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por Marina Lopes

Inovações em Educação

Novos laboratórios de engenharia levam a criação

Espaços de experimentação ajudam unir a teoria com a prática e fortalecem a cultura empreendedora na universidade

por Marina Lopes 15 de agosto de 2014

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Este conteúdo faz parte da
Série Engenharia

Mais do que espaços equipados com impressoras 3D, fresadoras, cortadoras a laser e outras máquinas de fabricação digital, os ambientes abertos e colaborativos chamados de FabLabs e Hackerspaces estimulam a criatividade e impulsionam a cultura empreendedora, dentro e fora da universidade. Aplicados ao ensino de engenharia, eles oferecem para o estudante inúmeras possiblidades de experimentação e ampliam o diálogo entre teoria e prática.

Com ferramentas que possibilitam o desenvolvimento de protótipos rápidos, esses espaços ajudam o aluno a testar projetos durante todas as fases de desenvolvimento. Se antes ele precisava investir meses trabalhando em conceitos teóricos para, no final, descobrir que não funcionava na máquina, em um FabLab, por exemplo, esse processo se torna muito mais dinâmico. É possível aprender com os próprios erros e fazer reparos no projeto a qualquer momento.

por Marina Lopes | PORVIR

 

Além da agilidade, para a arquiteta Heloisa Neves, sócia do Garagem FabLab e diretora da associação Fab Lab Brasil, o que diferencia esses ambientes de um laboratório tradicional é essa lógica de colaboração e abertura. “Você não tem um técnico que faz o objeto”, explicou, ao mencionar a necessidade de oferecer autonomia para o aluno. “Ele deve ter o poder, não apenas de trabalhar no projeto dele, mas de escolher as ferramentas que irá utilizar. Esse tipo de horizontalidade e conexão é que vai trazer possiblidades para criação e inovação.”

No Garagem, localizado na região central de São Paulo, não são apenas as máquinas que facilitam o desenvolvimento de projetos. “Eu costumo dizer que o espaço mais importante do FabLab é uma mesa coletiva, em que as pessoas sentam e trocam ideias”, destacou Heloisa. Frequentado por designers, arquitetos, engenheiros e outros estudantes de áreas criativas, o espaço possibilita construções coletivas de conhecimento.  “Quando ele [o aluno] conversa apenas com os colegas que possuem a mesma referência, ele não consegue ir além do grupo. Quando você mistura, o objetivo é fazer com que um enxergue através da cabeça do outro.”

Com a proposta de trazer esse espírito aberto e colaborativo para dentro da academia, a faculdade de engenharia do Insper, que aguarda o aval do MEC para iniciar suas atividades, irá contar com um FabLab à disposição dos alunos ­– o espaço também deve receber a comunidade nos chamados “open days”. Equipado com as principais máquinas de fabricação digital, o local ainda conta com bancadas de eletrônica, furadeiras, cortadora de isopor e outras ferramentas que ajudam a fazer reparos rápidos e retoques finais em projetos.

“A ideia é trazer autonomia, abertura, conexão e inovação [para dentro da universidade] igual todo mundo está fazendo”, contou Heloisa, que desde o início do ano foi contrata para integrar a equipe dedicada ao desenvolvimento do projeto da escola de engenharia.

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Para o professor Maurício Ferreira, um dos responsáveis pela implantação dos cursos de engenharia do Insper, essa possiblidade de experimentação, proporcionada por esses espaços, traz inúmeros ganhos para o ensino de engenharia. “O estudante está acostumado a não poder errar. Se errar em um projeto, ele acredita que não vai ter uma segunda chance. A grande questão é mostrar que ele pode errar e tem que experimentar. Somado à isso, a gente começa a oferecer ferramentas para que ele erre menos.”

No universo do empreendedorismo, essa cultura de errar rápido e consertar rápido já se tornou um conceito bastante difundido. Conhecida por lean startup, a proposta, popular entre empresas do Vale do Silício, defende a criação de protótipos rápidos. Em resumo, é preciso testar os produtos para aprimorá-los constantemente. E por que não trazer esse modelo para a academia? Na Poli-Usp (Escola Politécnica da Universidade de São Paulo), há um ano o professor André Fleury, do curso de engenharia de produção, tem aplicado esses conceitos nas disciplinas de estatística, administração e economia.

Com métodos que se aproximam do mercado, ele incentiva que os alunos desenvolvam projetos com aplicações reais. Dessa experiência, já surgiram propostas bem sucedidas como um sistema de cultivo hidropônico, que será patenteado em breve, e dois aplicativos. Todos os projetos foram desenvolvidos no InovaLab, laboratório multidisciplinar da Poli que oferece ferramentas para que os estudantes de engenharia desenvolvam seus protótipos.

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União entre teoria e prática

Segundo Fleury, a aprendizagem por projetos já se tornou uma tendência consolidada na educação. “Ter uma aula expositiva sem muita aplicação é uma das grandes dificuldades da academia”, pontuou.

Para Heloísa Neves, a possiblidade de experimentação ajuda a conectar o estudante com as coisas que ele gosta.  Além de unir a teoria com a prática, o aluno aprende a aprender, encontrar os seus próprios caminhos e ter uma visão mais conectada com a realidade. Segundo ela, a prototipagem consegue acessar conhecimentos que nem sempre são visíveis com a teoria.

Além de aplicações claras em disciplinas como processos de fabricação, mecânica e eletrônica, a prototipagem incentiva o aluno ver e observar exemplos práticos para outros conhecimentos como o uso software de modelagem 3D e o estudo de cálculos para descobrir como a máquina funciona.

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O papel do professor nos novos espaços

Diante desses novos espaços, o papel do professor passa a ser de um tutor, que ajuda o aluno a embasar e conceituar o seu projeto. “Nenhum professor vai dizer para ele ‘faz nesse ou naquele equipamento’. O aluno precisa entender o caminho e a metodologia que vai levar ele para a realização do seu projeto”, defendeu Heloisa Neves.  Segundo ela, o docente não precisa ter todas as respostas. Ele deve atuar apenas como um facilitador que estimula do aluno.

“O papel do professor é o de levar o aluno para um outro nível. No começo ele vai fazer um monte de bobagem para aprender a usar a máquina, mas ficar só nisso não basta. Ele precisa estimular e incentivar o aluno a ir um pouco mais longe”, defendeu a diretora do Fab Lab Brasil.

Para Maurício Ferreira, em um ambiente de experimentação, o professor também deve ter um discurso condizente com a prática. Quando o aluno errar, por exemplo, “não adianta falar que está tudo bem e ficar com uma cara fechada. Você tem efetivamente que acreditar que o erro é parte do processo de aprendizado”, afirmou. Segundo ele, é nesse momento que o educador deve propor uma reflexão para o estudante, incentivando que ele busque outros caminhos para desenvolver o seu projeto.

 

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aprendizagem baseada em projetos, engenharia, ensino superior, experimentação, série engenharia