados, do ensino infantil ao médio. “É claro que esses ambientes diferentes de aprendizagem não causam estranheza na educação infantil, mas é possível ter espaços alternativos para crianças mais velhas e jovens”, disse.

Na Suécia todas as escolas são gratuitas. Parte delas é pública e mantida pelo governo e parte é independente, como é o caso das Vittras. Runnquist explica que cada escola da rede tem um desenho diferente, adaptado às características do lugar onde está. Para adolescentes, eles também têm salas de aula tradicionais, mas se preocupam em proporcionar espaços atraentes para reuniões em grupo e compartilhamento de ideias.

Um dia normal em uma Vittra, conta o diretor, começa com os alunos de toda a escola reunidos em grupos, que normalmente não coincidem com a classe de origem, em um espaço comum de convivência. Ali eles, crianças e jovens de diferentes idades, discutem algum tema pulsante, tentam resolver um problema comum e compartilham experiências. Em seguida, em vez de aulas de 50 minutos ou uma hora, como é normal no Brasil, a escola prefere ter períodos mais longos destinados a cada disciplina. E, para isso, os alunos não precisam ficar o tempo todo em salas de aula. “Nós simplificamos o horário dos alunos e damos mais tempo para que eles possam desenvolver projetos”, afirmou Runnquist.

Vittra School na Suécia / crédito Rosan Bosh e Kim Wendtcrédito Rosan Bosh e Kim Wendt

 

“Nós aprendemos de diversas maneiras. Precisamos estar em grupos, de tempo para nos concentrar, precisamos nos movimentar e trabalhar com mãos, vozes e corpos. Precisamos ser inspirados e comunicar uns com os outros e com o mundo ao nosso redor”, diz a Vittra em seu site.

Para propiciar todo esse envolvimento e interação, a escola contou com uma equipe multidisciplinar – formada de arquitetos, professores, designers, artistas, comunicadores e também algumas crianças – e liderada por Rosan Boch. “Nós trabalhamos com a ideia básica de integrar pedagogia e ambiente físico”, diz Bosch, que levou dez meses para desenvolver o projeto da Vittra.

“Foi fantástico ver a escola em funcionamento. Eu recebi muitos feedbacks positivos dos pais. Eles me dizem que, quando estão na escola, os filhos não querem ir para casa. Isso é um indício de que as crianças sentem que a escola é deles e que estão motivados. Fico muito feliz com isso porque uma das minhas grandes crenças é que motivação tem muito impacto na aprendizagem”, afirmou Boch sobre o que sentiu quando seu projeto virou, de fato, uma escola repleta de alunos.

crédito Rosan Bosh e Kim Wendt

 

Jannie Jeppesen, diretora da Telefonplan, diz que os primeiros alunos da Vittra vão se graduar em 2025. “Eles terão tido acesso a um ensino que os motivou a fazerem perguntas. Eles poderão resolver problemas com criatividade e inovação e eles acreditarão em suas habilidades”, disse. “Uma das nossas principais crenças é que todos os alunos podem ser bem sucedidos na vida”, diz Runnquist, que define a principal meta da escola como preparar os alunos com as habilidades do século 21. “A escola precisa ser como a vida. Não faz o menor sentido a criança ser bem sucedida na escola e não ser na vida.”

Mas, para ter jovens preparados para a vida do século 21, é preciso ter um projeto inovador no design como o das escolas suecas? Não necessariamente, diz Runnquist. O diretor da Vittra diz que não adianta uma escola ter os móveis e a estrutura mais bem desenhada e não ter um bom projeto pedagógico. “Se você estimula a criatividade com um bom projeto pedagógico, você pode ter sucesso em qualquer escola.”

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aprendizagem baseada em projetos, aprendizagem colaborativa, design, ensino fundamental, escolas inovadoras, novos espaços

  • Fatima Lucia Braga

    Que maravilha de escola!

    “Nós aprendemos de diversas maneiras. Precisamos estar em grupos, de tempo para nos concentrar, precisamos nos movimentar e trabalhar com mãos, vozes e corpos. Precisamos ser inspirados e comunicar uns com os outros e com o mundo ao nosso redor”, diz a Vittra em seu site.

  • Marilúcia Galvão

    Adorei!

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  • Tâmara Mendes Santos

    Experiência muito interessante. Entretanto é preciso lembrar que toda proposta precisa ser analisada a partir das características de cada sociedade, suas condições, suas crenças, sua cultura e tudo que envolve o contexto dos seus cidadãos.

  • vania

    Q legal!!!!

  • Rita de Cassia Pacheco Gonçalves

    Há mais de 50 anos que arquitetos e administradores da educação buscam relacionar arquitetura e pedagogia. No entanto, debates e estudos que não considerem a cultura escolar tendem a cair no vazio ou permanecer como um bom exemplo, mas não se disseminam e alteram pouco a paisagem mundial da educação. Mesmo nos países de referência como a Suécia, o otimismo não é suficiente para mudar a cultura escolar. Para saber mais a este respeito, sugiro ler minha tese de doutorado: “ARQUITETURA FLEXÍVEL E PEDAGOGIA ATIVA: UM (DES)ENCONTRO NAS ESCOLAS DE ESPAÇOS ABERTOS”, desenvolvida a partir de pesquisa realizada em Portugal, Brasil e Argentina, acerca de uma proposta arquitetônica difundida na década de 70.

    • Maria Luísa Vieira

      Olá, Gonçalves, bom dia.

      Acho que compreendo o que você quer dizer. Pelo que pude entender, a experiência da década de 1970 foi a imposição de uma arquitetura, por acreditarem que apenas espaços abertos seriam capazes de tornar o ambiente escolar mais democrático, etc. Porém, o que se percebeu foi que os usuários (alunos, professores, funcionários), não se apropriaram dessa nova sala de aula da forma inovadora que era esperada, mas sim da maneira tradicional a que estavam acostumados. Por favor me corrija se eu estiver enganada.

      Porém, pelo que fala Rosan Bosch em sua palestra no TEDxInd 2013, a escola sueca Telefonplan não parece ter sido uma imposição arquitetônica, por ter surgido a partir de um projeto participativo, que contou com crianças, os próprios professores e diversos outros profissionais. Portanto, acredita-se que naquele contexto específico, a melhor solução espacial encontrada foi de espaços mais integrados. Rosan Bosch também fala que o design de cada ambiente (a montanha, a árvore, a sala de ginástica, por exemplo) deixa naturalmente claro, induz ao tipo de interação que os alunos deverão ter entre eles e com o próprio ambiente.

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