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Crédito: Aimee Ray / Flickr.com

Inovações em Educação

História de Frida Kahlo desperta empatia em exposição para crianças

Em cartaz no Unibes Cultural, a mostra interativa ‘Frida e eu’ propõe ao público infantil um mergulho pela vida da artista mexicana

por Marina Lopes 27 de abril de 2017

“Friiida Kaaahloo”, repetiu um garoto, enquanto olhava atentamente para a imagem da pintora mexicana. Conhecida por seus autorretratos expressivos, a artista virou tema de exposição para crianças no espaço Unibes Cultural, em São Paulo (SP). Na mostra interativa “Frida e Eu”, em cartaz até o dia 30 de junho, os visitantes podem conhecer de perto a história dela, enquanto exploram instalações lúdicas para mergulhar nas dores, amores e superações da sua vida.

No dia em que o Porvir visitou a mostra, era possível acompanhar a interação efusiva de um grupo de crianças da escola de educação infantil Terra Mater, em São Bernardo do Campo. Logo na entrada, os pequenos já se revezavam em uma instalação para recriar e fotografar a Casa Azul – residência onde a artista passou diversas fases da sua vida. Do outro lado da sala, duas meninas montavam um quebra cabeça surrealista, ao mesmo tempo em que três colegas assistam a um filme com a história da pintora mexicana. Sem visita guiada ou percurso linear, cada um interagia conforme a própria curiosidade.

“O que despertou o nosso interesse pela exposição foi a interatividade. As crianças conseguem entender que a arte não é uma coisa estática. Ela pode ser feita em qualquer lugar e em qualquer circunstância”, contou a coordenadora pedagógica Adriana Melero, da Escola Terra Mater. “Quando elas conhecem um pouco mais da história, elas também percebem que todos nós podemos ser artistas”, completou.

Depois de passar pela França, Inglaterra, Espanha, México e também pela cidade do Rio de Janeiro, a mostra chegou a São Paulo pela produtora Bacuri Cultural. Diferente de outras exposições, as famosas obras de acervo dão lugar a cenários que estimulam a empatia e fazem as crianças experimentarem situações do cotidiano de Frida Kahlo.

Enquanto cadeiras desconfortáveis simulam as sensações de Frida após um grave acidente aos 18 anos, uma cama com cavalete adaptado convida os visitantes a se deitarem e olharem em um espelho no teto para criar o seu autorretrato – assim como a artista fazia para lidar com os seus meses de repouso absoluto.

A partir dessas experiências, a história da artista serve como um ponto de partida para trabalhar noções de identidade, cultura, percepção e representação. “A Frida teve uma vida de muito sofrimento, mas se tornou uma das pintoras mais importantes do mundo. A exposição promove algumas reflexões a respeito de família, diferenças entre as pessoas, situações de sofrimento e dificuldades variadas”, explica Daniela Kohl Schlochauer, da Bacuri Cultural.

Para os visitantes explorarem o universo da artista, a mostra é divida em seis eixos temáticos: “Frida e o Autorretrato”, “Frida e a Família”, “Frida e a Natureza”, “Frida e a Dor”, “Frida e Paris” e “Frida e Diego”. Cada pedaço proporciona uma interação diferente para o visitante. “É incrível perceber como cada situação prende a atenção de determinada criança. A cama e o dispositivo de autorretrato são os mais disputados, mas cada criança se apega a um tema”, garantiu Daniela.

Em “Frida e o Autorretrato”, as crianças conhecem a residência de Frida e experimentam diferentes maneiras de serem representadas. No eixo “Frida e a Família”, elas conhecem a árvore genealógica da pintora e são incentivadas a montar sua própria família. Enquanto “Frida e a Natureza” traz a paixão da artista pelos animais, “Frida e a Dor” retrata momentos difíceis da sua vida. Em uma viagem pelo dispositivo “Frida e Paris”, os pequenos exploram uma mesa com quebra cabeça surrealista. Ao chegar no espaço “Frida e Diego”, também aprendem mais sobre a história do casal e notam como eles lidavam com as diferenças.

“Não existe roteiro definido, com começo, meio e fim. Nós acolhemos os grupos contando um pouquinho da história da Frida e falamos que a exposição é totalmente interativa. Eles vão conseguir mexer, brincar e entender a arte de outra forma”, contou Roberta Maringelli, uma das educadoras da mostra.

Para Fabiana Gutierrez, cofundadora da empresa social Carlotas, que promove atividades de empatia e desconstrução de estereótipos, conhecer a história de Frida Kahlo ajuda as crianças a refletirem sobre padrões. “A Frida traz uma série de questionamentos. Como ela conseguiu sobreviver ao longo da sua história? Ela foi muito importante em diversos aspectos políticos e culturais, que também envolviam a relação da mulher na sociedade mexicana”, destacou.

De acordo com ela, a experiência interativa da mostra pode ser um bom começo para trabalhar empatia com as crianças, mas os educadores também precisam manter viva essa reflexão dentro da escola. “Aqui é um pouco literal esse exercício de se colocar no lugar do outro e sentar em uma cadeira desconfortável, mas nem sempre vamos poder sentir dessa forma.”

Ana Carolina Dorigon, responsável por projetos da Carlotas, também chama a atenção de educadores para que a mostra seja um espaço de descobrta das crianças. “A exposição traz um outro olhar. Eu não preciso sair daqui sabendo a data e o ano em que ela nasceu, mas preciso me permitir entrar em contato com a vida dela. São outros aspectos que a escola precisa valorizar, envolvendo as habilidades socioemocionais.”

Como sugestão de atividade pós visita, ela diz que educadores podem fazer o exercício do autorretrato com as crianças. “Eles podem trabalhar o reconhecimento das emoções até chegar em questões mais complexas como a empatia. Imagine que os alunos irão fazer uma fotografia deles por dentro”, sugeriu.