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Inovações em Educação

Game ensina educação no trânsito para jovens

Vrum é direcionado a estudantes do 6º ao 9º ano e tem o intuito de torná-los pedestres e motoristas mais responsáveis

por Vagner de Alencar 17 de abril de 2013

Para participar de uma corrida que acontece na cidade fictícia de Santa Fé, um adolescente que acaba de completar 18 anos precisa tirar sua primeira carta de habilitação e mostrar que conhece todas as regras de trânsito, sem cometer infrações. Esse é o enredo principal do game educativo Vrum, criado pela startup Think Box, nos padrões de jogos queridos dos adolescentes como o GTA – sigla de Grand Theft Auto, série de games que simula locais fictícios modelados em cidades norte-americanas. O Vrum, que é direcionado a estudantes do 6o ao 9o ano, tem o intuito de ensinar aos jovens, desde cedo, a serem mais responsáveis no trânsito. A proposta é levá-los a conhecer melhor a sinalização, as questões que envolvem a segurança dos motoristas e dos pedestres, os órgãos e entidade do trânsito. E ainda, os prepara melhor para as etapas de obtenção da carteira de habilitação, simulando exames como o psicotécnico e até exercícios de baliza.

“Decidimos trabalhar na educação do trânsito pela inexistência de iniciativas preocupadas com isso. A ideia é que o jogo também ajude os professores a trabalhar o tema de modo transversal no currículo, já que o Código de Trânsito Brasileiro, de 1998, afirma que educação no trânsito deve ser aplicada em todo o ensino básico”, afirma Pedro Alves, diretor de desenvolvimento da Think Box. “No Brasil, infelizmente, o governo gasta bilhões remediando o que acontece depois dos acidentes e com campanhas publicitárias sobre o assunto, e esquecem de criar programas mais efetivos nas escolas”, completa.

crédito romantsubin / Fotolia.com
 “Nosso sonho maior é formar jovens que se tornem motoristas e pedestres mais educados, responsáveis e conscientes de seus direitos e deveres”

O game começa com a chegada do jogador à autoescola, acompanhado pela mãe. Na cidade fictícia, em um ambiente 3D, ele caminha, anda de bicicleta, pega ônibus e dirige e, ao longo de todo o processo, é desafiado a respeitar as regras de trânsito. “Queremos também descontruir a figura do carro como único meio de transporte. Por isso, no game o jogador precisa usar o transporte público, como ônibus e trem, para entender que esses meios podem gerar menor impacto ambiental, diminuição de trânsito, entre outros aspectos”, afirma.

Na autoescola, o personagem se submete, por exemplo, a procedimentos para tirar a carteira de habilitação, como as simulações dos exames de vista, psicotécnico e teórico, realizados no Denatran. Realiza ainda os treinamentos básicos, como dirigir em circuitos e pela cidade, realizar a prova do Detran, fazer o emplacamento do carro e entender a importância do transporte público. “A cada dois minutos, um acidente de trânsito acontece em alguma via do país, ou seja, uma média de 30 acidentes por hora. Nosso sonho maior é formar jovens que se tornem motoristas e pedestres mais educados, responsáveis e conscientes de seus direitos e deveres”, diz.

crédito divulgação

Todas as ações do personagem são convertidas em duas formas de pontuação. A primeira se refere à pontuação relacionada à carteira de motorista do jogador e a segunda à pontuação do ranking geral, que representa os bônus pelas ações e missões que o jogador realiza na cidade de Santa Fé.

O game é gratuito, porém, por enquanto, está disponível apenas para escolas públicas da Paraíba que fazem parceria com o Detran. A startup também vem contatando o órgão junto a secretárias de educação, para a comercialização do projeto em grande escala para instituições de todo o país.

“Dos dez países do mundo com mais problemas no trânsito, nove estão na América Latina. O Brasil está em quinta colocação. No futuro, também planejamos criar um jogo voltado para o público latino-americano”

A proposta é não só oferecer o game, mas o Programa Brincando e Aprendendo Sobre o Trânsito, metodologia para implementação da educação para o trânsito nas escolas. O programa inclui a capacitação dos professores, suporte técnico e a ajuda para analisar gráficos e relatórios que são gerados a partir da atuação dos alunos nos games. “Será possível ter um diagnóstico do aluno ao decorrer do jogo, mostrando sua evolução. Por exemplo, saber se ele conseguiu diminuir o limite de velocidade, quantas vezes respeitou a faixa de pedestres e sinalização”, diz. Também são realizadas ações motivacionais, selecionando e premiando os melhores jogadores por escola ou cidade por meio do ranking.

Os criadores do jogo sonham também em expandir a iniciativa para outros países. O nome da cidade fictícia Santa Fé foi escolhido estrategicamente. De fácil pronúncia pelos vizinhos latinos, Santa Fé também a capital do estado norte-americano do Novo México. “Dos dez países do mundo com mais problemas no trânsito, nove estão na América Latina. O Brasil está em quinta colocação. No futuro, também planejamos criar um jogo voltado para o público latino-americano”, afirma Alves.

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educação integral, jogos