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Diário de Inovações

Professora de pedagogia ensina a adaptar redes sociais para uso em sala de aula

Com grupos e fóruns de discussão no Facebook e WhatsApp, professora mostrou aos alunos de pedagogia como é possível desenvolver atividades dentro do universo dos jovens

por Lígia de Assis Monteiro Fontana 20 de abril de 2016

Sou professora de tecnologia do curso de pedagogia no Instituto Brasileiro de Tecnologia Avançada (IBTA), em São Paulo. No começo, as alunas não sabiam nada de tecnologia. Então, desde a primeira disciplina que eu ministrei, fui fazendo um planejamento de aulas. Comecei pelas coisas mais básicas, como Word,  jogos no PowerPoint e expliquei que também é possível trabalhar com tecnologia em modo off-line. A partir disso, fomos evoluindo.

Usar essas ferramentas de tecnologia ainda na faculdade é importante para que as alunas entendam o funcionamento, além de sentir a dificuldade do aluno. Eu falo para elas  que devem gravar e fazer um diário mental de todas as dificuldades que sentem, porque o aluno também vai sentir.

Uma grande reclamação que eu escuto até em congressos é: “o aluno fica lá conectado o tempo todo e eu não consigo a atenção dele”. É importante criar algo dentro dessa realidade e, pensando nisso, desenvolvi várias atividades em redes sociais.

O professor não pode ter medo do estudante, é preciso ser parceiro, aprender junto com ele

Começo fazendo uma ressignificação da rede, porque, na verdade, a rede social é para lazer. Em seguida, apresento um design instrucional (conjunto de técnicas e métodos usados no processo de ensino-aprendizagem) do ambiente. Não são só atividades com postagens. Eu transformo o ambiente que, por sua vez, muda o olhar do aluno.

No Facebook, por exemplo, criamos fóruns e bate-papo online. Nós trabalhamos pedagogia audiovisual, tecnologia móvel, narrativas digitais, entre outros temas. Algumas alunas tímidas, que não participam em sala de aula, arrasaram nos argumentos, comentando os posts e trazendo referencial teórico. Uma expressão que eu uso muito com elas é “mapear a turma”. Eu digo a elas que “a partir de uma brincadeira, de um jogo, você começa a conhecer os seus alunos e desenvolver um olhar para envolver todos nas atividades, até os tímidos”.

Além do Facebook, usei também o WhatsApp com o objetivo de produzir uma consciência de como utilizar o smartphone em sala de aula atrelado ao ensino. Desde o começo, também explico o que é um grupo educacional, que nós vamos usar a ferramenta para desenvolver um conteúdo. Não fica um monte de conversa. Eu mando uma foto, por exemplo, que chama a atenção das alunas, e o tema da discussão é definido. O aplicativo de comunicação se transformou em um ambiente digital de aprendizagem. As trocas de experiências, conteúdos, atividades e informações se transformaram em conhecimento. Nós trabalhamos avaliação na palma da mão, ministrei um curso de design thinking para educação, uma aula digital de desenhos e uma oficina de áudio-descrição para literatura infantil. Tudo isso via WhatsApp.

Uma das atividades que nós desenvolvemos foi com a Lilian Bacich, que participou da organização do livro “Ensino Híbrido: personalização e tecnologia na educação”. Nós montamos um grupo de estudo no WhatsApp e ela participou, tirando dúvida das alunas e debatendo. Depois, elas vieram me falar “Nossa professora, você chamou uma profissional desse porte para conversar com a gente!”. E eu sempre falo que é importante chamar o autor daquilo que está sendo trabalhado para que o aluno tenha esse contato.

Eu quero formar uma pessoa que consiga lidar com esse aluno sempre conectado, e que saiba respeitá-lo

Nas atividades no Whats, acho legal que as alunas tragam mais informações para o grupo. Elas colocam mais vídeos, compartilham links de reportagens. Além disso, elas se comunicam mais rápido. Chega mensagem, aí a pessoa já fica naquela curiosidade pra saber de quem é. No Face, fica mais a opinião, embasada com o referencial teórico, e elas podem comentar depois.

Imagina um professor de tecnologia entrar na sala e perceber que os alunos não sabem onde liga o computador. Depois de todo o processo, elas conseguem debater, colocar a opinião, buscar vídeos na internet e compartilhar no grupo. Eu sempre falo pra elas: “Vocês conseguem perceber o quanto caminharam, o quanto subiram daquele primeiro degrau no primeiro trimestre?”. Hoje, elas conseguem avaliar a tecnologia e elogiar ou criticar o que já é feito no mercado. Para mim, essa é toda a devolutiva desse trabalho árduo realizado com elas.

A minha vontade é formar o profissional que não encontrei na época que eu era assessora tecnológica em outros colégios. Eu quero formar uma pessoa que consiga lidar com esse aluno sempre conectado, e que saiba respeitá-lo. Ambos têm o conhecimento na palma da mão, mas o professor tem o conhecimento científico. Então não pode ter medo do estudante, é preciso ser parceiro, aprender junto com ele.

Lígia de Assis Monteiro Fontana

Pedagoga e Especialista em Tecnologia Educacional pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Especialista em Mídias na Educação pela Universidade Federal de Pernambuco, especialista em Psicopedagogia Educacional pela Universidade Anhembi Morumbi e Mestranda no curso Comunicação Educacional e Mídias Digitais pela Universidade Aberta de Portugal em Lisboa. Docente do curso de Pedagogia no Instituto Brasileiro de Tecnologia Avançada (IBTA).

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aplicativos, dispositivos móveis, ensino superior, redes sociais, tecnologia