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Inovações em Educação

96% dos professores usam internet para preparar aulas

Pesquisa TIC Educação 2014 mostra que a formação e a conectividade ainda limitam o uso de recursos digitais na escola

por Marina Lopes 21 de setembro de 2015

O professor brasileiro está conectado e quer aprimorar suas práticas pedagógicas com o uso de recursos educacionais digitais. No entanto, a formação e a infraestrutura ainda são um desafio para impulsionar o uso de tecnologia da informação e comunicação na escola. Os resultados são da pesquisa TIC Educação 2014, lançada hoje (21), pelo CGI.br (Comitê Gestor da Internet no Brasil).

Realizada entre setembro de 2014 e março de 2015, a pesquisa apresenta dados sobre o uso dos computadores e da internet por 930 escolas públicas e privadas, de ensino fundamental e médio, localizadas em áreas urbanas. Foram ouvidos 1.770 professores, 930 diretores, 881 coordenadores e 9.532 alunos.

O levantamento mostra que 96% dos professores utilizam recursos obtidos na internet para a preparação de aulas ou atividades com os alunos, sendo que 92% deles fazem isso por motivação própria. Embora essa prática seja bastante recorrente, mais da metade dos educadores concordam com a afirmação de que ainda falta conhecimento sobre as possibilidades de uso pedagógico do computador e da internet.

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Entre os professores de escolas públicas ouvidos, apenas 37% deles afirmaram ter cursado alguma disciplina específica sobre o uso pedagógico do computador e da internet durante a graduação. Para suprir essa lacuna e buscar capacitação, 57% dos educadores recorreram a cursos específicos de formação continuada (75% deles foram pagos pelos próprios professores, enquanto 27% foram oferecidos pelo governo ou secretaria de educação).

“O professor é um público que está conectado e tem interesse em se capacitar sobre as TIC. Contrariando o senso comum de que o professor evita tecnologia ou não tem nenhum interesse, a gente mostra que ele está entrando nesse mundo de forma bastante evidente”, afirma Fábio Senne, coordenador de projetos e pesquisas do Cetic (Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação).

O professor é um público que está conectado e tem interesse em se capacitar sobre as TIC

De acordo com Senne, a pesquisa também traz um recado importante para as políticas públicas ao mostrar que a formação inicial e continuada não são os únicos caminhos para garantir a atualização em relação ao uso das tecnologias da informação e comunicação. Entre 2013 e 2014, o número de professores que buscaram capacitação com a ajuda de outros colegas de trabalho cresceu de 6% para 17%. “A criação de redes de professores e contatos entre os pares é bastante importante”, destacou.

Além da demanda por formação, outro resultado que a pesquisa mostra é que a infraestrutura das escolas ainda é um fator limitante para a penetração do uso de TIC na escola. Embora 92% das escolas públicas urbanas já tenham computadores com acesso à internet, 41% delas contam com uma conexão de até 2 Mbps (megabits por segundo), considerada insuficiente para o desenvolvimento de uma série de atividades pedagógicas. “Essas escolas urbanas que a gente entrevistou estão de alguma forma conectadas, mas a gente tem ainda um desafio de infraestrutura, especialmente na conexão de internet, que precisa ser discutido pelas políticas públicas”, avalia o coordenador de projetos e pesquisas do Cetic.

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Quanto aos equipamentos, a pesquisa identificou que a presença dos dispositivos móveis está crescendo, fazendo com que a sala de aula se torne um local mais frequente para o uso e da internet. Em 2010, os laboratórios de informática eram os espaços mais frequentes para o uso de computador e internet (70%), enquanto a sala de aula representava um percentual de apenas 7%. Em 2014, o uso em classe subiu para 30%, ao mesmo tempo que o laboratório passou para 55%. “A partir dos equipamentos móveis, tablets e computadores portáteis, o uso do computador e da internet na sala de aula é facilitado, mas ainda temos muito o que avançar.”

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conectividade, dispositivos móveis, formação continuada, formação inicial, objetos digitais de apredizagem, tecnologia