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Transformar

Plataforma e estudo de empreendedorismo em educação são lançados no Transformar

Iniciativas do Instituto Inspirare procuram ajudar quem pretende criar negócios sociais para resolver desafios e problemas da área

por Fernanda Nogueira 27 de agosto de 2015

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Transformar

O painel “Desafios e oportunidades para empreender em educação”, realizado durante a 3a edição do Transformar na terça-feira (25), trouxe duas novidades para empreendedores brasileiros da área de educação: uma pesquisa e uma plataforma. As duas iniciativas do Instituto Inspirare estão conectadas e procuram ajudar quem pretende criar negócios sociais para resolver desafios e problemas da área.

O estudo “Empreendedores de Impacto: as dores e as delícias de inovar em Educação no Brasil” é o primeiro olhar aprofundado sobre a jornada que os empreendedores da área de educação percorrem no Brasil, segundo Lívia Hollerbach, da Alas Pesquisa de Mercado, que realizou e apresentou a pesquisa junto com a jornalista Mariana Fonseca, da Mariposa Comunicação, no evento. Já a plataforma “Apreender, empreender na aprendizagem” partiu das conclusões do levantamento, que ouviu 50 empreendedores em sete capitais do país (São Paulo, Rio de Janeiro, Florianópolis, Maceió, Porto Alegre, Recife e Belo Horizonte), além de institutos, fundações, fundos de investimento, aceleradoras e especialistas, para oferecer orientações e serviços que ajudem quem está desbravando esse campo.

As duas principais perguntas feitas pelo estudo foram: quem empreende em educação no Brasil e quais os desafios ao longo dessa jornada? A principal conclusão é que a visão do ecossistema do negócio em educação ainda é “turva”, com dificuldades apontadas pelos empreendedores em identificar os atores e seus respectivos papéis. A pesquisa trouxe conceitos e ruídos sobre esses participantes, como aceleradoras, institutos e fundações, mentores, anjos, investidores, iniciativa privada e governo. No estudo, os empreendedores apontam a necessidade de vender seus produtos ou serviços a três interlocutores diferentes: pais, diretores ou governo, que são quem paga a conta; professores, que são quem vai aplicar; e alunos, os usuários finais.

O perfil dos empreendedores apresenta uma grande diversidade,  mas todos têm em comum o fato de serem “desbravadores”, atuando em um ecossistema novo e ainda desconhecido, e também “carentes”, por demandarem apoio emocional, financeiro e estratégico.

A pesquisa levantou qual é a porta de entrada de cada tipo de empreendedor na área de educação. Eles foram divididos em dois grupos. O primeiro inclui empreendedores que tiveram um “gatilho interno”, como aqueles que viram a entrada na área de educação como uma oportunidade de se realizar, aqueles que já atuavam em um projeto de educação e encontraram no negócio uma forma de sustentar suas ideias e aqueles que querem criar uma startup no setor para mudar o mundo. O segundo é daqueles que tiveram um “gatilho externo”, e inclui especialistas em ferramentas digitais que começam uma startup, pessoas que viveram uma experiência frustrante em educação e criaram o negócio para resolver um serviço na área, e professores ou acadêmicos, envolvidos profundamente na educação, que criam serviços para melhorar o dia a dia deles.

Depois de mapear as portas de entrada no setor, o estudo detalhou as jornadas pelas quais passam os empreendedores de cada grupo, mostrando comportamentos e atitudes comuns. A pesquisa levanta potenciais e riscos para cada grupo e mostra em que fase está cada um deles entre dez passos da criação do negócio.

Os apaixonados, por exemplo, que são aqueles que empreendem na área pela causa, mergulham bastante no universo da educação, fazem pesquisas metodológicas, mas deixam de lado a pesquisa de mercado e as oportunidades. “Muito cedo, ele começa a movimentar e formar grandes redes para pedir ajuda. Consegue atrair todo tipo de apoio, financeiro, mentoria e mão na massa”, contou Lívia. No entanto, este empreendedor se preocupa menos em formalizar o negócio e depende muito de ajuda externa. Já aqueles que vêm do empreendedorismo, formalizam o negócio no primeiro dia, e se moldam escutando o mercado, mas não se aprofundam muito na sala de aula.

A pesquisa mostra que o grupo daqueles que empreendem na área por uma ocasião, como os professores que buscam melhorar seu dia a dia, tem poucos integrantes ainda, mas é aquele que chega a soluções de maior qualidade. Eles são capazes de atrair vários atores do ecossistema, principalmente aqueles que visam o impacto. Correm risco, porém, de não perceberem o potencial do negócio e ficarem à margem do mercado.

De acordo com Mariana, a pesquisa mostra que os empreendedores da área precisam levar três pontos em consideração: negócio, impacto e educação. “Muitos não têm negócio. Precisam de gestão de pessoas e gestão financeira, por exemplo”, disse Mariana. Com relação ao impacto, eles precisam ter claro qual é o problema que querem resolver e a solução que estão trazendo. E, por último, o empreendedor precisa entender o mapa da educação no Brasil, que é complexo, e inclui professores, pais, secretarias, ONGs, entre outros atores. “Os processos são múltiplos e complexos. É preciso entender por que a educação é um universo particular no país”, disse Mariana.

Apreender
Com o objetivo de preencher essas lacunas dos empreendedores, a plataforma Apreender traz referências e recursos de apoio a diferentes etapas do negócio. Nela, há cinco áreas de conhecimento fundamentais: negócios, impacto, educação, jornada e ecossistema. Na área de ecossistema, o empreendedor encontra dicas sobre como funciona o processo de seleção de uma aceleradora e uma lista de empresas que atuam na área, como a Artemísia e a Quintessa.

É possível ainda guiar a leitura de acordo com as próprias motivações, acompanhando sugestões feitas na ferramenta. Quem quer ter uma startup, por exemplo, que já é empreendedor e tem noção clara de qual é a jornada, pode começar sua exploração pela área de impacto e depois seguir para educação e ecossistema. Outra opção é clicar num dos temas que já aparecem na página inicial da plataforma, como fundos de investimento de impacto, modelo societário, métrica, protótipo, entre muitos outros. Há ainda vídeos com depoimentos de empreendedores sobre alguns dos temas, como o de Eduardo Bontempo, cofundador da Geekie, que fala sobre venda para o governo.

Para aproximar o empreendedor dos investidores, a plataforma explica os conceitos de cada tipo de investimento, como investimento anjo, capital semente, fundos de investimento de impacto e crowdsourcing, e mostra como conseguir cada um deles.

Os empreendedores podem ainda cadastrar suas soluções na plataforma e compartilhá-las, no link “Projetos Inovadores”, que traz vários exemplos de negócios na área, divididos por temas. Quando o assunto é avaliação, o empreendedor pode encontrar links e contatos de projetos como o Eduqa.me, que visa organizar os relatórios de aprendizagem para avaliar cada criança. Aceleradoras, investidores, mentores e outros atores também podem cadastrar suas ofertas de serviços na ferramenta, no link “Apoio ao Empreendedor”.

Henry Hipps (Bill & Melinda Gates Foundation) responde perguntas de empreendedores brasileiros

Rodas de Diálogo
Durante o Transformar, duas Rodas de Diálogo, uma sobre Proposta de Valor e outra sobre Modelo de Negócio, aprofundaram a discussão sobre temas presentes no estudo e na plataforma. A primeira contou com a participação de José Augusto de Melo Neto, da Secretaria de Educação do Estado do Amazonas, Henry Hipps, da Bill & Melinda Gates Foundation, Danielle Brants, fundadora da Guten News, startup de educação com foco no desenvolvimento da proficiência leitora no ensino fundamental, Endhe Elias, da Meu Tutor, startup produz plataformas educacionais adaptativas, e Matheus Goyas, da App Prova, ferramenta para melhorar o desempenho educacional. Alguns dos temas discutidos foram como as startups podem se aprofundar nas necessidades dos estudantes e dos professores de escola pública para refinar a proposta de valor, como engajar todos os atores na implantação da tecnologia na escola e como gestores públicos agem para haver um termo de referência para produtos novos.

A Roda de Diálogo sobre Modelo de Negócios teve a participação de Alexandre Borges, da empresa Mãe Terra e de Vinícius Saraceni, da Atina Educação, além de Daniele Brants, Endhe Elias e Matheus Goyas. Alguns dos assuntos discutidos foram como buscar fontes de informação no setor público, como colocar preço no produto e como melhorar o processo de compra de inovação e tecnologia dentro do sistema educacional.

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