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Crédito: ink drop/Fotolia.com

Inovações em Educação

Rede social educativa francesa conecta turmas e escolas

Sob controle do professor ou do gestor, plataforma da OpenDigital facilita a aprendizagem colaborativa

por Vinícius de Oliveira 23 de janeiro de 2018

Cada sala de aula pode criar sua própria rede social, que pode estar dentro de uma outra da escola ou da rede pública de ensino. Com a proposta de integrar atividades e ferramentas em um ambiente digital, a empresa francesa OpenDigital criou uma plataforma aberta a todos os integrantes da comunidade escolar, desde alunos, professores, familiares, gestores aos demais funcionários da escola.

Presente em mais de 15 países, a plataforma adota o nome de ONE, no ensino fundamental, e NEO, quando o usuário já está no ensino médio. A cara do site pode até mudar nos anos finais da vida escolar, mas em todos os casos ele pode ser acessado tanto por dispositivos móveis quanto pelo computador. Entre seus recursos, estão caderno digital, wiki, calendário, criador de mapa mental, espaço para troca de mensagens e fórum, algo que já está amplamente presentes em outras plataformas, porém seus criadores apostam na flexibilidade e controle por parte do professor e do gestor escolar para engajar alunos e controlar a privacidade. Assim como acontece na brasileira Escola Digital, que assume um nome diferente em cada secretaria de ensino, redes escolares podem personalizar a plataforma e colocar suas próprias cores e logomarca mantendo a base de programação original.

Em conversa com o Porvir durante visita a São Paulo, os representantes da empresa demonstraram particular interesse pelo setor público, por mais que os processos de compra sejam mais complicados. “Na França, 80% da nossa atuação acontece em escolas públicas”, diz o presidente-executivo Anaud Albou. “Não somos obrigados a trabalhar somente com esse setor, que demora mais para se desenvolver e demanda tempo para negociar, mas é ele que permite criar valor à rede social, seja dentro da sala de aula, da escola ou entre escolas de uma cidade”.

Opendigital2_bCrédito: Reprodução

Somente na rede de Paris, que possui cerca de 700 instituições de ensino, 100 mil usuários acessam a rede social pedagógica. De acordo com Olivier Vigneau, sócio de Albou, a escolha pela rede social se deveu à facilidade de uso. “A prefeitura queria ter uma ferramenta que não fosse usada somente por 10 a 20% dos professores que são geeks e já tem muito contato com a tecnologia. Hoje ela é usada por 100% dos professores de Paris”, diz.

Aprendizagem colaborativa

A rede social segue uma lógica parecida com o Facebook, porém quem determina o que o aluno pode fazer são professores e gestores, que podem incluir uma turma equivalente de outra escola para desenvolver projetos em conjunto no caderno digital, por exemplo. “Nós temos uma escola de Toulouse que trabalha regularmente com outra de Nantes (a 460 km de distância) porque professores compartilham atividades, o que permite aos estudantes conhecerem outros ambientes e o que se passa em outra cidade”, diz Albou. Segundo ele, qualquer educador pode começar com tarefas simples, no nível de sua sala de aula e, pouco a pouco, abrir o projeto para as demais turmas e escolas.

No caso da produção de blogs, o avanço da tecnologia de publicação facilitou bastante o processo de escrita, porém a moderação e acompanhamento do processo ainda demandam muito tempo do professor. Dentro da plataforma francesa, o educador pode dar autonomia para que um determinado aluno administre o projeto enquanto os demais sejam responsáveis pela produção do conteúdo. Paralelamente ao desenvolvimento do projeto, pais podem receber notificações no celular ou tablet com as contribuições e o progresso de seus filhos.

Opendigital_interfaceCrédito: Reprodução

 

Modelo de negócio  

Assim como acontece no Brasil, na França os educadores estão constantemente conectados à internet e isso ajuda a explicar um pouco como se dá a estratégia de negócio da OpenDigital para a plataforma. Um professor pode criar gratuitamente uma rede social para sua turma, mas o serviço começa a ser tarifado à medida que se deseja conectar diferentes turmas e diferentes professores dentro de uma mesma escola. A assinatura é baseada em um custo anual por ano por aluno e, no caso de Paris, que leva 100 mil usuários à plataforma, esse custo é de 3 euros (R$ 12).

Por serem construídas com dados abertos, tanto a ONE quanto a NEO permitem que a escola conecte outros aplicativos que já possui.

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aplicativos, aprendizagem baseada em projetos, aprendizagem colaborativa, autonomia, dispositivos móveis, educação online, empreendedorismo, engajamento familiar, recursos educacionais abertos, tecnologia