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Inovações em Educação

Tomografia pode identificar habilidade para leitura

Pesquisa de Stanford analisou imagens cerebrais de crianças e percebeu que é possível prever quem serão os bons leitores

por Redação 15 de novembro de 2012

Será que é útil submeter crianças a tomografia de crânio antes de elas entrarem na escola? Jason Yeatman, doutorando de psicologia do Centro de Imagem Cognitiva e Neurobiológica da Universidade de Stanford, acha que sim. Ele e outros pesquisadores de Stanford e da israelense Bar Ilan University descobriram que essa “fotografia” do cérebro pode ajudar a prever quais crianças se tornarão ávidas leitoras e quais terão dificuldades na leitura. Essas conclusões estão no estudo “Desenvolvimento da substância branca e habilidade de leitura” (livre tradução para Development of white matter and reading skills), publicado em outubro na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences.

No estudo, os pesquisadores acompanharam o desenvolvimento da proficiência em leitura e o crescimento cerebral de 55 crianças com idades entre 7 e 12 anos durante três anos. Com os resultados que colheram a partir da comparação entre essas fotografias e o grau de proficiência em leitura demostrado por provas, perceberam que é possível identificar estudantes propensos a terem problemas e antecipar para esses meninos um trabalho individualizado. Com isso, aproveitariam a plasticidade do cérebro nas idades iniciais da infância para desenvolver as habilidades faltantes e evitar problemas futuros.

Yeatman explica que aprender e praticar uma habilidade cria e fortalece caminhos neurais, conectando partes do cérebro – no caso, a substância branca. Ao mesmo tempo, conexões desnecessárias não são reforçadas e acabam se deteriorando ao longo do tempo. “Ambos os processos [criação de caminhos neurais ou sua deterioração] se desenvolvem ao longo do tempo. Em bons leitores, esses processos são equilibrados e acontecem ao mesmo tempo, sendo influenciados pela experiência da criança”, disse o pesquisador à revista Education Week.

Assim, as “fotografias” mostraram que leitores muito bons incialmente tinham menores níveis de substância branca nas áreas do cérebro associadas à identificação visual das palavras, mas esses níveis cresceram rapidamente durante os três anos de estudo. Por outro lado, crianças com habilidade de leitura abaixo da média tinham níveis mais elevados de substância, mas esses níveis decaíram ao longo dos anos, sugerindo que essas crianças não estavam criando e fortalecendo caminhos cerebrais.

Um problema para o uso de tomografias em crianças, no entanto, é o custo desse recurso – algo que, se é verdade nos EUA, é um ponto ainda mais sensível no Brasil. Mas, para esse ponto, Yeatman tem um contra-argumento: o investimento precoce significará economias futuras. “O custo de uma criança mal sucedida academicamente para o sistema educacional é extremamente alto. Milhares e milhares de dólares vão para programas de intervenção e muitos não são tão efetivos quanto gostaríamos”, ele disse. “Estamos chegando perto do ponto em que seremos capazes de identificar anormalidades específicas das pessoas, fazermos previsões e intervenções baseadas nisso. Em uma década, eu gostaria de poder medir uma criança de 3 anos, descobrir suas anormalidades para determinar quais intervenções poderiam ajudar a prevenir problemas de leitura que ela poderia vir a ter antes mesmo de ela começar a ser alfabetizada.”

Com Stanford News e EdWeek

Tirar uma tomografia de todas as crianças antes de entrarem na escola pode ser um grande desafio em larga escala. Mas não há dúvidas de que pesquisas como esta evidenciam a importância dos cuidados com a primeira infância e o impacto dessa etapa nos processos de aprendizagem de uma vida inteira. Veja o encontro que o Porvir e a Fundação Maria Cecília Souto Vidigal organizaram para levantar propostas sobre o tema.

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avaliação, ciências, neurociência, pesquisas