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Inovações em Educação

Jogar estimula a criatividade e a convivência

Pesquisador acredita no poder do jogo para trabalhar questões éticas e preparar os alunos para situações ao longo da vida

por Vinícius Bopprê 24 de maio de 2013

Todo mundo, pelo menos uma vez na vida, já ficou preso em alguma etapa ou fase durante um jogo. Seja em um videogame, no campo de futebol, no tabuleiro, os desafios que o ato de jogar impõe obriga os jogadores a pensar estratégias para vencer seus adversários. “No jogo, por mais experiente que o jogador seja, há sempre uma parte imprevisível. A criatividade, nesse sentido, é a capacidade de reagir em relação ao novo com uma resposta original e inédita”, diz o pesquisador e professor Lino de Macedo, que foi um dos palestrantes da Educar Educador.

Para Macedo, é exatamente nessa busca pela criatividade que o jogo pode ser uma grande ajuda no processo de aprendizagem. “Existe o jogo com objetivo didático, que são aqueles feitos para trabalhar certo conteúdo, como tabuadas, gramática e tem o jogo que busca desenvolver o aprendizado por meio do raciocínio e da convivência”, explica. Essa convivência, segundo ele, é importante porque os jogadores sempre estão em posição de igualdade, lidando com questões éticas e democráticas, em que é preciso respeitar as regras, mas sem perder o espírito competitivo que, por sua vez, pede por uma ampliação do campo de observação. “No jogo, eu quero ganhar de você, mas tenho que prestar bastante atenção no que você faz. Preciso estar muito atento no seu esquema de jogo”.

crédito Fyle / Fotolia.comPesquisador acredita no poder do jogo para trabalhar questões éticas e preparar os alunos para situações ao longo da vida

O pesquisador destaca, ainda, outros lados positivos da inserção dos jogos no currículo da escola: não precisa necessariamente de tecnologia, já que pode ser realizado em tabuleiro, com dinâmicas de grupo ou na quadra e a possibilidade de ser trabalhado com estudantes de todas as idades. “A criança tem certas obrigações como dormir, comer, ir para a escola, ir ao banheiro. Mas como ela passa o tempo livre? Jogando”, afirma. Mais do que uma maneira de se divertir, o jogo prepara os jovens para as situações-limite que vão chegando com o passar do tempo, como o vestibular, o mercado de trabalho e todas as concorrências que estão ao redor dessas etapas.

Para que os jogos funcionem bem e tragam todos esses benefícios, um dos pontos mais importantes é a inserção do professor, que precisa ter uma experiência de jogador para conseguir conquistar o apoio dos alunos para a atividade. “Se o próprio professor não gostar do jogo, não tiver experiência, fica difícil. Como vai ensinar o gosto da leitura para os alunos se ele não desfruta dele?”, diz. Entretanto, ressalta, “na hora da partida em classe é como se ele fosse um técnico, um instrutor que ensina as estratégias e mobiliza os alunos para fazer desse ou daquele jeito”.

O olhar atento do educador durante o jogo é importante, principalmente, por dois aspectos: na hora de fazer uma curadoria de qual material é o mais interessante para ser aplicado em sala de aula e para direcionar a jogabilidade, fazendo com que aqueles alunos que não sejam tão bons, não se sintam desmotivados pelo erro, mas encontrem um incentivo para o desenvolvimento. “O erro significa que eu poderia ter feito melhor, que não antecipei uma surpresa. O erro é criativo também, a gente aprende com ele, por isso, o professor deve guiar o aluno para jogar no nível correto de sua experiência”, afirma.

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