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Crédito: Sergey Nivens/Fotolia.com

Inovações em Educação

Festival de criatividade celebra invenções de professores e alunos

Conheça algumas experiências de educação mão na massa que foram apresentadas durante o Festival de Invenção e Criatividade, na POLI-USP, em São Paulo (SP)

por Marina Lopes 23 de março de 2017

Robôs de garrafa PET, experiências interativas com massinha de modelar e jogos de tabuleiro incrementados por QR Codes. Algumas das experiências apresentadas durante a primeira edição do Festival de Inovação e Criatividade, realizado em São Paulo (SP), mostraram que também é possível colocar a mão na massa com poucos recursos. Em paralelo à Febrace (Feira Brasileira de Ciências e Engenharia), o evento aconteceu na POLI-USP, entre os dias 21 e 23 de março.

Dentro de uma tenda branca, com pouco mais de 2.300 m2, os projetos criados por estudantes de todo o Brasil também dividiram espaço com cursos, palestras e experiências de educação mão na massa. “Tentamos conectar todo mundo que está trabalhando com essa proposta para dar visibilidade ao que já está sendo feito pelo país”, diz Cassia Fernandez, uma das organizadoras do festival.

Entre os corredores da tradicional feira de ciências, era possível conhecer histórias como a dos estudantes Henrique Cavalcante, 16, e Luiz Augusto de Lima, 15, que colocaram a mão na massa sem nenhum conhecimento prévio de programação ou robótica. No segundo ano da Escola Agrotécnica do Cajueiro, na Paraíba, eles desenvolveram um mecanismo para suprir a demanda por água potável na região onde moram. “Foi bem difícil [construir o projeto] porque a gente não tinha aula de eletrônica, robótica e programação. Tivemos que estudar muito para aprender”, conta Henrique.

Já no espaço reservado para os projetos do Festival de Inovação e Criatividade, a estudante Milena Milão, 15, apresentava um trabalho que teve início na Escola Municipal Professor Rivadavia Marques Junior, em São Paulo (SP). Incentivada pela professora Gislaine Munhoz, ela e as colegas criaram um jogo de tabuleiro com QR Codes. “Nós fizemos todo o jogo com materiais recicláveis. Ele traz a história de um unicórnio que está perdendo as cores do seu chifre e precisa atravessar um caminho para chegar ao mundo mágico. Enquanto você joga o dado, precisa decodificar um código e cumprir desafios”, explica a jovem.

A ideia de realizar os dois eventos simultâneos, de acordo com a professora Roseli de Deus Lopes, coordenadora-geral da Febrace, foi justamente mostrar que os trabalhos apresentados pelos jovens durante a feira, muitas vezes ainda desenvolvidos de maneira isolada dentro escola, também podem ser feitos com toda a turma, como nos exemplos apresentados pelo Festival de Inovação e Criatividade. “Os jovens e professores que passam por aqui já são muito antenados. Eles conseguem avançar com pequenos estímulos e podem se tornar ativistas para melhorar a educação e levar uma abordagem mais ativa para a escola”, destaca.

Conheça alguns projetos de educação mão na massa que foram mostrados durante o festival:

- Mapa interativo com massinha de modelar

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Na Escola Lourenço Castanho, em São Paulo (SP), os professores de tecnologia Ana Paula de Farias e Rodrigo Lemonica tiveram a ideia de usar massinha de modelar e programação para tornar os conteúdos curriculares de geografia mais interativos. Com o Scratch e a ferramenta Makey Makey, eles construíram um mapa interativo, que tem pontos que podem ser tocados para descobrir informações e curiosidades sobre determinados locais. “Os alunos encontraram um modo dinâmico de apresentar o que aprenderam. A partir do momento que criamos uma interação, e que eles reconhecem aquilo, o céu é o limite para a imaginação”, aponta Rodrigo.

- Robôs de garrafa PET

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O lixo plástico se transformou em material pedagógico para o educador de tecnologias e artes Daniel Seda, do SESC Itaquera, em São Paulo (SP). Usando um sistema Arduino, ele deu vida a garrafas e reaproveitou materiais para construir pequenos robôs. “A ideia é mostrar para as crianças e adultos que a robótica não é uma coisa de outro mundo. Você consegue fazer coisas muito interessantes com o material que tem em casa”, defende.

- Blocos de construção para soltar a imaginação

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Para construir trabalhos maiores do que a capacidade de armazenamento físico da escola, a artista plástica e professora de marcenaria Luiza Sandler teve a ideia de desenvolver um kit com 1.400 peças de madeira que permitem montar diversas estruturas. Na Escola Alef Peretz, em São Paulo (SP), o brinquedo já possibilitou o desenvolvimento de diferentes atividades com os alunos. “Tem uma atividade que focamos na construção de uma cidade. Cada criança cria algum elemento e trabalha em grupo para compor os espaço. Conseguimos discutir as relações de centro/periferia, trabalhar equilíbrio e também debater sobre quais elementos compõem uma cidade”, exemplifica.

- Kit de baixo custo para introduzir robótica e programação

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O professor Rodrigo Eduardo Nogueira, da Escola Municipal de Ensino Fundamental Alcides Gonçalves Etchegoyen, em São Paulo (SP), usou um kit de baixo custo para trabalhar robótica e programação com os alunos dos sétimos anos. Com elásticos, esparadrapos, sensores, motores e pedaços de madeira MDF, a turma soltou a criatividade para construir suas primeiras máquinas. “A programação física permite dar asas à imaginação e criar projetos significativos para os alunos”, diz o professor.

- Novos usos para conhecidos materiais escolares

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As calculadoras, canetinhas, baterias e tantos outros objetos do cotidiano escolar se transformaram em recursos para incentivar a exploração. Ao lado de dois colegas, o educador Michael Filardi, do Instituto Sidarta, apresentou a proposta de desmontar itens e estimular que as crianças pensem em novas construções. “A ideia é manter a molecada curiosa e encantada com pequenas descobertas. Pensamos em trazer o low tech e voltar para a base. Qualquer escola tem acesso a esses materiais”, sugere.

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ciências, experimentação, mão na massa, tecnologia