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Como Inovar

Tecnologia vai revolucionar as avaliações, diz estudo

Artigo publicado pelo grupo editorial Pearson fala em "renascimento" proporcionado por novas ferramentas online

por Vinícius de Oliveira 16 de janeiro de 2015

As demandas vitais do século 21 vão muito além do que conseguem medir as avaliações padronizadas. Especialistas buscam superar a aferição de habilidades técnicas e conhecimento para abrir espaço a uma série de outras características, como mostrou o especial sobre competências socioemocionais lançado pelo Porvir.

Um recente estudo publicado pelo grupo editorial britânico Pearson chamado “Preparing for a renaissance in assessment” (“Preparação para um renascimento em avaliações”), direcionado a líderes educacionais, vai ao encontro do material publicado recentemente por este site e vê dois fatores como primordiais para induzir novos processos de avaliação: o primeiro é resultado da força da globalização e das tecnologias digitais, enquanto o último é inerente à percepção de que o paradigma atual já não funciona como deveria, pois até mesmo os melhores sistemas atingiram um limite de crescimento.

Elaborado pelos consultores Michael Barber, pesquisador de sistemas e reformas educacionais com passagem pelo governo britânico, e Peter Hill, que ocupou cargos de destaque no setor na Austrália, em Hong Kong e nos Estados Unidos, o texto mostra como a educação está diante de um ponto de inflexão. “Nós consideramos ensino/aprendizagem, currículo e avaliação como os três principais elementos de um processo educacional de sucesso. Nos últimos 20 anos, a avaliação foi um fator de atraso e, agora, vemos que ela pode ultrapassar os outros elementos e, por isso, atribuímos o termo renascimento”, disse Barber. Como a sociedade está profundamente ligada aos testes tradicionais, segundo ele, o principal desafio é promover reformas sem perder o rigor e o elo com exames que servem como parâmetros internacionais.

É neste cenário que entra em jogo a tecnologia, como por exemplo nos testes adaptativos, que permitem maior precisão e execução em menor tempo. Os dados vão dar ao professor maior entendimento sobre o que acontece com a classe e com cada aluno em tempo real, com a chance de diminuir ou aumentar o alcance do conteúdo estabelecido no currículo. “Agora podemos acompanhar o desenvolvimento de uma classe durante cinco anos da vida escolar. É uma variedade muito maior do que a atingida por um teste isolado”, diz Hill.

O que era um sonho há seis anos agora é uma realidade

Todo esse conjunto de mudanças aliado a mais tempo e recursos, segundo os autores do documento, vai melhorar também a dinâmica do professor, que ficará livre dos trabalhos repetitivos e poderá dar atenção aos detalhes de cada aula e respeitar o ritmo dos alunos. “Isso vai criar uma revolução no aprendizado. O que era um sonho há seis anos agora é uma realidade”, sentencia Hill. Um outro impacto poderá ser visto nas reuniões pedagógicas, que antes se baseavam em hipóteses e agora podem servir para um trabalho colaborativo para motivar cada estudante.

As novas plataformas de ensino também podem dar origem a uma nova geração de avaliações capazes de chegar a um aprendizado profundo e a uma variedade de competências inter e intrapessoais, como trabalho em equipe e a capacidade de comunicação oral, além dos traços de personalidade. Mais rápido, mais preciso, mas e a velha “cola” e o risco de plágio? No lugar de testes cumulativos, é possível realizar apenas aqueles com propósito específico (com possibilidade de repetição) e proporcionar relatórios que incentivam o crescimento sem a ideia de sucesso ou fracasso.

Responsável por reformas em Hong Kong e na Austrália, Hill relata que boas avaliações sempre levam em conta a validade e a confiabilidade. “Validade garante que o que se está medindo diz respeito ao planejado, enquanto a confiabilidade permite os mesmos resultados caso a avaliação seja repetida”. Se não tiver essas características, a avaliação não pode ser usada, segundo o consultor, que coloca a capacidade de realização com os recursos existentes como mais uma característica a ser considerada independentemente do conteúdo e dos exercícios da avaliação.

Para alcançar o “renascimento”, diz o artigo, é importante olhar além da educação, porque muitas vezes a inovação acontece em áreas de pouco ou nenhum contato com o ensino, como é o caso dos jogos de videogame. Entretanto, os autores também ressaltam que, para que o benefício seja notado por todo o sistema, é necessária a ação de governos, uma vez que a infraestrutura tecnológica não pode ficar a cargo de uma única escola.

Para ajudar gestores e educadores a se prepararem para esse “renascimento das avaliações”, Barber e Hill apresentam recomendações para evitar erros comuns. Muitas escolas, dizem os especialistas, tiveram problemas ao adotar sistemas incipientes que não foram devidamente testados e se viram frustradas com os resultados. Veja a lista a seguir:

  1. Pensar no longo prazo – não sabemos quando o renascimento chegará, mas precisamos estar preparados ao investir em capacidade para que se torne uma realidade
  2. Estabelecer parcerias – precisamos estabelecer parceiras entre professores, governos e todos que trabalham com educação e tecnologia
  3. Criar infraestrututra – investir na alta qualidade educacional de todos os níveis, inclusive no profissional, é crucial
  4. Melhorar a formação de docentes – investir na capacitação de professores para tecnologia e avaliações sofisticadas
  5. Permitir diferentes níveis de implementação – encorajar escolas e professores a inovar com um modelo a partir de exemplos bem-sucedidos
  6. Adotar uma metodologia de resultados – faça dele uma prioridade, planeje, garanta verificações constantes com todos os principais envolvidos e deixe bem claro quem é responsável
  7. Comunicação constante – deve envolver governo e líderes educacionais que estão trabalhando juntos e também escolas e pais
  8. Coloque em prática uma metodologia de mudança – nosso ponto de partida precisa ser o conhecimento sobre o que é necessário para obter sucesso e mudar o sistema incluindo uma visão compartilhada e de aprendizado

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avaliação, competências para o século 21, pearson, socioemocionais, tecnologia

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  • Ezio Pureza De Oliveira [APros213]

    É dessa forma que vejo a educação de hoje. Chegamos a um ponto em que é impossível se falar em educação sem relacioná-la a tecnologia.
    Em primeiro lugar temos de frente uma geração de tecnólogos, estamos diante de alunos tecnologicamente inquietos e, é gritante seus apelos as modificações metodológicas dentro da aprendizagem. Eu pergunto: porque só o professor não consegue entender esse apelo? Porque não avaliamos mais nossas entidades promotoras da aprendizagem a fim de redirecionar nossos métodos na formação de profissionais ligados a educação e conscientizá-los de que o tradicional ficou, e temos pela frente um desafio muito maior que é: como colocar em pratica tecnologias dentro da sala de aula? Que tecnologias seria a ideal e mais acessível a nossa escola e ao nosso aluno? Poderíamos utilizar mais o dialogo, provocar a curiosidade, desenvolver narrativas e desafios, trazer para dentro da sala de aula o prazer de estar.(Prof. Ezio Pureza de Oliveira)

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  • FLÁVIO PEREIRA

    Tenho 47 anos, e e estou cursando o 2º semestre em pedagogia, sei que precisamos aprender novos metodos de ensino e avaliaçoes, mais como costumo dizer!como aprender se nao a quem ensine.
    Poderemos usufruir da mais alta tecnologia se nao tivermos informaçoes,. de nada adiantará.Entao eu espero que que cada professor tenha em mente a sua responsabilidade.

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  • Jader Abreu

    Excelente post. No meu mestrado eu estou pesquisando justamente essa potencial junção, seu artigo me ajudou bastante com a perspectiva da avaliação, pois eu sou da área de tecnologia e educação é algo relativamente novo para meus estudos.

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