Professora aproxima família e escola com boletins do berçário - PORVIR
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Diário de Inovações

Professora aproxima família e escola com boletins do berçário

A partir de informativos, professora explica o que acontece durante o dia dos bebês e mostra como é feito o trabalho pedagógico

por Keli Patricia Luca ilustração relógio 15 de setembro de 2016

Eu já tinha trabalhado com crianças pequenas, mas nunca com bebês. Quando entrei no berçário, percebi que é uma atuação bem específica e meu primeiro passo foi estudar e pesquisar sobre a rotina. E foi justamente nas primeiras semanas, no período de adaptação dos bebês, que percebi o distanciamento dos pais e a falta de informação do que era feito na escola. Isso dificultava o processo e agravava a sensação de insegurança e o choro dos pequenos.

Os pais ficavam preocupados só com a questão do cuidado. Perguntavam se os filhos comeram e se ficaram bem. Mas a proposta pedagógica é bem mais ampla do que só cuidar, algo que a comunidade escolar também não entendia muito bem. A gente fala que são bebês e que o berçário é só aquela correria de cuidar e dar mamadeira. Mas isso não é verdade. Toda ação de cuidar está associada ao educar também. Quando você vai trocar a criança, por exemplo, você fala as partes do corpo, você conversa ou canta. As pessoas não percebem isso e, se o educador também não prestar atenção, atua sem intenção nenhuma, só pra distrair, enquanto que deve haver todo um planejamento por trás da prática.

A proposta pedagógica é bem mais ampla do que só cuidar

Pensando em reforçar a relação entre a escola e as famílias, eu tive a ideia de fazer boletins informativos. Eles traziam informações sobre o que acontecia durante o dia no berçário e algumas ideias para as famílias desenvolverem em casa com os filhos. Por exemplo, na brincadeira do espelho, expliquei no boletim que os bebês estão se descobrindo e que os pais poderiam repetir a atividade em casa. Eram coisas simples, mas que as famílias poderiam fazer e participar mais.

A princípio, a ideia era fazer os boletins de forma digital e compartilhar com as famílias por email ou no mural de uma rede social. Mas essa opção não foi aprovada, então a diretora permitiu que eu imprimisse cópias em preto e branco e entregasse aos pais. A primeira produção foi sobre o período de adaptação. O trabalho foi bem bacana e eu acho que todo o restante do projeto fluiu em função disso. As famílias conheceram o que tinha sido feito no período de adaptação, formado por uma tríade: nós precisamos atender as necessidades das crianças, nos adaptar a elas e deixar que as famílias também se adaptem.

Ao final de cada sequência didática, eu produzia o boletim informativo e entregava. A partir disso, os responsáveis começaram a me procurar para conversar. O final da tarde não era só um momento de buscar a criança e a gente tinha assunto sobre as atividades. Nesse sentido, democratizar a informação é fundamental para que os pais conheçam o trabalho que é feito na escola.

Muitos responsáveis não têm noção da importância que eles têm nessa faixa etária da vida dos filhos. Como educadora, eu acho que não é só um trabalho com as crianças, mas o trabalho com as famílias também é fundamental.


Keli Patricia Luca

Professora de Educação Infantil. Trabalhou com capacitação de professores nesse mesmo nível de ensino. É graduada em psicologia, pedagogia e filosofia e pós-graduada em psicopedagogia e supervisão escolar. Atualmente é pós-graduanda em planejamento, implementação e gestão de EaD pela UFF.  

TAGS

educação infantil, engajamento familiar

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