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Inovações em Educação

Motivação, e não o CEP, é determinante para o desempenho do aluno, diz estudo

Estudo da consultoria McKinsey analisou dados do último PISA, prova internacional realizada em diversos países, incluindo o Brasil. Guia lançado pelo Porvir mostra como a participação juvenil engaja alunos

por Vinícius de Oliveira 20 de setembro de 2017

Um estudo da consultoria Mckinsey com base em dados do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), avaliação internacional com alunos de 15 anos, aponta que o impacto da motivação na aprendizagem de alunos de baixa renda chega a superar a importância da renda e acesso a meios culturais.

Para chegar a essa conclusão, pesquisadores relacionaram respostas dadas por estudantes sobre habilidades socioemocionais com seu desempenho no último exame, aplicado pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) em 2015, que teve como foco a área de ciências.

No caso brasileiro, a calibragem da motivação (capacidade do aluno entender em si e no outro o que significa estar motivado), a mentalidade de crescimento (saber que é possível melhorar), senso de pertencimento, motivação e ansiedade com o exame foram as variáveis que tiveram maior impacto no cálculo.

Essas características puderam ser aferidas em questões como a do exemplo abaixo, que constava na prova real:

ST121 – Leia abaixo a descrição de três alunos. Com base nestas informações, em que medida você discorda ou concorda com a afirmação que esse aluno é motivado?

Jane desiste facilmente quando enfrenta um problema e frequentemente não vai preparada para a aula

Charles continua interessado pelas tarefas que começa e às vezes faz mais do que é esperado dele

Jemina quer tirar boas notas na escola e continuar trabalhando nas tarefas até que tudo esteja perfeito.

“O termo calibragem de motivação vem de uma lógica que o primeiro aluno é pouco motivado, o segundo é de nível médio, e o terceiro, muito motivado. Se o aluno responde de uma maneira que fere essa sequência, a gente coloca que sua motivação é baixa”, explica Patricia Ellen, executiva da área de políticas públicas da McKinsey.

No caso brasileiro, a Mckinsey apurou que alunos com motivação bem calibrada de nível socioeconômico baixo tiveram desempenho melhor no PISA do que aqueles de maior poder aquisitivo, melhores condições sociais e culturais, mas pouco motivados. “Em ambos os casos, a motivação resultou em um impacto de quase 50 pontos no PISA. Motivação é muito importante independentemente do contexto socioeconômico, mas se você consegue motivar um aluno em situação de vulnerabilidade, ele consegue ter um desempenho melhor que um aluno em contexto bom. Isso é muito inspirador porque mostra que CEP não determina o desempenho da pessoa”. Enquanto no Brasil a calibragem da motivação resulta em um aumento de 18%, na América Latina o índice é quatro pontos porcentuais menor, 14%.

Outras pesquisas e debates
O peso do lado socioemocional no aprendizado retratado pela McKinsey vai ao encontro de outras pesquisas da área de educação. Programas voltados ao desenvolvimento não-cognitivo podem fazer o desempenho aumentar 44%, segundo estudos do economista-chefe do Instituto Ayrton Senna e um dos líderes do eduLab21.

Entre os fatores que levam motivação e engajamento para estudantes está a participação e o envolvimento em decisões sobre a escola e sobre seu processo de aprendizagem. Para contribuir com o debate, nesta quinta-feira o Porvir lançou o guia Participação dos Estudantes na Escola, que apresenta o contexto, o conceito e dá exemplos de como a opinião de alunos nas instâncias de decisão e na sala de aula resulta em engajamento e valorização da educação.

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competências para o século 21, ensino fundamental, ensino médio, ensino superior, socioemocionais