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Inovações em Educação

‘Professor precisa se tornar um digiriatra’

Dado Schneider afirma que educadores devem caminhar em direção à velhice digital para levar a educação para o século 21

por Vagner de Alencar 23 de maio de 2013

Você pode não gostar de Gangnam Style, hit que, em 2012, dominou o mundo na voz de um coreano e em sua coreografia à la galopes de um cavalo. No entanto, você não pode deixar de saber quem é rapper sul-coreano PSY. Você também pode não gostar das abreviações virtuais, como: kbça (cabeça), blza (beleza) ou vc (você). Mas é preciso ao menos entendê-las. Esses são alguns dos conselhos dados por Dado Schneider, autor do termo “digiriatria” – uma mistura de digi = digital + riatria = geriatria, velho), brincando com os termos nativo digital e imigrante digital, cunhados por Marc Prensky (leia entrevista de Prensky para o Porvir).

Schneider, que é professor universitário e especialista em marketing e comunicação há mais de 30 anos, afirma que é preciso que os professores se tornem velhos digitais, para acompanhar as mudanças, cada vez mais velozes, da cultura digital na educação. “Há dois anos, eu resistia bravamente às novas linguagens. Escrevia e-mails extremamente formais. Hoje, meus e-mails vivem repletos de ‘blz’ e ‘vc’”, afirmou ele, ontem, durante sua palestra magna na Educar Educador, em São Paulo.

Marc2812 / Fotolia

De acordo com Schneider, se no passado o upgrade dos professores era ter no currículo um curso de datilografia, é indispensável ao professor do século 21 saber lidar com tablet, ter conta no Twitter ou Facebook. “Claro, é preciso trazer as boas experiências do século 20 para o 21”, pondera ele. “Mas muita gente se nega a viver no mundo dos novos. É preciso se adaptar, assim como disse Darwin. Ou seja, é preciso se adaptar às tecnologias.”

Ser um velho digital é começar não chamando de “vossa senhoria” o teclado e substituir o “asdfg (espaço)” por “crtl shift alt del”

Ele afirma que estamos na era do compartilhamento, da coparticipação e da colaboração, o que evidencia um novo cenário: do trabalho em rede. “Algumas pesquisas têm demonstrado que quem compartilha, cresce; quem divide, cresce. As novas gerações rendem menos sobre o silêncio absoluto”, assegura. Nesse novo mundo, o professor desempenhará um papel de provocador e catalisador, se tornando ‘guias legais’, não importando a idade deles”.

E não existe uma fórmula mágica para se tornar um dirigiatra. Ser um velho digital, diz ele, é começar não chamando de “vossa senhoria” o teclado e substituir o “asdfg (espaço)” [colocação dos dedos na segunda fileira do teclado nos antigos treinamentos de datilografia] por “crtl shift alt del”. Se dominar os equipamentos tecnológicos é ainda uma das maiores preocupações dos professores – ainda resistentes –, Schneider assegura que em breve aprender tecnologia não será preocupante. “Os aparelhos estão se tornando mais simples e fáceis de manusear. O ensino será mais intuitivo; menos cartesiano. Será mais experimental; menos manual.”

Para ele, o professor de hoje está em crise e por isso é necessário aproveitar melhor os recursos tecnológicos para, consequentemente, aperfeiçoar a forma de ensinar. “As tecnologias estão cada vez mais fáceis e acessíveis. Há métodos maravilhosos e professores que não conseguem usá-los. Também existem escolas que não têm método nenhum, mas que contam com professores fantásticos. É uma escolha individual”, afirma. “Claro, o método pode ajudar. A escola pode dar força ao professor. Mas acho que depende dele querer de fato ser um professor atraente, do século 21. O aluno do século 21 não é o aluno do século 20.”

TAGS

tecnologia

  • MAURINETE PRADO DA SILVA

    Tudo a ver com a minha Pós !

  • Gilda Aquino

    Mas nós professores de EaD da graduação e pós-graduação não podemos escrever desta forma ‘blz’ e ‘vc’… E sim de maneira formal, não acha?

  • Márcia Lima

    Muito bom o texto, realmente as tecnologias estão ficando mais funcionais. Para eu digitar o comentário, não usei os dedos corretamente (rsrsr) Mas dei o meu recado, houve comunicação e isso é o que importa. Valeu.

  • Existe um ponto a ser levado em consideração no tocante a tecnologia. Ela não é externa a nós, seres humanos, somos sim uma Tecno-espécie. Temos que lembrar que fogo é uma tecnologia, que as facas de pedra lascadas são tecnologia.
    Portanto se relacionar com tecnologias é se comportar como um ser humano. O contrário que é estranho. O ponto que o professor levanta é perfeito, mas não é questão de gerações, na minha percepção, mas sim de um conceito que está sendo trabalhado que chamamos de “mudança na plástica cerebral”. Isso ocorre porque certos indivíduos entram em contato com tecnologias (do tipo reintermediadora) que muda algo no jeito que o cérebro dela “vê” o mundo, o que chamamos erroneamente de realidade. Essa nova percepção vai aos poucos mudando o jeito que esse indivíduo em particular enxerga e se relaciona com o mundo ao seu redor.
    Para quem quiser saber mais sobre essas teorias, procure o professor Carlos Nepomuceno no Google.