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Inovações em Educação

Qual seu sonho de Educação 3.0?

Professor da Universidade de NY, Jim Lengel, narra a evolução do mercado de trabalho e das salas de aula nos últimos séculos

por Jim Lengel 6 de novembro de 2012

Para entender a educação de hoje, nós precisamos olhar para o passado. Há 150 anos, pessoas trabalhavam na terra, ao ar livre, com ferramentas produzidas manualmente e em pequenos grupos. Elas não viajavam muito. O trabalho quase não mudava de geração para geração. As filhas faziam o mesmo trabalho de suas mães e de suas avós, assim como as mulheres antes delas. Com as mesmas ferramentas. Elas conversavam enquanto trabalhavam. O mesmo valia para os filhos, pais e avôs. Grupos de trabalho incluíam jovens e velhos. A tecnologia para o trabalho mudava lentamente. Quando as ferramentas quebravam, as pessoas podiam consertá-las. Podemos chamar isso de Ambiente de Trabalho 1.0.

Veja aqui infográfico que o Porvir produziu a partir do trabalho de Lengel

Agora, vamos olhar para as escolas daquela época. Os estudantes aprendiam na terra, ao ar livre, em pequenos grupos. Eles não viajavam muito. Usavam simples ferramentas produzidas manualmente. O trabalho em grupo incluía jovens e velhos. Pais e avós frequentavam a mesma escola e aprendiam as mesmas coisas. Nós podemos chamar isso de Educação 1.0.

Educação e trabalho se correspondiam. A escola produzia os tipos de cidadãos necessários para o mundo ao seu redor. Alguém que pudesse trabalhar em um pequeno grupo, com ferramentas manuais, executando uma variedade de tarefas a cada dia, com uma visão clara do mundo exterior, e um pequeno círculo de conexões.

Quinze anos depois, o trabalho mudou. As pessoas foram trabalhar em fábricas, com ferramentas mecânicas. Elas trabalhavam em grandes grupos, mas sozinhas em suas máquinas. Todos faziam a mesma coisa e ao mesmo tempo, durante todo o dia. A eles não era permitido a conversar. Usavam papel e lápis e ficavam sentados em suas mesas. Eles não eram felizes e eram supervisionados de perto. Vamos chamar isso de Ambiente de Trabalho 2.0. Esse novo trabalho exigia um novo conjunto de habilidades e um novo tipo de cidadão.

E então as escolas mudaram para acompanhar as necessidades da nova economia industrial. Estudantes se formavam em grandes grupos, com a mesma idade. Eles ficavam em lugares fechados e trabalhavam de acordo com o relógio. Usavam ferramentas mecânicas, lápis e papel. Todos faziam a mesma coisa e ao mesmo tempo e eram supervisionados de perto. Vamos chamar isso de Educação 2.0.

Novamente, a educação correspondia ao trabalho. Em ambos os ambientes, as pessoas trabalhavam sozinhas, mas em grandes grupos. Elas usavam ferramentas mecânicas, faziam a mesma coisa durante todo o dia e tinham uma pequena conexão com o mundo exterior.

A educação não evoluiu para acompanhar as necessidades do mundo ao seu redor. Os empregos de hoje em dia demandam pessoas que possam trabalhar em pequenos grupos para resolverem problemas, utilizando ferramentas digitais, preparados para realizar muitas tarefas diferentes durante o dia, sem uma supervisão próxima e com um vasto círculo de conexões.

Agora, vamos olhar para o trabalho de hoje, no ambiente 3.0, muito diferente das fábricas. A maioria das pessoas, atualmente, trabalha em pequenos grupos. Elas resolvem problemas juntas. Usam ferramentas digitais. Elas apresentam novas ideias umas para as outras. Robôs fazem trabalhos mecânicos. Elas trabalham com problemas que ninguém tinha visto antes. Elas devem recorrer à química, matemática, biologia, história e literatura para solucionar problemas. Elas devem reunir informações de várias fontes, a maior parte por meio de redes sociais, que chegam em formatos muito diferentes. Elas devem ser multitarefas. Elas conversam umas com as outras. E usam ferramentas digitais para comunicação. Trabalham com um amplo círculo de pessoas, de todo o mundo. Vamos chamar isso de Ambiente de Trabalho 3.0.

Agora, vamos levar a nossa câmera para dentro das escolas de hoje em dia para ver se a educação mudou para encontrar a nova economia. O que nós vemos? Estudantes em grandes grupos, utilizando papel e lápis como ferramentas. Todos eles fazendo a mesma coisa e ao mesmo tempo. Eles aproveitam as poucas conexões com o mundo exterior. E são supervisionados de perto. Eles fazem as mesmas coisas durante todo o dia. Não conversam entre si. Não são felizes. O que está errado?

A educação não evoluiu para acompanhar as necessidades do mundo ao seu redor. Os empregos de hoje em dia demandam pessoas que possam trabalhar em pequenos grupos para resolverem problemas, utilizando ferramentas digitais, preparados para realizar muitas tarefas diferentes durante o dia, sem uma supervisão próxima e com um vasto círculo de conexões. As escolas não estão fazendo isso. Elas não inventaram a Educação 3.0. Ainda estão fazendo a Educação 2.0.

A questão de hoje para nós é: “Como deve ser a Educação 3.0 para desenvolvermos crianças e cidadãos que necessitamos formar para hoje e para amanhã?”. Qual é o seu sonho de Educação 3.0?

*Jim G. Lengel ministrará a Palestra Magna: Educação 3.0 – quais os novos desafios para a gestão?, que acontecerá durante o GEduc 2013 – XI Congresso Brasileiro de Gestão Educacional & III Congresso Internacional de Gestão Educacional. O congresso será realizado nos dias 20, 21 e 22 de março de 2013, no Hotel Maksoud Plaza, em São Paulo/SP.

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carreira

  • Rosangela

    Dispensa comentários………demais.

  • Me interessei pela palestra.Como participar?Abraços e parabéns pelo tema escolhido.Acredito que poucas escolas hoje trabalhem dentro dessa perspectiva atual.Poucos tem acesso.

  • Patricia Latessa

    O ambiente de trabalho evoluiu e a educação não, estamos mesmo atrasados mas um dia conseguiremos chegar na educação 3.0.

    • Patricia,
      A educação está evoluindo a pequenos passos, por isso a importância de um evento específico sobre este tema para debatermos com gestores de todo o Brasil e melhorarmos a Educação Brasileira!

  • Acredito em um ambiente de educação tomado pelos recursos de compatilhamento de informações e ideias, recursos já existentes e assiduamente utilizados de maneira banal, onde a ferramentas que hoje em dia são abominadas pelo sistema educacional (smartfones e gadgets em geral) sejam usados como ferramentas e de captação, compartilhamento e discussão sobre assuntos que formem um cidadão.

  • A genialidade e forma como foi escrito esse artigo, foi impressionante, a educação & trabalho não estão em sintonia, talvez essa dialógica tente explicar/argumentar o que ainda não está bom, e que de fato necessita ser melhorado em nosso país.
    A crise acerca da problemática da educação vem ocorrendo nas ultimas três décadas, em outros países também há problemas, pois houve avanços com a tecnologia na educação, mas ainda é complexa a ideia da educação & tecnologia com bons níveis no ensino-aprendizagem, porque, por exemplo, ainda temos um significativo índice de analfabetos em nosso país.
    Essa palestra será também através de Videoconferência? Ou poderá ocorrer em Porto Alegre?

    • Bom dia Adriana!
      Esta palestra ocorrerá ao vivo com perguntas e debate sobre este tema. Será uma troca de conhecimento esta palestra e você poderá conversar com outros gestores sobre a ideia da educação & tecnologia.O GEduc acontecerá em São Paulo e para obter mais informações sobre o evento, acesse: http://www.humus.com.br/geduc ou entre em contato com a nossa Central de Atendimento: (011) 5535-1397 / humus@humus.com.br.

  • Elaine

    Meu sonho é poder ter orgulho da educção no Brasi, onde todos tem a mesma oportunidade de estudar em escolas bem equipadas , organizadas , com instalações modernas e seguras .Onde o professor tenha voz e vez e posso realizar um trabalho de excelêncai pois é valotizado e bem remunerado.
    Isso um dia será realidade mesmo que eu não esteja mais aqui para compartilhar desse momento.

    • Elaine,
      Com certeza este é um desejo de todos os profissionais. Vamos torcer e trabalhar para este sonho se realizar!

  • Maria gorete o reis

    Sabemos das dificuldades da Educação em nosso país, vai além da era digital.
    Mas muitas Escolas já se utilizam da modernidade do computador e internet.
    O que importa de fato é a Educação em si. Hoje ouvi de uma Educadora que observando alunos do ensino fundamental em sala de aula pode-se medir interesse de apenas 10% dos alunos pelo conteúdo do aprendizado . Isso é preocupante.
    Com a facilidade de obter tantas informações geradas pelo acesso fácil a internet, observa-se um diminuição de interesse das crianças e jovens pelo aprendizado na Escola.
    O que devemos estar atentos é pela socialização necessária do individuo e a Escola nos concede isso.

  • Eduardo Fernandes

    Concordo em parte com seu artigo. Creio que as escolas atuais estão sim preparando os alunos para o mundo (depende da escola). E não é certo dizer que os alunos não conversam e não são felizes, eles conversam sim, são felizes sim. Na sociedade atual, temos escolas com ambientes digitais e tecnologias na própria sala de aula. Porém, acredito que não devemos desfamiliarizar os alunos do lápis e papel, pois eles ainda são úteis. O mercado de trabalho busca pessoas multifuncionais. Estar adaptado às novas tecnologias é um ponto a mais, mas isso não significa que devemos perder velhos e úteis métodos! A educação 3.0 consiste em nada mais que a percepção do poder público e da sociedade de que a Educação é privilégio em uma nação e que deve ser tratada com mais atenção, receber mais recursos e ter melhor infraestrutura; ainda precisamos incentivar as pessoas a ensinar!

    • Acredito que assim como a geração 60/70 precisou aprender a lidar com as ferramentas digitais, é necessário capacitar os profissionais da educação a usar estas ferramentas no processo de educar para o mundo. Não se pode ensinar o que não se conhece.
      E, a “classe” ainda discute melhores salários que é a base da valorização do profissional…

  • Vale à pena pensar em todas as demandas e seus profissionais, se existe inclusive um reconhecimento do que é o público estudantil hoje em múltiplas facetas, inclusive com a inversão de valores e o materialismo, se misturando às questões de competência.

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