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Inovações em Educação

Site à la Show do Milhão premia bons em cultura geral

Qranio quer aproveitar tempo ocioso de internautas em game onde acertos valem livros, sapatos e até smartphones

por Vagner de Alencar 14 de janeiro de 2013

Entusiasta da tecnologia desde os 11 anos, o administrador mineiro Samir Iásbek, 31, decidiu se desligar de sua fábrica de software para se dedicar a um sonho antigo: criar uma startup de jogos educativos. Há pouco mais de um ano, a ideia ganhou forma e acabou virando o Qrânio, empresa especializada na criação de games educativos. O primeiro deles, homônimo, é um jogo de perguntas e respostas de conhecimentos gerais, uma espécie de Show do Milhão da internet. Diferentemente do programa, o usuário pode escolher uma categoria específica e converter as moedas virtuais, chamadas de Qi$, em prêmios reais.

“O game é realmente uma forma mais empolgante de aprendizado para o jovem”, afirma Iásbek, que contará a experiência de sua startup no próximo dia 31 de janeiro, na Campus Party 2013, um dos principais eventos voltados à inovação tecnológica, internet e entretenimento eletrônico do mundo, que acontece de 28 de janeiro a 3 de fevereiro, no Parque do Anhembi Parque, em São Paulo.

Vencedora de uma competição que reuniu 218 outras startups, na última edição da Campus Party, neste ano, o Qrânio, que é acelerado pela Wyra, da Telefônica, volta ao evento não como competidora, mas como palestrante. Com pouco mais de um ano de projeto, 56 mil usuários, mais de 3 milhões de questões respondidas e meta de atingir 1 milhão de internautas até o fim de 2013, Iásbek participa de um debate que vai abordar a educação empreendedora.  “Vou demonstrar que é possível aprender conteúdos para além do currículo escolar obrigatório. Não sou contra o estudo, mas contra o mecanismo atual de ensino”, diz.  Na mesa também estarão outros fundadores de startups educativas, como Claudio Sassaki, fundador da Geekie, e de Camila Haddad, do Cinese.me, que vão dar dicas de com as startups estão criando novos instrumentos para que as escolas possam revolucionar a forma de ensinar e aprender.

No ar desde o fim de 2011, o game está disponível para iPhone, Android e Facebook. Nas próximas semanas, o jogo também poderá ser acessado via sms e, em breve, contará com recursos interativos, no qual uma pessoa poderá competir com outras.  No jogo, os internautas podem escolher a categoria que mais lhe interessarem (automobilismo, cinema, curiosidades, concurso, geografia, história, jornalismo, literatura, entre outras).

A ideia é que Qranio também sirva para ser jogado no dia a dia, na espera de uma consulta médica ou no metrô. Assim, em troca de boas respostas, o jogador acumula os Qi$ que serão trocados por prêmios reais.

Ao escolher a categoria esporte, por exemplo, pode se deparar com a pergunta “O sandboard é um esporte radical que surgiu no Brasil na década de 1980 como alternativa para os surfistas quando o mar estava calmo. E em qual cenário é praticado?”. Pelo acerto, caso responda “dunas de areia”, o usúario acumula 10 pontos. “O app não é para um nicho: ENEM, prova da OAB; pelo contrário, para a massa”, diz Iásbek, que criou a startup em parceria com com os amigos Flávio Augusto e Gian Menezes.

De acordo com ele, a ideia é que Qranio também sirva para ser jogado no dia a dia, na espera de uma consulta médica ou no metrô. Assim, em troca de boas respostas, o jogador acumula os Qi$ que serão trocados por prêmios reais. Quanto mais difíceis as perguntas, mais elas valem. O jogo é gratuito, mas existe um acesso premium (onde é mais fácil acumular um maior volume de moedas) por R$5,90 mensais. Os Qi$ são trocados no Shopping de Prêmios onde estão disponíveis smartphones de última geração, bolsas em cursos de inglês, livros e até mesmo descontos em rodízios em restaurantes e em festas de formatura. Os prêmios são viabilizados por meio de parcerias com empresas, elas dão os produtos em troca da visibilidade deles na plataforma.

Para Iásbek, a proposta da startup se confunde com sua própria história acadêmica. Nascido no interior de Minas Gerais, na cidade de  Bicas – a 300 km de Belo Horizonte –, ele diz sempre ter sido contra às metodologias de ensino por não entender a utilidade de muitas disciplinas e a carga obrigatória de estudo. “Achava estudar a coisa mais chata do mundo. Era aula disso, daquilo. Mas sempre adorei aprender. Queria construir o carrinho de mão mais veloz ou como a pipa que voasse mais alto”, afirma.

Durante a faculdade conta que era chamado de autista. Sentava-se na primeira cadeira, mas não copiava os conteúdos, já que sua forma de aprendizado era auditiva e visual. “Pegava o caderno da colega, totalmente completo. Se eu copiasse a matéria, não aprenderia. Já para ela, copiar o conteúdo era algo que considerava ser inteligente; para mim, não. As pessoas não aprendem da mesma forma. Elas são diferentes.”

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