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Diário de Inovações

Professora leva alunos a praça pública para combater Leishmaniose

Professora Rosa Almeida incentivou alunos do ensino fundamental e médio de Conceição do Araguaia, do Pará, a desenvolverem atividades para combater o mosquito transmissor da doença

por Rosa Duarte Almeida 28 de setembro de 2016

Aqui em Conceição do Araguaia, no Pará, existem muitos casos de Leishmaniose, tanto em cães quanto em humanos. A doença é transmitida por um mosquito, então acho que a melhor forma de prevenir os casos é a conscientização da população. Se você não deixa o mosquito se reproduzir, dá pra combater a doença.

Sou formada em biologia, mas não me sentia tão capacitada assim quando precisava falar de um assunto como esse, que é mais voltado para a área da saúde. Então resolvi fazer um curso da Secretaria de Vigilância em Saúde chamado “Leishmaniose Visceral no Brasil: diagnóstico e tratamento”. Eu acredito que quando você vai transmitir conhecimento, é preciso estar a par do assunto. Participei da formação justamente para trabalhar melhor e ter mais conhecimento do assunto.

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Depois, resolvi desenvolver um projeto sobre o tema com os meus alunos, do ensino fundamental 2 até o terceiro ano do ensino médio. No fundamental, eu dou aulas de ciências, e no médio, de biologia. O primeiro passo foi comum a todos: expliquei sobre o projeto e sobre a doença. Em seguida, cada turma fez uma atividade que foi adaptada de acordo com o conteúdo programático daquele ano.

O sexto ano, por exemplo, desenhou cachorrinhos afetados pela doença. O primeiro ano do ensino médio fez uma maquete do ambiente onde o mosquito se desenvolve, mostrando que as pessoas não devem deixar acumular lixo, folhas ou fezes de animais como galinhas nos quintais. Já o terceiro ano do ensino médio fez a classificação do protozoário que causa a doença.

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Já o oitavo ano, que estuda o corpo humano, produziu cartazes mostrando os órgãos afetados. Quando eu estava explicando sobre a doença, eu levei a réplica de um tronco humano para a aula para mostrar esses órgãos e explicar os sintomas da doença. Com a Leishmaniose, o protozoário se aloja no baço e no fígado e a pessoa fica barriguda, porque esses órgãos ficam inchados.

Eu escolhi realizar esse projeto em atividades extraclasse. Nas escolas do Estado, os professores devem aplicar atividades e depois uma prova. Como uma forma de incentivar a participação dos alunos, a nota da prova correspondeu à realização das atividades do projeto. Na sala, eu explicava como deveriam fazer e eles elaboravam os materiais em casa.

Ao final das atividades, nós fizemos uma exposição. Escolhi fazer esse evento numa praça pública perto do centro da cidade, porque a nossa escola fica bem afastada, na periferia da cidade. Fazendo no centro, mais pessoas poderiam participar e conferir as produções dos alunos. As escolas que ficam próximas dessa praça receberam o convite para que seus alunos e professores visitassem nossa exposição.

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No dia, vários alunos visitaram nossa tenda. A Secretaria de Saúde enviou três funcionários para nos ajudar e tirar dúvidas dos visitantes.

Quando eu estava expondo conteúdo, uma aluna falou que teve a doença, quase morreu e mesmo depois de ficar quase um ano doente, ela não sabia que o protozoário era transmitido por um mosquito. Depois do projeto, eu percebi que os alunos ficaram mais atentos com a questão da prevenção da Leishmaniose.

 

*O relato da experiência foi compartilhado no Blog da professora Rosa Almeida.

Rosa Duarte Almeida

Professora de Ciências e Biologia da Rede Estadual de Ensino desde 1998, Graduada em Pedagogia (1997) e Ciências Naturais com Habilitação em Biologia (2003) pela UEPA-Universidade Estadual do Pará e Especialista em Biologia (2005) pela UFLA-Universidade Federal de Lavras-MG.

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ciências, ensino fundamental, ensino médio, uso do território