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7 maneiras de falar sobre questões de gênero na escola

Na semana da campanha ‪#‎AgoraÉQueSãoElas‬‬, professoras contam para o Porvir como estão levando o debate para a sala de aula

por Redação 6 de novembro de 2015

Professora, você discute questões de gênero nas suas aulas? Nesta quarta-feira (4), em apoio à campanha #AgoraÉQueSãoElas, o Porvir lançou uma pergunta nas redes sociais para descobrir como o debate sobre igualdade, empoderamento e direitos das mulheres está sendo levado para a escola.

Desde o começo da semana, após a provocação da cientista social Manoela Miklos, diversos espaços na mídia foram abertos para dar voz e vez a uma mulher. Elas assumiram redes, páginas, colunas e blogs para falarem sobre a luta das mulheres, representação, direitos iguais, machismo, violência e tantos outros temas.

Leia também: ‘Temos resistência em trabalhar questões de gênero na escola’

Incentivadas pelo Porvir, professoras de diferentes regiões do país compartilharam como estão trabalhando questões de gênero na sala de aula. Foram mais de cem comentários, com iniciativas desenvolvidas na educação infantil, ensino fundamental, médio e superior. Confira:

Análises de textos, músicas e vídeos

Na disciplina de língua portuguesa, a professora Thais Alencar incentiva seus alunos a fazerem questionamentos sobre textos, músicas e programas de televisão. Ela trabalha com coisas do cotidiano para que eles consigam notar a presença do machismo, preconceito e sexismo nas suas vidas. “Em minhas aulas, todas as opiniões são acolhidas, até as contrárias e preconceituosas, para que assim possamos analisá-las e refletir sobre elas”, comentou.

No ensino fundamental, a professora de ciências Ana Paula Santos Fidelis discutiu com os alunos a relação de igualdade de gênero por meio de músicas e leituras de texto. Para mostrar o estereótipo de uma mulher do século passado e comparar com os dias atuais, eles ouviram a música “Cotidiano”, de Chico Buarque. Segundo ela, a reflexão ajudou a mostrar que as mulheres são capazes de trabalhar fora e sustentar uma casa e os homens também podem fazer serviços domésticos.

Contação de histórias

Os livros também podem ser bons aliados para trabalhar questões de gênero. A professora de educação infantil Mayara Loyola contou que utiliza a contação de histórias para levantar o debate.

Para fazer esse trabalho, ela indicou alguns livros como “As famílias do mundinho”, de Ingrid Bisemeyer Bellinghausen, “Tudo Bem Ser Diferente”, de Todd Parr, “Maria vai com as outras”, de Sylvia Orthof, “Feminina de menina, masculino de menino”, de Márcia Leite, e “Meninos gostam de Azul, meninas gostam de rosa. Ou não?”, de Nívea Salgado.

Teatro

A professora Carolina Scartezini encontrou no teatro e na arte uma maneira de desconstruir estereótipos de gênero. Ela relatou que nas suas aulas nunca apresenta os personagens como papéis “de menino” ou “de menina”. “Todo mundo pode ser Lobo Mau e todo mundo pode ser Chapeuzinho”, contou.

A forma como a mulher é retratada também é um tema que está em pauta durante suas aulas. A professora compartilhou que estuda com os alunos a imagem da mulher nas obras de arte, mídia, comerciais, novelas e filmes.

Tecnologia

Com um discurso predominantemente masculino, o universo da tecnologia pode ser uma oportunidade para discutir questões de gênero. A professora Marcela Santos comentou que ministra cursos de tecnologia em que a maioria dos alunos são homens. Ela disse que aproveita a oportunidade para abrir discussões e dar visibilidade a iniciativas voltadas para mulher. “Alguns realmente não entendem pra que [servem] eventos voltados para meninas na tecnologia”, relata.

Utilizar a tecnologia também foi um gancho encontrado pela professora de inglês Renata Rubio. Na sua disciplina, ela desenvolveu um quiz com perguntas sobre grandes invenções que eram atribuídas a mulheres, como o wi-fi e o raio-x, . Segundo ela, os alunos ficaram surpresos com essas descobertas e foi possível fazer uma rica discussão de gênero.

Oficinas e grupos de estudo

Algumas professoras contaram que desenvolveram oficinas e grupos de estudo para falar sobre direitos das mulheres. Anna Karina Cavalcante compartilhou que na escola onde trabalha desenvolveram um Núcleo de Gênero, responsável por organizar debates, filmes e rodas de conversa.

A professora de sociologia Nambir Kaur também contou que promove oficinas sobre a Lei Maria da Penha, além de discussões sobre gênero e desigualdade no âmbito do trabalho.

Biografias de mulheres

A professora Gina Vieira Ponte compartilhou no Diário de Inovações o seu relato sobre o projeto Mulheres Inspiradoras. Após lerem obras de autoria feminina e conversarem com mulheres da comunidade, seus alunos foram instigados a contarem a história de uma mulher importante nas suas vidas. Durante esse processo de escuta, levantaram discussões sobre questões de gênero, machismo e violência.

A professora de língua portuguesa Pilar Acosta também utilizou a biografia de mulheres para discutir gênero. Ela contou que este ano desenvolveu o projeto “Heroínas Sem Estátua – o conhecimento a partir das mulheres”, em que os estudantes produziram pesquisas sobre mulheres que contribuíram com a sociedade em diferentes lugares e momentos históricos. Depois, eles produziram textos para homenagear suas heroínas.

Discussões

Diversas disciplinas podem abrir espaço para a discussão sobre gênero. A professora de educação física Tatiana Moura diz que levantou o debate sobre estereótipos dentro do universo esportivo, enquanto a professora Fabi Monteiro aproveitou uma aula sobre islamismo para falar sobre direitos da mulher e violência. Já a professora Luzinete Marassi, utiliza a disciplina de filosofia para tratar não apenas a questão de gênero, como também a racial, a étnica, a social.

Muitas professoras do ensino superior também compartilharam experiências. Na Universidade Federal Fluminense, Flora Daemon ministra uma disciplina optativa chamada Memória Autobiográfica e Escrita Íntima em Rede, que tem como foco a palavra feminina nas redes. Lana Veras é professora dos cursos de Medicina e Psicologia, da Universidade Federal do Piauí, e inclui nas suas aulas discussões de temas sobre desigualdade de acesso à saúde entre gêneros, machismo como determinante social em saúde, violência contra mulher, entre outros. Na Universidade Federal do Amazonas, a professora Patricia Melo Sampaio relatou que adaptou a ementa de uma disciplina dedicada à formação de professores do curso de história. Ela incluiu a discussão sobre políticas de ação afirmativa, diversidade sexual e de gênero na sala de aula.

A professora Dalila Santos, do curso Comunicação Social – Jornalismo em Multimeios da Universidade do Estado da Bahia, também compartilhou que sempre inclui a temática de gênero e luta das mulheres nas suas aulas. Segundo ela, a ação já tem apresentado resultados positivos. “Muitas meninas começaram a perceber como elas sofrem violências no dia a dia. Além disso, os meninos estão se policiando mais nas suas falas”, comentou.

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