PARTICIPAÇÃO DOS
ESTUDANTES NA ESCOLA

Saiba como envolver adolescentes e jovens nas decisões da escola e promover uma cultura de participação capaz de ampliar o engajamento, promover a aprendizagem, melhorar a educação e contribuir para a democracia

  • O QUE É PARTICIPAÇÃO

O QUE É PARTICIPAÇÃO

Processo que envolve os estudantes em decisões da escola de forma cotidiana, orgânica e incorporada

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imagem de desenho de uma escada na horizontal

Em junho de 2013 milhões foram às ruas por mais qualidade na educação (entre outras pautas). Em 2015, uma onda de ocupações em escolas começou em São Paulo e se espalhou por outros estados. Esses movimentos trouxeram à tona para governantes, diretores de escola e a sociedade em geral uma importante demanda dos jovens brasileiros, a de participar das decisões sobre a escola e a educação brasileira.

O desejo manifestado nessas mobilizações não é invenção desta geração. Há décadas, educadores e especialistas, como o pedagogo mineiro Antonio Carlos da Costa (1949-2011), que estudou e definiu o conceito de protagonismo juvenil, defendem a participação como um caminho para formar cidadãos autônomos, críticos, criativos e com capacidade de transformar o mundo. Mais que isso, é um direito garantido pela Constituição de 1988 e regulamentado por leis complementares como a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional) e o PNE (Plano Nacional da Educação).

Mesmo assim, governos e diretores das escolas, que não estão acostumados a escutar o aluno e criar processos e espaços de deliberação, foram surpreendidos e tiveram que lidar com novos formatos de mobilização. Influenciada pelo movimento estudantil que cobrava investimentos em educação no Chile e na Argentina e pelo Occupy Wall Street, iniciado nos Estados Unidos, a nova maneira de protestar extrapola o uso de instâncias tradicionais e dos partidos políticos e leva às ruas e às escolas a horizontalidade de comando combinada com o uso intensivo de redes sociais.

Os movimentos podem ter esfriado, mas a linguagem dos jovens permanece a mesma e é usada para questionar cada vez mais o ambiente em que estudam. Responder às reivindicações é apenas um dos desafios encontrados por gestores, uma vez que estruturas tradicionais dentro da própria escola foram abaladas, com os grêmios não sendo mais os únicos grupos que reúnem estudantes. Agora eles dividem a arena de representatividade com coletivos, que defendem diferentes causas, como negra, LGBT e feminista, e outros grupos espontâneos.

Outra questão que exige atualização é a abrangência da oferta de participação que a escola se acostumou oferecer. Na maioria dos casos, ela é extraordinária (acontece esporadicamente), provocada (quando alguém demanda) e localizada (para um único tipo de atividade ou espaço). Em seu lugar, é necessário que a escola encontre práticas que tornem a participação cotidiana, orgânica (presente em todos os processos) e incorporada por todos e em todos os espaços. Os estudantes podem e devem ser envolvidos nas decisões referentes a práticas pedagógicas, currículo, gestão escolar, ambiente e infraestrutura da escola, relação com família e comunidade e até avaliação.

ESCADA DA PARTICIPAÇÃO

Uma forma de identificar como acontece a participação é tomando por base a teoria da escada de participação criada pelo estudioso dos direitos da criança e professor Roger Hart (1992). O modelo mostra como as crianças estão ou poderiam estar participando e quais são as barreiras comportamentais e estruturais a serem superadas:

  • 8. Processo iniciado pelas crianças com partilha de decisões com os adultos

    As ideias vêm das crianças, que então definem o projeto e convidam os adultos para se envolveram na tomada de decisões.

  • 7. Processo iniciado e dirigido pelas crianças

    Este nível reflete maior independência de todo o processo. As crianças têm ideias e planejam o projeto. Os adultos estão disponíveis, mas não assumem o comando;

  • 6. Iniciativa adulta com partilha de decisões com as crianças

    A ideia parte do adulto, mas as crianças estão envolvidas no projeto, tanto no planejamento quanto na implementaçaão. As crianças contribuem com ideias e também fazem parte do processo de tomada de decisão;

  • 5. Consulta e informação

    Os projetos são criados e executados pelos adultos. No entanto, as crianças são consultadas e têm plena consciência do processo e de que suas opiniões são levadas em consideração;

  • 4. Delegação com informação

    Os adultos decidem qual o projeto no qual as crianças participam voluntariamente e as suas opiniões são respeitadas. As crianças entendem qual é o projeto, têm conhecimento de quem vai participar e quais são os motivos;

  • 3. Tokenismo (simbolismo)

    As crianças são questionadas sobre um determinado assunto mas não têm poder sobre a forma de expressam as suas opiniões;

  • 2. Memorização

    As crianças “participam” de um determinado evento mas não entendem os objetivos;

  • 1. Manipulação

    As crianças fazem ou dizem o que os adultos sugerem, mas não entendem os objetivos; apesar de ser perguntado às crianças o que pensam e algumas das ideias serem aceitas, não é explicado sua influência na decisão final;

  • POR QUE É IMPORTANTE

POR QUE É IMPORTANTE

Participação amplia engajamento, promove aprendizagem, melhora a escola e muda a sociedade

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Veja 8 razões para envolver estudantes nas decisões sobre seu aprendizado e sua escola

amplia o engajamento
Amplia reconhecimento do valor da educação

Um estudante que tem opinião e direitos respeitados e que assume responsabilidades perante colegas e comunidade escolar passa a se sentir acolhido dentro da escola e valoriza a educação.

amplia o engajamento
Promove aproximação entre o conhecimento e o aluno

Ao se tornar ativo na construção de seu conhecimento e influenciar a maneira como aprende, o aluno tende a se identificar mais com o conteúdo, que ganha novos sentidos e contextos que respondem ao seus interesses e seu projeto de vida.

promove aprendizagem
Desenvolve habilidades para a vida

A participação coloca o aluno em situações que envolvem trabalho em grupo, planejamento, construção de acordos e autoria de projetos. Durante o processo, que deve acontecer de maneira autêntica para resolver problemas da escola ou comunidade, os alunos desenvolvem habilidades como resolução de problemas, colaboração e empatia.

amplia o engajamento
Melhora a autoestima e a autoconfiança

A participação positiva nas instâncias de decisão dentro da escola proporciona o reconhecimento pelos colegas e pela equipe gestora, o que impacta na autoestima e da autoconfiança.

promove aprendizagem
Amplia o respeito a individualidades

A abertura ao diálogo ajuda professores e gestores a entender como os alunos aprendem, bem como ter um retorno sobre suas práticas. Quando escutam e interagem com os estudantes, educadores conseguem oferecer oportunidades educativas conectadas com seu potencial, suas limitações, seus interesses e suas necessidades.

melhora a escola
Facilita a resolução de problemas

O contato próximo e fluído entre gestor, professor e aluno facilita a troca de informações constantes e a resolução de problemas da escola. O ambiente democrático também é propício à mobilização de conhecimentos, parceiros e recursos que ajudam a superar desafios da escola.

melhora a escola
Contribui para um clima escolar positivo

Quando a equipe gestora compartilha com alunos a mediação de conflitos e a discussão de soluções, criam-se alternativas ao punitivismo e um ambiente propício ao bom relacionamento entre alunos, professores, funcionários e gestores.

transforma a sociedade
Fortalece a democracia

Ao se envolverem em processos democráticos dentro das escolas, jovens desenvolvem a cultura da participação e também se engajam em ações de transformação da sociedade.

COMO PROMOVER

As escolas no Brasil têm problemas crônicos, que comprometem a qualidade e a equidade da educação pública, além de manterem práticas antigas e desconectadas das demandas dos alunos e do mundo contemporâneo. Ainda não sabemos como solucionar esses grandes dilemas, mas uma coisa é certa, teremos dificuldade de avançar sem envolver os alunos nesse processo.

As principais tendências de inovação em educação estão intrinsecamente relacionadas à intensificação da participação dos estudantes. A personalização da aprendizagem, por exemplo, requer que os alunos sejam cada vez mais considerados em suas especificidades e tenham crescente autonomia e flexibilidade para escolher o que e como aprender. As novas tecnologias também criam condições para que os alunos sejam mais autônomos e possam fazer escolhas.

O aprendizado mão na massa cria espaço para a autoria, estimulando que os estudantes coloquem em prática seus conhecimentos e habilidades por meio da criação de projetos e produtos. Currículos voltados para a vida no século 21 também demandam pedagogias mais ativas, que não só ampliam a participação dos estudantes, mas desenvolvem sua capacidade crítica, criativa e propositiva.

Até mesmo as tendências em relação à gestão e ao ambiente escolar demandam maior engajamento dos alunos nos processos decisórios, relações mais horizontais e colaborativas, além de espaços e infraestrutura mais conectados com o universo das crianças, adolescentes e jovens.

Promover a participação dos estudantes requer a disposição de gestores e professores para compartilhar informações e poder. Abertura, diálogo, entendimento e cooperação são palavras chave para qualificar o processo, que deve buscar equilibrar as responsabilidades que serão sempre dos educadores com as contribuições que podem vir dos alunos.

Se por um lado é fundamental não subestimar a capacidade dos estudantes, mesmo quando são crianças ou parecem pouco engajados, por outro não podemos romantizá-los, nem transformar a participação em um fardo. O engajamento precisa fazer sentido e estar à altura da capacidade dos alunos, bem como contribuir para a sua aprendizagem e desenvolvimento, objetivos primordiais da escola.

A participação também deve considerar a cultura dos estudantes, ao invés de forçá-los a se encaixar em modelos próprios do mundo adulto. Ludicidade, arte, cultura e mídias digitais são alguns dos elementos que potencializam a contribuição, especialmente de crianças, adolescentes e jovens. A intenção é levá-los a sério e respeitar as suas próprias formas de organização, expressão e contribuição.

Para aliar teoria e a prática, reunimos as principais formas de participação dos alunos na escola em quatro elementos:

imagem de escuta, escolha, coautoria e corresponsabilização

Nesta seção, você encontrará a definição de cada um deles e como devem ser praticados, experiências de escolas que já conseguem envolver os alunos nas decisões, armadilhas que limitam a participação e dicas práticas para educadores incorporarem a cultura democrática.


escuta

Consultar os estudantes sobre o seu próprio processo educativo

Imagem animada de uma pessoa colocando a mão no ouvido para ouvir melhor

Atualmente, os mais diversos setores da sociedade adotam a prática de ouvir seus usuários para entender se estão satisfeitos com o serviço ou produto que lhes é oferecido. As redes de ensino e as escolas, no entanto, raramente perguntam a opinião dos seus alunos sobre o que acontece no seu cotidiano, muito menos sobre novas decisões que afetarão a sua vida escolar.

Em grande parte das escolas, os descontentamentos e as sugestões dos alunos não ultrapassam o limite das conversas de corredor. A falta de diálogo costuma favorecer a apatia e o conflito. O problema se acirra quando o nível de insatisfação aumenta e provoca reações mais radicais, como indisciplina, depredação, protestos e ocupações.

Mesmo os problemas mais difíceis precisam ser discutidos pela comunidade escolar, tanto para que possam ser reconhecidos e resolvidos, quanto para que não se transformem em algo maior e acabem comprometendo as relações de confiança entre gestores, professores e estudantes.

Escutar os estudantes significa criar oportunidade para que possam compartilhar opiniões sobre diferentes assuntos, desde os mais corriqueiros, como a infraestrutura da escola e as atividades em sala de aula, até os mais complexos, como mudanças no currículo e na organização escolar.

Para engajarem os alunos, essas consultas precisam ser realizadas com o suporte de dinâmicas, instrumentos e linguagens compreensíveis e estimulantes para eles. Também precisam ser inclusivas, para que capturem múltiplas vozes, mesmo as mais silenciosas e dissonantes. Nesse caso, a opinião dos alunos mais “comportados, extrovertidos e eloquentes” não deve se sobrepor à dos mais “rebeldes, tímidos ou que apresentam dificuldade de se expressar”. Todas as perspectivas precisam ser contempladas.

Aqueles que escutam devem ainda ter a sabedoria de não se colocar na defensiva, nem se sentir pressionados a acatar tudo o que é sugerido. No entanto, devem realizar devolutivas consistentes, que deem transparência às percepções e propostas coletadas e indiquem como serão encaminhadas. Um processo de escuta dos estudantes pode ter efeito reverso quando não gera consequências concretas.

Imagem de emoji fofinho

escolha

Permitir que os estudantes façam escolhas em relação ao seu processo educativo

Imagem animada de uma garota com dúvida

Os estudantes são diferentes e aprendem de formas diversas. Às vezes, o que se encaixa bem para uns, não funciona para os demais. Outras vezes, o que os educadores propõem não faz sentido para os alunos. Quando eles têm a oportunidade de escolher entre duas ou mais opções, não apenas encontram alternativas mais interessantes, mas também se sentem mais valorizados e engajados no processo.

Nem tudo pode ser escolhido pelos estudantes. Eles sabem disso e entendem que grande parte do que acontece nas redes de educação e nas escolas deve ser proposto por profissionais experientes. Ainda assim, desejam ter mais flexibilidade e autonomia, inclusive para se sentirem mais identificados e motivados em relação à sua aprendizagem.

Quando gestores e professores são mais prescritivos e já trazem tudo pronto, correm o risco de não se conectar com os interesses, desejos e necessidades de seus alunos, gerando desengajamento e dificuldade de aprender. As escolhas podem ter caráter simples, como a opção entre uma aula no pátio ou no laboratório de informática, entre dois ou mais tipos de exercício ou trabalho em grupo, entre atividades de discussão ou de dramatização, por exemplo. Mas também têm a possibilidade de envolver decisões mais complexas, como as disciplinas a serem cursadas, no caso da flexibilização curricular.

Para escolher, os alunos precisam desenvolver sua capacidade de analisar, tomar decisão e assumir as consequências sobre as suas escolhas. Quando a escola oferece esse tipo de situação para seus estudantes, também os prepara para ser mais assertivos em relação às demais escolhas que farão ao longo da vida.

Imagem de emoji fofinho

coautoria

Fomentar a participação dos estudantes em processos autorais

Imagem animada de pinguins pulando juntos

Os estudantes tendem a se engajar mais na sua aprendizagem quando têm espaço para criar. A autoria começa com pequenas produções em atividades educativas cotidianas, como desenhos, cartazes e dramatizações. Ganha potência com criações mais robustas, como peças de teatro, composições musicais, vídeos, blogs, revistas em quadrinhos e animações. E cresce ainda mais quando os alunos se envolvem na elaboração de projetos, seja para desenvolver um produto, como um livro, jogo, robô ou foguete de garrafa pet, seja para resolver um problema concreto, como a melhoria de uma praça, a preservação do meio ambiente ou a redução de conflitos.

Os estudantes também começam a ser convidados a criar práticas educativas junto com seus professores. Mais familiarizados com as tecnologias e outros recursos pedagógicos contemporâneos, apoiam seus educadores a planejar atividades mais interessantes e variadas. Em encontros de cocriação, professores e alunos refletem sobre o que não está funcionando em sala de aula e, juntos, desenham novas possibilidades.

Além de desenvolver diversas capacidades importantes, como criatividade e colaboração, o engajamento dos estudantes como coautores do seu processo educativo os aproxima da escola, ao mesmo tempo que apoia a transformação do ambiente escolar para conectá-lo com a realidade dos alunos do século 21.

Imagem de emoji fofinho

corresponsabilização

Envolver os estudantes na busca de soluções para os desafios da escola

Imagem animada de mãos uma em cima da outra

Redes de ensino e gestores escolares são responsáveis por assegurar que as escolas cumpram o seu papel e garantam o direito de cada criança, adolescente e jovem a uma educação básica de qualidade. Os estudantes, porém, não precisam ser beneficiários passivos desse processo. Além de ouvir suas opiniões e permitir que façam escolhas e tenham experiências autorais, as instituições de ensino também devem engajá-los em discussões e iniciativas voltadas a melhorar o seu cotidiano educacional.

Escolas que adotam modelos de gestão mais democráticos já costumam abrir espaços interessantes para a participação efetiva dos alunos via grêmios, assembleias, conselhos e instâncias afins. No entanto, boa parte das discussões em que eles se envolvem ainda trata de temas laterais, como festas e eventos esportivos.

Experiências mais aprofundadas têm conseguido engajar os alunos na solução de questões realmente desafiadoras, como a indisciplina, a depredação física, as dificuldades de aprendizagem e o orçamento da escola. Além de trazerem novas perspectivas sobre esses problemas e suas causas, os estudantes conseguem apoiar os educadores a formular soluções mais efetivas e a implementá-las.

Uma nova regra ou iniciativa decidida apenas pelo diretor tem menos chance de ser abraçada pela comunidade escolar do que algo que é construído coletivamente, inclusive com a participação dos alunos, os quais têm ainda a importante missão de mobilizar os seus pares. Nesse caso, o efeito reverso pode se manifestar quando gestores tomam suas decisões e convidam os estudantes apenas para endossá-las e difundi-las, sem que o diálogo tenha de fato acontecido.

Mais uma vez, é preciso respeitar as opiniões e propostas dos alunos e engajá-los em atividades de discussão e busca de solução que os façam se sentir seguros, confortáveis e motivados. Não podemos esquecer que eles são crianças, adolescentes e jovens e, portanto, contribuem melhor quando envolvidos em ambientes que consideram as suas peculiaridades. Reuniões prolongadas e com muito falatório técnico costumam inibir a participação da maioria dos estudantes. Por outro lado, eles podem ser extremamente colaborativos quando envolvidos em atividades dinâmicas e criativas, nas quais se expressam por meio das suas próprias linguagens, narrativas e estratégias.

MURAL DE EXPERIÊNCIAS

Seis casos de escolas brasileiras mostram como é possível envolver os alunos nas decisões sobre a escola

Imagem animada de homem pulando uma armadilha de pé de urso

Armadilhas

CONHEÇA ATITUDES E PRÁTICASQUE LIMITAM A PARTICIPAÇÃO

Dicas

Por questão de segurança, escolas acumulam portas, portões e grades. Mas basta que uma delas esteja aberta para que o aluno já se sinta mais à vontade para conversar com a direção, expressar suas opiniões e saber em que deve melhorar. Circular pelo pátio, receber estudantes na entrada e estar frequentemente nas salas de aula também são posturas que horizontalizam as relações. Já os canais de acesso virtuais, como Facebook e WhatsApp, facilitam a comunicação e podem trazer respostas mais rápidas de alunos que ainda têm receio em frequentar a sala do diretor.
Para cuidar do engajamento dos jovens, é preciso investir em diálogo e mobilização com o corpo docente. Professores se sentem sobrecarregados com muitas demandas e precisam entender a participação como processo natural que envolve toda a escola, e não configura uma atividade extra. Definir espaço e tempo para o diálogo é fundamental.
Grêmios e conselhos precisam representar a voz da escola, e não apenas dos titulares dessas instâncias. Para evitar conflito durante assembleias, trabalhe para fortalecer a conscientização e a corresponsabilização por meio de processos transparentes de coleta de opiniões e entrega de devolutivas. Lembre-se que os alunos precisam aprender sobre representatividade e ser apoiados na construção do diálogo com seus pares.
É importante estabelecer objetivos e metodologias para os encontros, assembléias ou conselhos. Caso contrário, as reuniões podem se tornar um palco de lamentações, sem proposições e encaminhamentos. Apontar os problemas é um passo, mas propor soluções é melhor ainda. Isso não quer dizer que as reuniões devem ser sérias e usar modelos do mundo adulto. Aposte em linguagens próprias da juventude e metodologias que fazem sentido para eles, como rodas horizontais de conversa, design thinking, jogos e votações online.
A chance de que algo saia errado na implementação das estratégias de participação e engajamento da comunidade escolar com os processos da escola é de 100%. Como se trata de um processo, e não de um lançamento de algo pronto e solucionado, todas as ações precisam estar em constante revisão e modificação.
Para que os estudantes continuem envolvidos em processos de participação, gestores e professores devem promover conversas periódicas com grupos de representantantes, presidentes de grêmio e integrantes de coletivos. Durante os encontros, os jovens devem encontrar espaço para apresentar demandas dos colegas e sugerir propostas de intervenção na escola.
Nem todas as sugestões ou reivindicações apresentadas pelos estudantes poderão ser executadas, seja pela limitação de recursos ou falta de autonomia da unidade escolar. Para não desmotivar os estudantes, é preciso investir em um diálogo transparente, deixando claro o que pode ser feito em curto, médio e longo prazo. Quando a mudança estiver fora do alcance da gestão escolar, também vale uma conversa sincera para explicar os motivos.
Sim. A participação não depende de um investimento financeiro, mas da adoção de uma nova postura em relação aos jovens. Embora a estrutura e os recursos também possam contribuir com a implementação de uma gestão democrática, eles não são requisitos para envolver os estudantes em decisões da escola.
Em geral, os estudantes não estão acostumados a participar de decisões ou até mesmo sugerir intervenções para solucionar problemas da sua escola. Para que as suas ações tenham resultado, educadores devem ajudar adolescentes e jovens a se organizaram, dividindo responsabilidades entre todos os envolvidos.
Não existe uma idade mínima para estimular a participação dos estudantes. Quando antes eles forem incentivados a dar opiniões e assumir responsabilidades, mais cedo irão ter consciência de que podem protagonizar mudanças na sua escola e comunidade.

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