Como a internet das coisas pode entrar na escola - PORVIR
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Inovações em Educação

Como a internet das coisas pode entrar na escola

Os dados gerados pela conexão de dispositivos cotidianos podem apoiar a tomada de decisões que impactam na aprendizagem dos alunos

por Marina Lopes ilustração relógio 20 de maio de 2016

Tudo o que existe hoje pode ser conectado, desde eletrodomésticos até mesmo um simples sapato. O conceito por trás da internet das coisas (IoT) prevê a integração de qualquer dispositivo com a rede de computadores, o que permite simplificar e automatizar uma série de tarefas cotidianas, como programar a geladeira para fazer compras ao acabar um determinado produto. Para o consultor Marcus Garcia, doutor em educação e mestre em tecnologia da informação, a internet das coisas também pode impactar a maneira como são tomadas as decisões dentro das escolas.

Nesta quinta-feira(19), durante o congresso Bett Brasil Educar 2016, realizado em São Paulo, o consultor apontou como a tecnologia transforma a educação e cria novas possiblidades de interação. “O conceito por trás da internet das coisas prevê a conexão de tudo o que nós usamos. Trazendo para dentro dos portões da escola, você pode pegar alguns exemplos simples, como transformar o celular dos alunos em um mecanismo valioso de acompanhamento da vida escolar”, explica em entrevista ao Porvir.

Ao conectar diferentes espaços e objetos da escola, um aluno poderia utilizar o seu celular para acessar laboratórios, verificar a disponibilidade de livros na biblioteca, marcar reuniões ou até comprar lanches. Tudo isso ficaria registrado, ao mesmo tempo em que sensores no material escolar poderiam contabilizar faltas ou acompanhar o seu trajeto de volta para casa.

A integração desses objetos à internet permite registrar as preferências dos alunos e reunir um grande volume de dados, como a quantidade de vezes que ele comprou doces na cantina ou chegou atrasado na escola. “Na medida em que você consegue reunir dados em uma plataforma adequada, você leva informação qualificada para gestores, professores ou pais tomarem decisões”, relaciona, ao afirmar que isso traz a possibilidade de acompanhar o desenvolvimento do aluno e permitir que ele possa interagir dentro de um ambiente integrado.

E para quem acha que tudo isso ainda está muito distante da realidade, Garcia afirma: “as tecnologias já estão todas aí. Não estou falando de ficção científica.” No entanto, ele menciona que ainda é necessário investir em infraestrutura nas escolas e preparar educadores para tomar decisões com base em dados. “A formação inicial está muito defasada do ponto de vista do uso das tecnologias e das suas aplicações. Apenas a revisão desses currículos permitirá dar conta da preparação desse docente ou gestor. Já os que já estão formados, seria necessário buscar cursos específicos de gestão voltada para o uso das tecnologias.”

Embora todos os dispositivos tenham potencial de se conectar com a rede, o consultor ainda reforça que os educadores devem preservar as relações humanas e o trabalho olho no olho. “A boa e velha sala de aula não mudou. Ela continua lá.”


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internet das coisas, tecnologia

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