Coleção de livros apresenta retrato da inovação educacional no Brasil - PORVIR
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Inovações em Educação

Coleção de livros apresenta retrato da inovação educacional no Brasil

‘Tecnologia e Inovação na Educação Brasileira’ reúne o trabalho de 315 autores e autoras de diferentes regiões do país

por Marina Lopes ilustração relógio 7 de agosto de 2019

Inovar em educação pode até parecer a discussão do momento. Em congressos, feiras, encontros e formações, nunca se falou tanto sobre o tema. Mas a grande verdade é que pensar em novas metodologias, espaços e tempos já faz parte da história desde que a escola se institucionalizou. Com a proposta de mapear e divulgar pesquisas, implementações e práticas bem-sucedidas, a coleção de livros “Tecnologia e Inovação na Educação Brasileira” reúne o trabalho de 315 autores e autoras de diferentes regiões do país.

Dirigida pelas universidades de Columbia e de Stanford, com apoio da Fundação Lemann, a série traz 131 capítulos com temas relacionados a robótica, jogos educacionais, programação, inovação radical e história da tecnologia educacional brasileira. Os cinco primeiros livros, publicados pela Penso Editora, são co-organizados por acadêmicos brasileiros: Luciano Meira, André Raabe, Rodrigo Barbosa e Silva, Flavio Campos, José Valente, Avelino Zorzo e Paulo Blikstein, responsável pela idealização e direção da coleção.

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“Nos últimos dez anos, no Brasil, tivemos um grande crescimento no interesse pela educação, mas nesse processo também percebemos que faltava muito conhecimento sobre o tema”, afirma Paulo Blikstein, professor da Universidade de Columbia, em Nova York (EUA). De acordo com ele, a coleção tem a proposta de se tornar uma material de referência para dar visibilidade aos estudos e práticas que estão sendo desenvolvidos no país. “O projeto é ter uma coleção de dez livros que vai reunir quase tudo o que existe em tecnologia educacional e pesquisa em inovação no Brasil.”

Além de apresentar fundamentos, estudos de políticas públicas e experiências educacionais inovadoras, as obras trazem relatos de professores e alunos que contribuem para o avanço do ecossistema da inovação educacional no país. “Não são apenas pesquisadores. Em alguns livros, temos capítulos escritos por professores da educação básica e alunos que contam suas experiências com robótica e programação, por exemplo. Uma das inovações [da coleção] foi incluir a voz da criança e do aluno nos livros”, conta Blikstein.

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Entre os primeiros lançamentos da coleção, estão os volumes “Inovações Radicais na Educação Brasileira” e “Robótica Educacional”. “Um elemento importante em muitas dessas experiências [apresentadas nos livros] é que as universidades sempre tiveram um papel fundamental no processo de inovação. Quando a gente começou a fazer programação e robótica, isso foi uma iniciativa das universidades públicas”, reflete o professor da Universidade de Columbia, ao apontar alguns aprendizados obtidos a partir do agrupamento de referências sobre o tema.

As universidades sempre tiveram um papel fundamental no processo de inovação

No livro “Inovações Radicais na Educação Brasileira”, são apresentadas transformações profundas e significativas no ambiente escolar, considerando relações pedagógicas, organização curricular e o processo de ensino-aprendizagem. “Muitas experiências inovadoras que são discutidas hoje já acontecem há pelo menos um século. Tentamos não olhar para inovação como algo novo, mas do ponto de vista de transformação de uma realidade”, destaca o professor e co-organizador do livro, Flavio Rodrigues Campos, consultor pedagógico do grupo de Educação da Gerência de Desenvolvimento do SENAC-SP.

Da educação infantil ao ensino superior e técnico, apesar das experiências reunidas apresentarem diferentes realidades, ele menciona que é possível destacar alguns pontos em comum entre as inovações, como a motivação e o desejo de mudança dos agentes envolvidos no processo educativo. “Tanto nas experiências das escolas, quanto nas dos professores, percebemos o vontade de educadores e alunos de fazer algo diferente e transformar a realidade do espaço escolar ou do processo de ensino-aprendizagem”, aponta.

Já em “Robótica Educacional”, é possível conhecer experiências de escolas do meio urbano e rural, universidades e espaços informais brasileiros que promovem o aprendizado da robótica educacional. Organizada em cinco partes, a publicação trata de temas como educação e mediações tecnológicas, robótica livre, laboratórios virtuais e democratização e inserção das minorias.

Muitas experiências inovadoras que são discutidas hoje já acontecem há pelo menos um século. Tentamos não olhar para inovação como algo novo, mas do ponto de vista de transformação de uma realidade

“O nosso recorte são experiências significativas e, principalmente, que possam ser reproduzidas na educação pública. Existem plataformas comerciais de robótica que são interessantes do ponto de vista educacional, mas o preço delas torna o trabalho impossível para as escolas públicas”, ressalta Rodrigo Barbosa e Silva, pós-doutorando no Lemann Center for Educational Entrepreneurship and Innovation in Brazil, e co-organizador do livro “Robótica Educacional”.

Entre os capítulos, também são apresentados relatos de experiências e práticas, como o programa Escolas Rurais Conectadas, da Fundação Telefônica Vivo, que tem a proposta de impulsionar transformações em escolas do campo, por meio da disponibilização de infraestrutura tecnológica, formação docente, metodologias inovadoras de ensino e aprendizagem e conteúdos diversificados sobre e para a educação do campo.

Em breve também serão publicados os volumes “Ludicidade, Jogos Digitais e Gamificação na Aprendizagem”, “Computação na Educação Básica” e “Construção da Informática na Educação Brasileira”.

O lançamento oficial da coleção “Tecnologia e Inovação na Educação Brasileira” acontece hoje (7), às 19h30, na Livraria da Vila da Alameda Lorena, em São Paulo. Além de apresentar os livros que integram a série, o encontro também será marcado por um painel mediado pela jornalista Sabine Righetti, com a participação de Maria Elizabeth Bianconcini de Almeida (PUC-SP), Roseli de Deus Lopes (USP) e Camila Pereira (Fundação Lemann).


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competências para o século 21, educação infantil, ensino fundamental, ensino médio, ensino superior, escolas inovadoras, pesquisas, robótica, tecnologia

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Rodrigo Barbosa E Silva
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Rodrigo Barbosa E Silva

Olá!

Apenas para complementar, o nosso livro de robótica
educacional tem um enfoque na liberdade de criação. Dessa forma, muito
além do preço que é bem menor, as tecnologias abertas e livres apresenta
mais condições de propiciar ensino e aprendizagem significativos do que
a maioria das plataformas comerciais. Há plataformas comerciais
(tecnicamente, de código fechado) que são interessantes, entretanto as
plataformas livres e abertas são muito mais completas.

Grato pela cobertura e interesse no tema!

Rodrigo Barbosa e Silva

RENIVALDO JESUS DE FRANÇA
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RENIVALDO JESUS DE FRANÇA

Prática inovadoras em educação devem ser sempre estimuladas e patrocinadas por gestores públicos, empresas e organizações não governamentais. Promover metodologias, currículos e espaços inovadores é estimulante e desafiador. Nossas escolas precisam ser salvas das práticas didáticas sem sentido, para que nossos alunos sejam seduzidos pelo desafio de aprender.