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Como Inovar

Financiamento coletivo ajuda viabilizar projetos de educação

Iniciativas de alunos, escolas e instituições saem do papel e ganham apoio com doações virtuais

por Marina Lopes 26 de fevereiro de 2016

Com a popularização das plataformas de financiamento coletivo para tirar as ideias do papel e viabilizar projetos que precisam de dinheiro, surgem também diferentes tipos de iniciativas ligadas à educação que apostam na vaquinha virtual: de escolas ou instituições que precisam de apoio para realizar alguma atividade ou comprar equipamentos a estudantes que pedem doações para financiar os estudos ou apresentar artigos no exterior.

Ao mesmo tempo, a disposição das pessoas para contribuir com iniciativas que podem melhorar a qualidade da educação no país faz com que a área seja promissora dentro dos portais de crowdfunding. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Catarse, a primeira do tipo no Brasil, a área de educação lidera o interesse do público na hora de investir recursos para apoiar projetos.

Apenas em 2015, o arrecadamento nas principais plataformas de financiamento coletivo do país passou de R$ 3 milhões. De acordo com Diego Reeberg, um dos fundadores do Catarse, essa adesão representa uma espécie de desejo coletivo das pessoas, que enxergam a educação como um caminho para resolver grandes problemas da sociedade. “As pessoas olham para a educação com esse potencial de transformação. Na verdade, o financiamento coletivo reflete um pouco as coisas que estão acontecendo”, explica.

Diante do cenário econômico atual do país, Reeberg afirma que a perda de tradicionais patrocínios para projetos na área de educação faz com que cada vez mais pessoas encontrem oportunidades por meio do financiamento coletivo. “Eu acho que vamos ter uma guinada de projetos neste ano, porque as formas tradicionais [de financiamento] não estão mais correspondendo”, avalia.

O empreendedor e advogado Vinicius Maximiliano, autor de diversos artigos e publicações sobre financiamento coletivo, afirma que investir no crowdfunding pode ser uma das alternativas mais baratas e funcionais para viabilizar um projeto. “Eu acho que a área de educação é a mais promissora para esse segmento no Brasil”, defende.

Eu acho que a área de educação é a mais promissora para esse segmento no Brasil

Segundo Maximiliano, esse modelo de arrecadação consegue ajudar desde um aluno que deseja financiar os seus estudos, até uma startup que tenha uma proposta para colaborar com um novo modelo de educação. “As pessoas querem ter instituições e empresas inovadoras na área de educação. A melhor maneira de contribuir para isso é no crowdfunding”, comenta, ao mencionar que ao apoiar um projeto a pessoa sente que também está participando da sua concepção.

Pensando nessa possibilidade de construção coletiva e participação, os idealizadores do Movimento Entusiasmo decidiram investir na vaquinha virtual para fazer acontecer a primeira edição do evento Virada Educação, que espalhou mais de 50 atividades gratuitas pelo centro de São Paulo. Em 2014, eles foram apoiados por 180 pessoas e arrecadaram R$ 50.107 na plataforma Catarse. Para o cientista da computação Daniel Ianae, cofundador do movimento, a campanha também foi uma maneira de engajar pessoas para a ação. “O crowdfunding acontece por muitas pessoas”, observa Ianae, que atribui o sucesso da campanha ao trabalho de mobilização popular e ao formato arejado do evento.

“Eu vejo o crowdfunding como uma maneira de trazer mais pessoas para perto. Não só de contribuir financeiramente, mas de colaborar das mais variadas maneiras. Isso é muito importante ressaltar. As vezes falamos sobre financiamento coletivo como se só envolvesse a questão financeira, mas além disso, ao conhecer o projeto muitas pessoas se aproximam e ajudam de outras maneiras”, diz o jornalista André Gravatá, também cofundador do Movimento Entusiasmo.

Antes de participar da campanha de arrecadação da Virada Educação, Gravatá teve outra experiência com financiamento coletivo. Com outros participantes do coletivo Educ-ação, ele conquistou o apoio de 561 pessoas e arrecadou R$ 56.156 para investigar modelos inovadores de educação e lançar o livro “Volta ao Mundo em 13 Escolas”. De acordo com ele, o que mais pode fazer com que uma campanha aconteça é a capacidade dos criadores de mobilizar pessoas. “Eu acho que também precisa trazer relevância para as pessoas e pensar em que tipos de conexões você pode fazer. Como você consegue contar histórias que se conectam com as pessoas? Tentamos isso de muitas maneiras.”

Para Tahiana D’Egmont, CEO da plataforma Kickante, seguindo uma tendência de diversos segmentos que captam recursos em financiamento coletivo no país, o volume de projetos de educação tem crescido. No ano passado, o site teve cerca de 2.200 projetos inscritos, o que equivale a mais de 12% do volume total. “A sociedade como um todo tem um interesse em apoiar esse tipo de projeto. No ano passado, os projetos de educação se consolidaram bastante dentro da Kickante”, conta.

Eu vejo o crowdfunding como uma maneira de trazer mais pessoas para perto. Não só de contribuir financeiramente, mas de colaborar das mais variadas maneiras

Dentro da plataforma, além do tradicional modelo de campanha ‘tudo ou nada’, em que o projeto só recebe o recurso se atingir a meta proposta até uma determinada data, também é possível criar campanhas flexíveis, que podem ser financiadas independente do valor atingido. No entanto, D’Egmont explica que a opção por cada modelo de campanha deve depender do potencial de realização da proposta. Se uma escola precisa de um valor para fazer uma nova sala, por exemplo, ela precisa escolher o modelo ‘tudo ou nada’, porque com menos não será possível construir. Diferente de uma campanha que pode comprar mais ou menos computadores para uma instituição de acordo com a quantia recebida.

O jovem Filipe Jonnata é um dos exemplos de quem optou por uma campanha ‘tudo ou nada’. Com o sonho de ser aprovado no curso de engenharia mecânica – Aeronáutica no ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), um dos vestibulares mais concorridos do país, ele está pedindo R$15 mil para bancar os seus estudos em Fortaleza. Morador de Salvador, ele foi contemplado com uma bolsa de estudos para fazer o preparatório para a prova no Colégio Farias Brito, que tem um alto índice de aprovação no ITA.

Os advogados e empreendedores Eduardo Nunez e Gabriel Franco também encontraram no financiamento coletivo uma maneira de colaborar com a melhoria da qualidade da educação. Pensando nisso, eles fundaram a Cause Educação, uma ONG (Organização Não Governamental) que desenvolve estratégias e faz a captação de recursos para escolas, envolvendo desde o orçamento até a compra dos materiais pedidos. No ano passado, eles lançaram uma campanha na plataforma Juntos.com.vc para comprar tablets para a Escola Municipal de Ensino Fundamental Luiz Beneditino Ferreira, no Guarujá (SP). “A escola não tinha nenhum recurso tecnológico e nem laboratórios de informática”, conta Nunez.

De acordo com Franco, o que interessa na hora de fazer a campanha é ter um bom planejamento e conseguir mobilizar uma rede de contatos próximos. “A plataforma de crowdfunding pura e simplesmente não faz com que o projeto seja viabilizado. Nós não vemos que há uma diferença muito grande entre uma e outra”, afirma.

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financiamento coletivo, tecnologia