Desde sua criação, o Porvir mantém o compromisso de produzir conteúdo sobre educação que seja confiável, ético e acessível. Com a presença crescente de ferramentas de inteligência artificial (IA) no jornalismo, reconhecemos a necessidade de estabelecer critérios claros e responsáveis para seu uso.
Esta política orienta o uso da IA generativa em nossas atividades e estabelece princípios, práticas e limites. Nosso objetivo é garantir que a tecnologia esteja a serviço do público, sem comprometer a integridade jornalística nem a confiança que construímos desde 2012.
Nossas diretrizes têm como referência o AI Ethics Starter Kit, documento elaborado pelo Poynter Institute, dos Estados Unidos. Publicado inicialmente em 2024 e atualizado em 2025, o material oferece um modelo que pode ser adaptado por organizações jornalísticas para definir como pretendem usar — ou não usar — a inteligência artificial de acordo com sua missão, seu público e os princípios do jornalismo.
A partir dessa referência, adaptamos as diretrizes à realidade e aos compromissos editoriais do Porvir, com atenção especial à educação, à equidade e à relação de confiança com nossos leitores.
O que é inteligência artificial generativa?
A inteligência artificial generativa é um tipo de IA capaz de criar conteúdos, como textos, imagens, gráficos e outras mídias, a partir de instruções e informações fornecidas pelo usuário.
Definições importantes
- IA generativa: tecnologia de inteligência artificial capaz de criar conteúdos a partir de instruções e dados fornecidos pelo usuário.
- Grandes modelos de linguagem (LLMs): sistemas treinados com grandes volumes de textos e outros dados para reconhecer padrões e produzir linguagem.
- Prompt de IA: instrução fornecida a uma ferramenta de IA para orientar a resposta ou o conteúdo produzido.
- Alucinação: termo usado para situações em que uma ferramenta de IA apresenta como verdadeiras informações falsas, imprecisas ou sem base nas fontes utilizadas.
- Dados de treinamento: materiais utilizados no treinamento dos modelos de IA para que reconheçam padrões e produzam respostas. Podem incluir artigos, pesquisas, páginas da internet e outros conteúdos.
Essas tecnologias podem apoiar a apuração e a produção de conteúdo, mas também apresentam riscos à precisão, à privacidade e à credibilidade do jornalismo. Por isso, adotamos cinco princípios para orientar seu uso.
5 princípios para o uso ético de IA
1. Transparência
Quando usarmos IA generativa de maneira relevante na produção de um conteúdo, informaremos o público com clareza e especificidade.
Essa informação poderá aparecer em legenda, crédito ou nota editorial, de acordo com o tipo de conteúdo e o uso realizado. Sempre que for pertinente e possível, também poderemos informar os prompts utilizados.
2. Precisão e supervisão humana
Todo conteúdo produzido com apoio de IA deve passar por verificação humana. Nada será publicado sem atender aos padrões editoriais do Porvir.
Um editor deverá revisar os prompts e outras informações fornecidas à ferramenta quando seu uso resultar em conteúdo substancial, como análises de dados. O material também deverá passar pelos processos editoriais adotados pelo Porvir.
A equipe deve estar atenta a possíveis vieses das ferramentas utilizadas. Nossos procedimentos serão revistos periodicamente para que o uso da IA respeite nossos compromissos com diversidade, equidade e rigor jornalístico.
3. Privacidade e segurança
Desde 2012, nossa relação com o público se baseia na confiança. Não inserimos em ferramentas de IA generativa informações pessoais, sensíveis ou que permitam identificar integrantes do público, fontes ou integrantes da equipe.
Quando houver uso de dados para personalizar conteúdo, informaremos como esses dados foram coletados e utilizados, de acordo com nossa política de privacidade. Conteúdos editoriais personalizados com auxílio de IA também serão identificados.
4. Responsabilidade
O Porvir é responsável pelo conteúdo que publica, inclusive quando ferramentas de IA participam de alguma etapa de sua produção.
Erros ou imprecisões serão corrigidos com transparência por meio de nosso sistema de erratas. Também analisaremos periodicamente os formulários e canais de feedback e consideraremos as contribuições do público nas atualizações desta política.
O descumprimento destas diretrizes poderá resultar em novas orientações ou formação para a equipe e, quando necessário, em medidas disciplinares.
5. Exploração
Respeitados os princípios desta política, incentivamos a experimentação responsável com ferramentas de IA.
Também investiremos na formação contínua da equipe para que as pessoas que trabalham no Porvir compreendam as possibilidades, os limites e os riscos dessas tecnologias e saibam utilizá-las de maneira ética e transparente.
Aplicações e orientações práticas
Esta seção explica como o Porvir pode utilizar ferramentas de inteligência artificial nas atividades editoriais e institucionais, sempre com supervisão humana e de acordo com nossos princípios éticos.
Verificação e apuração de conteúdo enviado por leitores
Editores e jornalistas devem avaliar com atenção materiais enviados pelo público, especialmente quando houver dúvida sobre sua origem ou autenticidade.
A verificação deve combinar diferentes métodos, conforme o caso, como pesquisa reversa de imagens, análise de metadados e checagem de autoria, contexto, data, tom e sinais de edição ou manipulação.
As decisões relevantes tomadas durante esse processo devem ser documentadas internamente para permitir seu acompanhamento e preservar a responsabilidade editorial.
Manipulação e uso de imagens
Não utilizamos IA para criar ou modificar representações de pessoas ou locais reais, salvo quando houver justificativa editorial clara e informação explícita ao público.
Isso significa, por exemplo, não alterar rostos ou expressões nem adicionar ou remover pessoas ou outros elementos de uma cena de maneira que modifique seu sentido jornalístico.
Aprimoramento de imagens
É permitido utilizar ferramentas de IA para melhorias técnicas, como ajustes de nitidez e cor ou redução de ruído.
Essas alterações não podem distorcer a realidade nem aumentar artificialmente o impacto de uma cena. Não é permitido, por exemplo, escurecer sombras para tornar mais dramática uma imagem de uma situação de violência.
Toda edição desse tipo deve ser comparada com o arquivo original e registrada internamente.
Imagens geradas por IA
Utilizamos imagens geradas por IA apenas quando elas forem relevantes para a compreensão do público e quando uma imagem adequada não puder ser obtida de maneira ética ou viável por meios tradicionais.
Sempre que possível, priorizamos registros produzidos por profissionais que acompanharam presencialmente a situação retratada.
Quando uma imagem gerada por IA for publicada, ela deverá ser identificada de maneira clara. Um aviso poderá seguir este modelo:
Ilustração gerada por IA: esta imagem foi criada com o uso de [nome da ferramenta], a partir de imagens de uma sala de aula de escola pública brasileira e de anotações de campo feitas por nosso repórter. Trata-se de uma representação visual aproximada, criada para ajudar o leitor a contextualizar a reportagem. Saiba mais sobre como utilizamos inteligência artificial em nossos conteúdos [aqui].
Uso em redes sociais, resumos e acessibilidade
Ferramentas de IA generativa podem apoiar a revisão de textos e publicações para redes sociais e a produção de recursos de acessibilidade, como descrições de imagens e legendas de vídeos.
Todo material deve passar por revisão humana antes da publicação. As equipes responsáveis pelas redes sociais também devem avaliar periodicamente o uso dessas ferramentas para verificar sua clareza, precisão e adequação aos princípios editoriais do Porvir.
Revisão textual
Ferramentas de IA podem apoiar a revisão de textos, identificando problemas gramaticais ou de estilo e sugerindo formulações mais claras.
A decisão sobre aceitar ou rejeitar cada sugestão cabe ao jornalista ou editor responsável. O uso da ferramenta não substitui a edição humana e deve preservar o sentido do texto, a voz de quem o escreveu e a voz editorial do Porvir.
Títulos e otimização para mecanismos de busca
É permitido utilizar IA para sugerir títulos, metadescrições e outros textos de apoio, inclusive para otimização em mecanismos de busca.
As sugestões devem partir das informações apuradas e validadas pela equipe. Nenhuma informação fornecida pela ferramenta deve ser incorporada ao conteúdo sem verificação.
Pesquisa, dados e estatísticas
Ferramentas de IA podem apoiar a localização e a organização de dados, a consulta a bases públicas e o tratamento de estatísticas utilizadas em reportagens.
A IA não deve ser considerada fonte das informações. Os dados utilizados editorialmente devem ser conferidos nas fontes originais ou em bases consideradas adequadas pela equipe.
Dados, códigos, cálculos e gráficos produzidos com auxílio de IA devem ser verificados antes da publicação por profissional com conhecimento técnico compatível com a tarefa.
Traduções com IA
Podemos utilizar IA para auxiliar na tradução de materiais durante a apuração e na publicação de conteúdos em outros idiomas.
As traduções destinadas à publicação devem passar por revisão de uma pessoa com domínio adequado do idioma de destino.
Quando houver tradução publicada com uso relevante de IA, o conteúdo deverá trazer um aviso como este:
Este artigo/áudio/vídeo foi traduzido com o uso de inteligência artificial generativa. O conteúdo foi revisado por nossa equipe editorial para verificar sua precisão. Saiba mais sobre como e por que usamos IA em nossas reportagens [aqui]. Envie seu feedback [aqui].
Transcrição de entrevistas
Ferramentas de IA podem ser utilizadas para gerar transcrições automáticas de entrevistas.
Antes que uma declaração transcrita seja utilizada em conteúdo jornalístico, ela deve ser conferida com a gravação original. A transcrição automática serve como ferramenta de apoio e não substitui essa verificação.
Sugestão de pautas e ângulos
Ferramentas de IA podem apoiar a pesquisa de temas, sugerir pautas e ângulos de abordagem, auxiliar na leitura e no resumo de artigos acadêmicos e ajudar a identificar temas em discussão nas redes sociais.
Também podem auxiliar em etapas iniciais de pesquisa e verificação. Suas respostas, porém, não devem ser tratadas como fatos ou fontes jornalísticas.
Toda informação, interpretação ou ideia sugerida pela ferramenta deve ser avaliada criticamente pela equipe antes de ser incorporada à apuração ou à pauta.
Ferramentas aprovadas para uso
A lista de ferramentas atualmente aprovadas para uso no Porvir inclui:
- Adobe Firefly: conjunto de ferramentas de IA da Adobe voltadas à geração e à edição de imagens e a outros recursos gráficos.
- Apple Intelligence: conjunto de recursos de inteligência artificial integrado a sistemas e dispositivos da Apple.
- CapCut: editor de vídeo com recursos de IA para tarefas como cortes automáticos, produção de legendas e remoção de fundo.
- ChatGPT: assistente baseado em modelos de inteligência artificial que pode apoiar tarefas como revisão de texto, elaboração de rascunhos e pesquisa.
- Claude: ferramenta de inteligência artificial conversacional desenvolvida pela Anthropic.
- Google Gemini: ferramenta de inteligência artificial do Google capaz de trabalhar com diferentes tipos de conteúdo, como textos, códigos, imagens, áudios e vídeos.
- Google Pinpoint: ferramenta do Google voltada ao trabalho jornalístico com grandes conjuntos de documentos.
- NotebookLM: ferramenta do Google que permite consultar, organizar e trabalhar com informações a partir de documentos e outras fontes fornecidas pelo usuário.
- Perplexity: ferramenta de pesquisa e resposta baseada em inteligência artificial que pode ser utilizada para levantamentos iniciais e localização de fontes.
- Ferramentas já utilizadas que incorporaram recursos de IA: plataformas adotadas pela equipe, como Zoom, Google Meet e Canva, podem oferecer funcionalidades de inteligência artificial, como transcrição automática e recursos de criação e edição.
A presença de uma ferramenta nesta lista não significa que todos os seus recursos estejam automaticamente autorizados. Seu uso deve respeitar os princípios desta política, as diretrizes editoriais do Porvir e as regras relativas à proteção de informações.
Ressalvas importantes
Preservar a voz editorial do Porvir
Ferramentas de IA devem ser utilizadas com critério. Suas sugestões precisam ser avaliadas pela equipe e estar de acordo com a voz e as diretrizes editoriais do Porvir.
Evitar reescritas completas
Não utilizamos IA generativa para produzir ou reescrever integralmente reportagens, artigos ou outros conteúdos jornalísticos.
Seu uso na redação e edição deve ser pontual e voltado a tarefas específicas. A responsabilidade pelas decisões de texto permanece com jornalistas e editores.
Proteger informações sensíveis
Não inserimos dados privados, confidenciais ou proprietários em ferramentas de IA quando isso puder comprometer sua segurança ou confidencialidade.
Isso inclui contratos, listas de e-mails, documentos internos, correspondências confidenciais e informações protegidas sobre fontes, público ou integrantes da equipe.
Verificar criticamente as sugestões
Ferramentas de IA podem apresentar informações incorretas, omitir contexto, reproduzir vieses ou alterar o sentido de um texto.
Por isso, nenhuma sugestão deve ser incorporada automaticamente. Cabe à equipe verificar informações e avaliar criticamente as respostas antes de utilizá-las.
Ser transparente sobre o uso de IA
Quando o uso de IA for relevante para a compreensão de como determinado conteúdo foi produzido, informaremos isso ao público de maneira clara.
A informação deve permitir que o leitor entenda, quando pertinente, qual ferramenta foi utilizada, para qual finalidade e qual foi o papel da supervisão humana.
Equipe responsável e atualizações
O ponto focal para o uso de IA na redação do Porvir é Vinícius de Oliveira, diretor editorial e editor do site.
Ele conta com o apoio de:
- Tatiana Klix, diretora-executiva;
- Regiany Silva, diretora de operações;
- Marina Lopes, diretora editorial de soluções.
A equipe responsável deve acompanhar a aplicação desta política, orientar os profissionais e propor atualizações quando necessário.
Orientações e atualizações sobre o uso de inteligência artificial nos diferentes projetos do Porvir devem ser publicadas no blog institucional, que funcionará como referência para a equipe e para o público interessado em acompanhar nossas práticas.
Todo uso de IA deve ter finalidade jornalística ou institucional clara, respeitar esta política e, quando exigido pelos procedimentos internos, ser submetido à equipe gestora. A verificação humana é obrigatória.
Compromisso com a formação
O Porvir incentiva a formação contínua da equipe para o uso responsável de inteligência artificial.
Integrantes da redação terão acesso a treinamentos que os ajudem a compreender as possibilidades, limitações e riscos da IA generativa e a utilizar essas ferramentas de maneira ética, crítica e transparente.
* Este artigo foi traduzido com o uso de inteligência artificial generativa. Em seguida, o conteúdo foi revisado por nossa equipe editorial para garantir sua precisão.
Primeira edição: abril de 2026
