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Inovações em Educação

Tecnologia e fono se unem para melhorar fala

Sistemas on-line e apps para iPad e smartphone estimulam crianças a praticar exercícios na escola e em casa

por Patrícia Gomes 31 de outubro de 2012

Bem antes de aprender a escrever, ali, na hora que está formando as primeiras palavras, é que a criança começa a desenvolver suas habilidades linguísticas. A estruturação desse complexo sistema é tão importante que um probleminha de fala que passe despercebido nessa fase pode trazer sérias dificuldades na escola no futuro. Para ajudar a prevenir e corrigir essas disfunções, que podem ser mais ou menos simples, profissionais da fonoaudiologia se aliaram à tecnologia para desenvolver programas e aplicativos que tornam as terapias mais lúdicas e acessíveis.

A Smarty Ears, empresa da brasileira Bárbara Fernandes que está no mercado norte-americano de apps para fonoaudiologia há três anos, acaba de lançar versões em português voltadas para tablets e smartphones. Entre os aplicativos disponíveis, há opções que trabalham o desenvolvimento da linguagem, a articulação e a gagueira. Cada um deles tem suas atividades específicas, mas, em comum, têm o fato de misturarem os diferentes sentidos, com estímulos visuais, auditivos e táteis, facilitando o aprendizado da criança.

crédito pio3 / Fotolia.com

O Aprendendo Adjetivos, por exemplo, ajuda os alunos a aumentarem seu vocabulário, fortalecendo a gama de opções de seu sistema linguístico. Nele, as crianças precisam diferenciar palavras contrárias – como vazio e cheio, animado e entediado, velho e jovem – e pronunciá-las. Os pais e fonoaudiólogos podem acompanhar o progresso da criança e o tempo que ela passa na plataforma. Bárbara conta que a procura por esse app foi tão grande, inclusive por pais de crianças sem nenhum tipo de dificuldade, que uma semana após o lançamento ele passou a estar entre os dez apps educativos mais vendidos do iTunes em um universo de 3.000 produtos. Hoje, ela tem cinco entre os 200 mais vendidos.

Para Bárbara, parte desse sucesso pode ser explicado pelas vantagens dos próprios dispositivos móveis. Uma delas é que os exercícios não ficam presos aos momentos com o especialista. Assim, os pais podem participar com mais frequência das atividades, o que aumenta as chances de elas trazerem resultados positivos rapidamente – e tudo isso a um preço relativamente baixo: cada app custa R$ 19,99. “Com o iPad, o pai pode levar a terapia para casa. Ele não precisa mais ficar preso às sessões semanais de fonoaudiologia, que duram só uma hora”, diz Bárbara.

“No Brasil, a tecnologia na fonoaudiologia ainda é muito incipiente”, diz Pinheiro

Apesar do interesse crescente no país, Bárbara diz que há poucas iniciativas como a sua. “No Brasil, a tecnologia na fonoaudiologia ainda é muito incipiente”, concorda Fábio Henrique Pinheiro, fonoaudiólogo ligado à Unesp que está desenvolvendo, para seu doutorado, um sistema on-line e gratuito para ajudar crianças com problemas de aprendizagem a minimizarem suas dificuldades.

“A maioria das escolas até têm sala de informática, mas são subutilizadas. As atividades ainda são descontextualizadas”, diz. Com seu programa, acredita, esses espaços poderiam ser usados de forma mais produtiva. A plataforma ainda não está disponível, mas também se apoia nas funcionalidades de som, imagem e movimento dos computadores para potencializar as terapias tradicionais. “Ela pode ser usada em um trabalho casado com escola, família e profissionais de saúde”, diz ele.

Além do programa, Pinheiro está ajudando a adaptar para o Brasil o programa Profiler, desenvolvido pela Universidade de Wales, Newport, no Reino Unido. A ideia é que a plataforma, que está sendo usada em vários países do mundo, seja mais uma ferramenta para ajudar os fonoaudiólogos e outros profissionais relacionados a mensurar e identificar o tipo de dificuldade que o aluno tem.

Pinheiro e Bárbara apresentam seus estudos entre hoje e 3 novembro no XX Congresso Brasileiro de Fonoaudiologia.

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aplicativos, inclusão

  • Priscila Gama

    Boa noite,
    Boa Noite,

    Parabéns pela matéria! Utilizo o Tablet iPad com minhas duas filhas (de 2 e 5 anos) como complemento de entretenimento e brincadeira. Sou Fonoaudióloga em São Paulo e através desta interação com minhas filhas pude verificar o desenvolvimento de cada uma delas dentro de sua faixa etária com alguns aplicativos. Em parceria com minha colega de trabalho também fonoaudióloga, utilizamos estes aplicativos com nossos pacientes com Deficiência Intelectual e tivemos resultados positivos e expressivos em curto espaço de tempo, tendo só a enaltecer essa nova tecnologia que vem nos ajudando muito na habilitação e reabilitação dessas crianças. Mesmo bem pequenos (menores de 3 anos) verificamos que a resposta foi surpreendente, pois um dos aspectos observados foi em relação à atenção e sua manutenção, pois é sabido que as crianças com deficiência intelectual dispersam-se com facilidade, dificultando assim, o processo de memorização e de aprendizagem. Destacamos que em cada fase o incentivo dos pais, educadores ou terapeutas deve ser estimulado, uma vez que a motivação para aprender está nas reações e comportamentos das pessoas ao redor, neste caso as reações frente à observação do progresso, encorajando e estimulando o entusiasmo das crianças.
    Existem centenas de aplicativos que estimulam o desenvolvimento cognitivo de crianças, sendo elas com ou sem deficiência, nos quais estão implícitos a aquisição da fala e linguagem, a percepção auditiva e visual, atenção, concentração, categorização, memória, discriminação auditiva, formação de conceitos básicos, planejamento, pensamento, criatividade, além de promover uma experiência lúdica diferente e inovadora. Diante de nossa experiência podemos ressaltar que independente do objeto com que se brinca o mais importante é a interação e a troca entre o adulto e a criança, que proporciona uma relação mais próxima e afetiva, lembrando que o afeto é uma questão importante no processo de ensino aprendizagem e no caso dos pais na relação com os filhos. Gostaríamos também de colocar à disposição os links do nosso trabalho sobre o assunto que foi divulgado no site do Movimento Down: http://www.movimentodown.org.br/conteudo/aplicativos-para-tablets-s%C3%A3o-utilizados-para-estimula%C3%A7%C3%A3o-de-pessoas-com-s%C3%ADndrome-de-down, do Conselho Regional de Fonoaudiologia: http://www.fonosp.org.br/noticias/clipping/aplicativos-para-tablet-sao-utilizados-para-estimulacao-de- pessoas-com-sindrome-de-down/, além do trabalho que foi citado na revista Veja São Paulo edição 2291 pg 08, também disponível no site http://vejasp.abril.com.br/materia/cartas-da-edicao) .

    Atenciosamente,
    Priscila Gama Martins
    Rua Itá, 171 casa 08 – Horto Florestal – São Paulo -SP CEP: 02636-030
    RG: 25.574.702-0 CRFa 16.007 Tel: 11- 38728403/ 11- 992573617

    • por Patrícia Gomes

      Obrigada, Priscila, por compartilhar suas experiências!

  • Adriana Aquino

    Olá, Gostei muito da matéria!
    Sou fonoaudióloga, e tenho utilizado o tablete como recurso terapêutico no atendimento de crianças com deficiência intelectual, atraso no desenvolvimento e síndromes diversas, e tenho comprovado na prática o quanto tem beneficiado essas crianças.
    Escrevi junto com minha colega um artigo relatando nossa experiência. Pois é difícil encontrar trabalhos nessa área. Gostaria de aprofundar mais o conhecimento nessa área.
    Estou à disposição…
    Muito obrigada
    Um abraço
    Adriana

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