O Futuro se Equilibra #017 - Universidade que acolhe - PORVIR
Ronaldo Abreu / Porvir

Podcast O Futuro se Equilibra

O Futuro se Equilibra #017 – Universidade que acolhe

Neste episódio, Tatiana Klix conversa com a professora Vera Lucia Felicetti sobre a importância de ações para a permanência dos estudantes na graduação

por Redação ilustração relógio 22 de junho de 2022

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Podcast O Futuro se Equilibra

Um olhar atento que um professor ou professora tem pode fazer muita diferente na trajetória escolar de qualquer estudante. Além das dificuldades em ingressar na universidade, há também um outro fator: a permanência.

Como as universidades criam mecanismos de manutenção e permanência de alunos nos cursos? É sobre isto o novo episódio de O Futuro se Equilibra.

Contamos com o apoio do Instituto Unibanco.

Apresentação: Tatiana Klix
Produção: Gabriela Cunha e Larissa Werneck
Edição: Gabriel Reis
Roteiro: Ruam Oliveira e Tatiana Klix
Concepção: Ruam Oliveira, Tatiana Klix e Vinícius de Oliveira
Apoio estratégico: Vinícius de Oliveira e José Jacinto Amaral
Direção de arte: Regiany Silva e Ronaldo Abreu
Música: Unicorn Heads, Telecasted, Chris Haugen, GodMode, RKVC,pATCHES, Asher Fulero, Cheel, Steve Adams, Dan Henig e Corbyn Kites.

identidade visual de o futuro se equilibra - o podcast

[Vera Lúcia Felicetti]

[música de fundo]

Bem, falar da da permanência na educação superior é também falar das características de acesso desses estudantes na educação superior, porque não tem como eu pensar na permanência sem pensar ou sem eu conhecer quem é este meu estudante que está ingressando na educação superior. Nos últimos anos, nós temos diferentes várias políticas de ações afirmativas que permitem o acesso de estudantes que vêm de diferentes condições, diferentes condições socioeconômicas, dificuldades, deficiências. Então é importante nós conhecermos um pouquinho dessas características… 

[música de fundo]

[Tatiana Klix]

Você está ouvindo O Futuro se Equilibra, o podcast do Porvir sobre Equidade na Educação. O Instituto Unibanco apoia esta iniciativa.

[música de fundo]

[Tatiana Klix]

Começamos este episódio com uma fala da professora Vera Lucia Felicetti, que atua no programa de pós graduação em Educação da Universidade LaSalle, no Rio Grande do Sul. 

Equidade na educação e ensino superior também é: compreender de onde vêm esses estudantes e que desafios eles têm para permanecer na universidade. Eles podem ser econômicos, sociais, físicos. E a universidade deve estar atenta a isso. 

Hoje vamos falar sobre esses desafios. 

Eu sou Tatiana Klix, diretora do Porvir.

[música de fundo]

[Tatiana Klix]

[sem bg]

A Sheila Angélica Rodrigues é atualmente graduanda em engenharia civil lá na Universidade LaSalle. Para chegar até este ponto, ela precisou de muito esforço e muito apoio. Vamos ouvir a história dela, narrada pela Anna Paula Black. 

[início relato]

Olá para você que me ouve. Eu vou agora te contar um pequeno trecho da minha vida. De quando eu tentei estudar e não consegui. E então eu parei de estudar. E depois eu tentei de novo. E de novo. E de novo. Até chegar onde estou. 

Não foi um caminho fácil, é verdade. Agora, aos meus 34 anos, eu consigo perceber as coisas que estavam me atrapalhando e que eu não sabia os motivos. 

[música de fundo] 

Vamos do início: Eu sou a Sheila Angélica Rodrigues dos Santos. Até o primeiro ano do ensino médio, eu estudei em escola pública. Mas aos 15 anos, eu encontrei o amor. Ou o que eu achava que fosse amor.

Antes mesmo de completar os 17 anos, me  casei. A ideia inicial era seguir para o magistério, mas a vida de casada não era tão simples assim. 

Acabei engravidando e, então, precisei deixar os estudos de lado. 

Essa coisa de “cuidar” sempre me acompanhou, desde que eu era bem pequena. Minha mãe sempre trabalhou fora e eu ficava responsável por cuidar dos meus outros quatro irmãos. Além de limpar a casa, tinha também os filhos dos vizinhos, que eu também cuidava. 

Quando meu filho completou 1 ano, eu tinha 18. Era hora de tentar terminar o ensino médio. Como ele era ainda muito pequeno, eu fiz o Encceja, porque assim não precisava me deslocar para muito longe. 

Assim que concluí essa etapa, eu tentei continuar estudando. Parti para um curso técnico de administração. Mas vejam bem, a vida é complicada… 

Eu era uma jovem recém casada e com um filho pequeno. Tudo isso antes de completar vinte anos. Meu ex-marido achava que nós dois não podíamos trabalhar e estudar ao mesmo tempo, sendo que o nosso filho ainda era muito pequeno. O que eu recebia dele era sempre o contrário do incentivo. Acreditem. 

Essas coisas iam me deprimindo aos poucos. 

Faltavam só seis meses para eu concluir o curso técnico de administração quando precisei abandoná-lo. Parei de estudar, como você pode imaginar…

Sabe qual era a promessa do meu ex-marido? Ele me dizia: Primeiro eu termino o meu curso e depois você volta e conclui o seu. O curso dele deveria durar cinco anos. Não durou. E sabe por que? Porque ele desistiu. Perdeu a bolsa que tinha… 

Ficamos os dois sem estudar. E demorou quase dez anos para eu voltar.

Foi com 27 anos, quando eu me divorciei.

Voltar a estudar não era uma necessidade por causa do trabalho. Era um sonho. Um sonho que eu sempre tive. E então eu achei que era hora de tentar o ENEM.

Aos 27 anos eu fiz a minha primeira inscrição. O combinado era o seguinte: No dia da prova, meu ex-marido ia pegar meu filho para eu conseguir participar tranquilamente. 

Mas ele não apareceu. Quando eu cheguei no local da prova, os portões já tinham se fechado.

Que queda livre! Não dá para ser tão animada com tantas coisas negativas… 

Mas a gente, ainda assim, se levanta. Eu, ainda assim me levanto. 

Fiquei até os 32 anos tentando entrar na faculdade.

Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura. É assim que diz o ditado.

Consegui passar no vestibular em 2019. Entrei no curso de engenharia elétrica e então começou uma nova jornada…

[música de fundo]

Psicologicamente eu não estava preparada para esse novo desafio. 

Apesar de querer muito, existia uma outra situação. 

Quando meu filho entrou na escola, nós percebemos que ele tinha muita dificuldade. Tentamos entender o que estava acontecendo e depois de alguns exames descobrimos que ele tinha Transtorno de Déficit de Atenção. Como se trata de algo genético, a médica que nos atendeu pediu para que eu também fizesse alguns exames porque ela suspeitava que eu tivesse também. 

E sim, descobri que tenho Transtorno de Déficit de Atenção. 

Mas o tratamento é caro. Precisa de psicólogo, psicopedagogo, psiquiatra… E tudo isso é pago. Então, eu priorizei o meu filho. Não tinha como pagar o tratamento para os dois. 

Foi assim até o ano passado, quando eu finalmente pude começar a me tratar.

E com o diagnóstico fechado, as dificuldades que eu tive ficaram mais claras. 

Por exemplo, às vezes tinha problemas de memória. Eu sei a informação, mas em alguns momentos é como se eu estivesse em uma sala cheia de armários com muitas caixas. Só que todas sem identificação. Eu sei a informação, mas nem sempre consigo encontrá-la quando preciso. Isso me atrapalha, principalmente em dias de prova. 

Mas eu tenho encontrado muito apoio aqui na minha faculdade. 

A coordenadora relatou as minhas dificuldades ao núcleo de apoio estudantil e eles têm sido de grande ajuda. Aqui tem um sistema de monitoria, onde os estudantes mais avançados ajudam quem está precisando. E assim vamos caminhando. 

Ter o apoio da universidade faz toda a diferença. Me surpreende que até mesmo agora, com a minha segunda filha, eles também abram espaço para que eu continue estudando. Quando eu não tenho com quem deixá-la, eu levo ela comigo para a aula.

[música de fundo]

Estudar agora tem dado certo. Encontrar apoio é parte da equação que faz dar certo.

Agora eu consegui mudar de engenharia elétrica para civil. Estou estudando sobre conforto ambiental. Depois de formada eu quero fazer algum trabalho social ajudando jovens de 17 e 18 anos. 

Ei você que me escuta, saiba que estudar abre portas. É difícil? Sim, é difícil. Mas vale a pena. Para mim é uma realização. Não só profissional, mas pessoal. 

[música de fundo]

[Tatiana Klix]

Compreender os contextos é muito importante. Os desafios que as pessoas enfrentam para continuar estudando são muitos. Às vezes a gente não se dá conta, seja porque são coisas muito específicas, ou porque não tivemos aquela experiência. 

[Vera Felicetti]

[música de fundo]

Eu coloco que entre os principais desafios, nós podemos citar que o acompanhamento aos conteúdos desenvolvidos nas disciplinas, principalmente nas que exigem conhecimentos pregresso, é um grande desafio. Outro desafio é superar o cansaço após um dia de trabalho. Então eles trabalham oito horas ou às vezes um pouco mais e seguir participando das aulas, assistindo três horas ou três horas e meia de aula é bastante desafiador. A gente vê muitas vezes alunos piscando, cochilando em aula. Então a logística também entre a residência, entre o trabalho e a universidade também complica. Às vezes precisam tomar o trem, um ônibus, então mais do quilo, um veículo aí. O trabalho nem o trabalho também é sem sombra de dúvidas um grande desafio. A dificuldade financeira Ela aparece e aparece bem forte aqui, né? Porque o nosso alunado é um alunado que trabalha para poder estudar e não o contrário estudar para depois futuramente poder trabalhar ao contrário, o que acontece aqui. E claro que todos esses desafios que já mencionei, eles, muitos deles estão relacionados com a questão financeira, a locomoção, transporte, ter que trabalhar. O cansaço está relacionado com… porque se ele não precisa se trabalhar, ele não estaria cansado para assistir às aulas à noite, então uma corrente de consequências. 

[Tatiana Klix]

A professora também diz que entre os desafios está o comprometimento dos estudantes com o próprio aprendizado. A universidade demanda uma autonomia que nem todos foram ensinados a ter. E para continuar estudando, é preciso estar comprometido. 

[música de fundo]

[Tatiana Klix]

Mas para além da atitude do estudante, a própria universidade deve mudar.

Nós ouvimos no episódio passado sobre a importância de ações afirmativas, em especial a Lei de Cotas, para a garantia do ingresso de estudantes pretos e de escola pública no ensino superior. 

[Vera Lucia Felicetti]

As universidades elas estavam acostumadas com um perfil determinado, perfil estudantil, digamos assim, o perfil homogêneo, colocamos assim. Com estas novas formas de ingresso na universidade, ela passa a ter um perfil estudantil muito diferenciado. O contexto da universidade ele passa a ser diferente e isso é fantástico. E isso é riquíssimo, porque a gente aprende muito com o outro, com o diferente, com situações diferentes, dentro do contexto escolar, escolar, acadêmico, no caso aqui. Então é uma oportunidade para um crescimento maior das pessoas. Não só daquele perfil, que já vem de uma classe social onde o pai, o avô, já tinham educação superior, fazem parte de uma geração contínua, mas para esse novo, nesse novo perfil, esse novo estudante que está ingressando na educação superior. Então esse esse novo perfil estudantil, nossas instituições, ele é um perfil plural sim. 

[música de fundo]

[Vera Lucia Felicetti]

E esta pluralidade ela é social, ela é cultural, ela é racial, ela cognitiva, eu diria assim de base, né? De pré requisitos. Ela também é uma pluralidade ideológica E e outros aspectos também. O que é que isso significa? Significa que nós temos estudantes oriundos de diferentes grupos sociais, incluindo os grupos tidos como em desvantagens iniciais, que são aqueles que são aquelas características que elas existem, independentes do querer de cada um, independente do querer da pessoa, tais como raça, sexo, idade, deficiências, família ou a situação econômica, como nós já mencionamos. Veja Tatiana que essa tamanha pluralidade, ela estabelece novas relações, novos paradigmas na universidade, exigindo assim ações estruturais diferenciadas e direcionadas a cada conjunto de características. Entram aqui entra não só o desafio desse dos estudantes para permanecer e concluírem o curso, mas vem o desafio das instituições de como atender a esse novo perfil de estudantes. Como contemplar tamanha pluralidade aí… 

[música de fundo]

[Tatiana Klix]

A Sheila, que dividiu a história dela com a gente no começo deste episódio, tinha uma vida com muitos desafios. E encontrou na universidade um apoio importante para continuar os estudos. 

Ou seja, imaginem se ela tivesse passado por tudo o que passou e, depois de entrar na universidade, precisasse abandoná-la? Equidade na educação é criar condições  para que isso não aconteça .

Mas ainda bem que ela encontra apoio. 

Para que ela consiga se formar, a professora também nos contou que ela tem feito menos disciplinas para poder conciliar com o tratamento de TDAH e a vida fora da universidade. Tem dado resultado. 

[Vera Lucia Felicetti]

[música de fundo]

É importante identificar ou conhecer as características iniciais dos nossos estudantes quando do ingresso deles na universidade. Por exemplo, um fator bastante importante, qual foi o tipo de ensino médico, ele cursou? Se ele fez uma prova correspondente ao ensino médio. Então veja que esse estudante ele vai ter uma bagagem de conhecimento diferenciada daquele aluno que fez o ensino regular, ou daquele aluno que fez o ensino médio técnico um de um aluno que fez a educação concluiu o ensino médio na educação de jovens e adultos, Então são alunos que vem com uma bagagem diferenciada. Então, cabe à instituição oferecer programas para que esse aluno consiga alcançar um patamar equivalente àquele aluno que vem do ensino médio de uma escola particular, por exemplo. Também nós temos estudantes, aqueles que trabalham, estudantes que trabalham em tempo integral. Temos estudantes casados, temos estudantes que têm filhos. Temos os estudantes que são de primeira geração, então veja que eles vêm de uma família onde ninguém foi aluno, ninguém tem o curso, tem a formação em nível superior. 

Então é o estudante que vem com uma cultura bastante diferenciada daquele que já vem, de uma geração, contínua. Onde tem um histórico familiar de pessoas, com a educação superior, isso é diferente. É diferente porque vou colocar meu exemplo também deu sua primeira geração na minha família, na família do meu pai, de sete sete irmãos, e na família da minha mãe também. Eu sou a primeira pessoa a concluir a educação superior, então eu sou a primeira geração dentro da família, de alguém que tem a educação superior é muito diferente de um colega onde o pai, a mãe e os avós já tem essa formação, porque é tudo muito mais novo para esse estudante. Então, todas essas características a serem identificadas, elas são importantes de se conhecer, pois essas características iniciais, por isso que eu disse que era um pouco difícil falar da permanência sem falar também dos aspectos que caracterizaram o ingresso na educação superior, porque elas estão diretamente relacionadas essas características, elas são indicadores e elas sinalizam os caminhos a serem tomados. 

Ou seja, as ações que devem ser desenvolvidas no âmbito da gestão da universidade e na prática do dia a dia na sala de aula do professor, então são indicadores muito importantes de serem sim identificados no início do semestre letivo. 

[música de fundo]

[Tatiana Klix]

Os desafios de permanência são ainda maiores quando esses marcadores sociais se cruzam. O fator da interseccionalidade operando pode gerar muitos novos entraves. Quanto mais marcadores sociais alguém tem, mais difícil acaba sendo a sua jornada. 

Geralmente se fala muito de questões financeiras. Mas questões relacionadas a diferenças também têm um peso grande. 

[Vera Lucia Felicetti]

[música de fundo]

Não podemos esquecer os estudantes com algum tipo de deficiência, disponibilizar atendimento e acompanhamento adequado às suas especificidades, sejam elas voltadas ao atendimento psicológico, psicopedagógico e até mesmo encaminhamento a uma clínica específica. Oferecer monitorias, tutorias,  já mencionei isso, então, quer sejam essas consultorias relacionadas diretamente aos conteúdos das disciplinas, mas também relacionadas à interação do estudante aos espaços da universidade. Eu já ouvi aluno nosso, como que eu não sabia que tinha clínica, nós podemos Poderíamos ter feito a vacina daqui. Não sabia que tinha isso na universidade. Então um aluno ele tem que fazer parte da universidade, conhecer tudo o que a universidade oferece. A universidade precisa mostrar a ele tudo o que ela tem e o que ela pode oferecer. 

Promover momentos de integração e interação no campus universitário, tais como palestras, oficinas, grupos de discussão, saraus e tantas outras atividades que podem, sim, contemplar as mais diferentes temáticas envolvendo o gênero, as questões raciais e outros aspectos. Também o projeto pedagógico de cada curso é uma ação estrutural, visto que o PPC ele já aparece, as novas diretrizes Curriculares nacionais, de vinte de dezembro de dois mil dezenove, elas exigem aspectos atinente a esses marcadores que a gente mencionou aqui, inclusive questões ambientais, questões de direitos humanos. Então, dentro dessas a exigência de que esses marcadores, eles sejam contemplados, contemplados no curso, nosso componente curricular e nos conteúdos. 

[Tatiana Klix]

Durante sua trajetória atuando como professora, Vera encontrou muitos exemplos de superação e de esforço para permanecer estudando. E, mais uma vez, não depende só do estudante se esforçar. Os educadores e a gestão universitária podem estar atentos aos alunos. 

A Vera foi professora da Sheila. Foi ela quem auxiliou na identificação das dificuldades da aluna e solicitou apoio da universidade. Um olhar atento faz diferença. 

[Vera Lucia Felicetti]

[música de fundo]

Então, é um exemplo que eu trago nesse sentido aí de identificar essas características iniciais, a maioria dos professores fazem um levantamento. A gente faz esse levantamento para poder entender um pouquinho nossos alunos, conhecer um pouco.  Tem que trazer alguns exemplos, porque são exemplos bastante reais e que também facilitam um pouco. Eu entrei numa turma, em determinado semestre, eu tinha dois alunos, a coordenadora pedagógica do curso, Benedita, você vai ter dois alunos como problema auditivo. Então você vai ter um intérprete de Libras na turma tranquilo. Então, assim foi um choque muito grande para mim no primeiro dia de aula, porque trabalhando com a matemática financeira, disciplina, então a gente já circula muito, a gente vai resolvendo os cálculos no quadro com os alunos e os alunos vão olhando e vão questionando. Estão olhando você resolver os cálculos e me dei conta que esses dois alunos eles não podiam olhar para mim não pode também olhar o quadro. Não tinha como olhar para o quadro para ele fazendo as resoluções, porque eles tinham que olhar com intérprete para o interprete fazer esse link entre o que eu estava falando para eles entenderem. Então, me deu assim um desespero muito grande naquela aula. Porque meu Deus, como é que nós vamos conseguir atender Assim, nesses dois alunos era um rapaz e uma moça. Então, no dia seguinte eu sentei e falei eu vou fazer o seguinte eu vou toda todas as exercícios que que eu vou desenvolver. Em aula os alunos, Eu vou descer, vou digitar toda a resolução e vou enviar para esses dois alunos, alunos, toda a resolução já digitada, porque eles vão poder previamente se preparar para a aula, né? 

Então eles vão, vão estar vendo e acompanhando a minha explicação via o Interprete. Então, eu passava um dia, olha, digitar toda a resolução das atividades então um tempo então eu passado assim várias horas da quinta feira reservado. Um espaço enviava todo o material digitado para eles. É muito interessante que as vezes a gente se trocavam número um sinal e principalmente o rapaz, Ele falava, é diferente. E aquilo que ela mandou com que ela fez ali no quadro, então se preparado, estudado também. Então foi uma maneira de eles acompanharem poderem acompanhar a disciplina porque eles não iam conseguir. Então foi uma experiência bastante interessante de poder acolher esse aluno, entender a necessidade dele. Claro que os outros não recebiam o exercício resolvido, porque a ideia eles resolverem o exercício comigo em aula, mas esses alunos precisavam do exercício resolvido para poderem acompanhar a explicação. Então é nesse momento que a gente proporcionou a equidade a estes alunos, porque para colocar eles no mesmo patamar de possibilidade de acompanhar a aula, que os demais… 

[Tatiana Klix]

Para alcançarmos a equidade na educação, precisamos de pequenas e grandes ações. Na sala de aula e também no campo da gestão da educação. 

O Futuro se Equilibra é produzido pelo Porvir com apoio do Instituto Unibanco.
No próximo episódio vamos falar sobre educação e trabalho.

Eu sou a Tatiana Klix, diretora do Porvir.
Esse episódio foi escrito por mim e pelo Ruam Oliveira, repórter do site.

A produção é de Larissa Werneck e Gabriela Cunha. O Gabriel Reis fez a edição. 

A transcrição desse e de todos os episódios dessa temporada está disponível em porvir.org/podcasts/ofuturoseequilibra. 

Tem dicas, sugestões ou comentários? Escreva para a gente no contato@porvir.org

Voltamos daqui a quinze dias em seu tocados de podcasts preferido.

Obrigada pela escuta!

[fim do episódio]


TAGS

ensino superior, equidade

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