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Inovações em Educação

Projeto reúne direito e educação para empoderar jovens

Pé na Escola sensibiliza alunos para aprenderem mais sobre direitos humanos, deveres, leis e instituições políticas

por Marina Lopes, com colaboração de Caio Dib 14 de novembro de 2014

Nos corredores da Faculdade de Direito da USP, os colegas Bruno Bissoli, Mariana Vilella, Renata Ferraz e Vanessa Pinheiro descobriram uma paixão em comum. Motivados pelo interesse em entender melhor como funcionava o seu próprio processo de aprendizado, começaram e refletir sobre ideias, práticas e novos espaços educativos. E foi dessa união entre direito e educação que começou a surgir o projeto Pé na Escola, uma iniciativa que promove oficinas, rodas de estudos e produção de conteúdos sobre educação em direitos.

A ideia teve início em 2007, quando os amigos participaram do RELER, um projeto de extensão universitária. Na ocasião, o grupo colaborava em atividades de alfabetização de adultos, além de promover a discussão sobre políticas públicas com os funcionários da instituição. A atividade, no entanto, durou até o ano seguinte, quando passaram a tomar rumos diferentes. No ano passado, impulsionados pelos protestos de junho e o desejo de promover mudanças, os amigos decidiram se reencontrar e retomar as propostas de anos atrás. “As manifestações deram um impulso e mostraram que existia um espaço para transformação no Brasil”, contou a integrante Renata Ferraz, que atualmente faz mestrado na Faculdade de Educação da USP.

Motivados por esse desejo, decidiram pesquisar referências e pessoas que estavam pensando em novos modelos de educação. Inspirados pelo pensamento de Paulo Freire e outras iniciativas atuais, começaram a desenvolver o Pé na Escola, pensando em como poderiam conectar jovens com seus direitos e papéis na sociedade. “A gente acredita que a escola tem esse papel de formação integral. E [a discussão sobre] direitos humanos ganha essa importância”, explicou Mariana Vilella, que trabalha com advocacia do terceiro setor. A intenção é fazer com que os jovens se apropriem de questões fundamentais relacionadas a direitos, deveres, leis e instituições.

A gente acredita que a escola tem esse papel de formação integral

O projeto conta com um trabalho focado em turmas dos anos finais do ensino fundamental. Segundo a integrante Vanessa Pinheiro, que faz mestrado em políticas públicas na Espanha, essa fase representa um momento importante para começar a trabalhar questões de democracia, sociedade e direitos com os alunos. “Nesse período a criança está se tornando jovem e começa a perceber que o mundo vai além da família e dos amigos. É nessa idade que os questionamentos começam a surgir”, apontou.

Inicialmente, o projeto já promoveu uma experiência piloto na escola municipal de educação fundamental Desembargador Amorim Lima, na zona oeste de São Paulo. Tomando como gancho o tema “direitos humanos dos povos originários”, que está sendo trabalhado de forma transversal no colégio, a equipe do Pé na Escola desenvolveu uma série de oficinas com os alunos. “A partir desse eixo, a gente pensou em uma estrutura que fizesse sentido para eles”, explicou Renata.

imagem2Reprodução

 

Duas vezes por semana, a equipe realizava atividades com uma hora e meia de duração. As oficinas foram divididas em cinco ciclos: 1) discussão sobre as questões dos povos indígenas no Brasil; 2) conceito de poder judiciário; 3) o poder legislativo e a participação popular; 4) o papel do legislativo; 5) síntese dos conceitos e a estrutura do Estado. Todas as etapas apresentavam atividades dinâmicas e lúdicas, como a simulação de uma audiência pública ou a divisão dos alunos em grupos de advogados e promotores.

Eu acho que o principal é você empoderar esses jovens com conceitos básicos para eles entenderem melhor a sociedade e participarem dela com mais consciência

“Eu acho que o principal é você empoderar esses jovens com conceitos básicos para eles entenderem melhor a sociedade e participarem dela com mais consciência”, defendeu Vanessa. Segundo ela, o estudante tem o desejo de saber mais sobre o que está acontecendo ao seu redor, porém, ele busca reinventar a política. “O erro dos adultos ao falar de política para os adolescentes é querer falar de uma coisa que já está pronta”, completou Renata. Para o grupo, quando você traz o tema para a realidade do aluno, o interesse se torna algo mais natural.

“Cada vez a gente percebe mais que o nosso foco é educação em diretos humanos, mas de uma forma atual e que faça sentido hoje”, pontuou Renata. Para 2015, o grupo pretende expandir o projeto e fazer um curso de um ano letivo sobre educação e direitos humanos. A ideia é que a atividade possa reunir alunos de diversos colégios. “A gente pretende usar essa escola de cidadania para aprofundar as oficinas e possibilitar que ela seja feita em um espaço de diversidade”, afirmou Mariana.

Confira o vídeo que mostra a experiência realizada no Amorim Lima:

  • Luiz C S Ferraz

    Iniciativas como essa fazem toda a diferença para o desenvolvimento das pessoas e da sociedade.
    O vídeo deixa claro que o os objetivos do projeto foram alcançados e é um exemplo marcante de uma ação “ganha x ganha” para todos os envolvidos: Alunos, Professores, Escola e Equipe do Pé na Escola.
    Parabéns a todos!
    Luiz C S Ferraz

  • Elza Baarros

    Direito Humanos realmente deve ser ensinado nas escolas desde a mais tenra idade das crianças e jovens em fase escolar.Conscientizar as futuras gerações sobre a importância crítica dos Direitos Humanos só tornarão os futuros cidadãos mais humanos,tolerantes,conscientes e civilizados de que todos somos iguais em direitos e deveres perante nossa consciência,ética,moral e respeito à cidadania de todos seres humanos.Elza Barros,Ph.D

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  • Marta Souza

    Durante meus anos de graduação na Universidade Federal do Rio Grande participei de projetos de pesquisa e também extensão que abordavam temáticas relacionadas às questões de gênero e o empoderamento feminino. Porém, há algum tempo venho pensando na importância do empoderamento de crianças e jovens para “construção” de verdadeiros cidadãos, conscientes da sua importância na sociedade.
    Estou muito feliz em saber que existem projetos que colocam em prática essas ideias.
    Parabéns pela iniciativa!!!