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Crédito: Divulgação/Tellus

Inovações em Educação

São Paulo ganha novo laboratório maker para alunos da rede pública

Instituto Ana Rosa abre novo espaço para adolescentes e jovens desenvolverem habilidades para o século 21

por Vinícius de Oliveira 11 de maio de 2017

O computador que há pouco tempo era uma ferramenta para digitar textos e fazer pesquisas, hoje abre novas possibilidades para alunos de escolas públicas que frequentam o Instituto Ana Rosa, uma instituição particular de assistência social e formação profissional que funciona desde 1874 no bairro da Vila Sônia, na zona sul de São Paulo (SP). Em evento realizado nesta quarta-feira, 10, foi inaugurado na mesma sala que no passado abrigava o curso para gráficos, o “Área 21 – Laboratório de Criatividade”, espaço maker com impressoras 3D, máquinas de corte a laser e óculos de realidade virtual onde jovens vão criar projetos enquanto desenvolvem as chamadas competências como criatividade e pensamento crítico por meio de projetos.

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O espírito da mudança é traduzido na fala de Lucas Martins, 14, aluno do 1º ano do ensino médio da Escola Estadual Senador Adolfo Gordo, próxima ao instituto. “Eu não sabia bastante coisa, não conhecia nem metade dos acessórios e das máquinas que tem aqui. Em três meses, aprendi a programar. Na escola, é difícil a gente sair da sala de aula e ir até os computadores. Ontem, a gente deu sorte porque a professora passou um vídeo”.

O projeto é uma realização do Instituto Tellus e conta com a parceria do Governo do Estado de São Paulo, Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente (Condeca-SP), Fundação Telefônica, Samsung e WeFab. A concepção do laboratório surgiu a partir de quatro oficinas de criação com 120 estudantes, professores e gestores do instituto com a equipe do WeFab, parceiros técnicos do projeto, além das contribuições dos parceiros financiadores.

“O nosso objetivo é que os jovens desenvolvam habilidades e aptidões para as profissões do futuro, explorando o protagonismo juvenil”, disse Germano Guimarães, cofundador e diretor do Tellus, que traçou uma linha do tempo do movimento maker até a chegada à instituição brasileira e, mais especificamente à área de desenvolvimento social para atender jovens de regiões de alta vulnerabilidade. “O diferencial não são os equipamentos, mas as metodologias e os conteúdos que vamos trabalhar. Acima de qualquer coisa e de saber mexer na máquina, precisamos de jovens que vão criar o futuro”, explicou.

Durante a elaboração do projeto, a equipe do Tellus e a especialista em inovação em educação Célia Senna estabeleceram que o espaço deveria seguir como princípios a aprendizagem divertida e considerar todas as formas que cada aluno tem de aprender. E logo apareceu o fascínio de todos pelo espaço, o que influenciou tanto nos temas dos desafios para atividades pedagógicas como no nome do projeto, uma referência ao século 21 e também à Área 51, nome de um local secreto de uma base aérea nos Estados Unidos.

“Nas oficinas de cocriação, a gente perguntou como eles gostariam que a escola fosse em 2050 e eles falaram coisas como “a gente queria que os alunos dessem as aulas”, “que a gente tivesse videoaulas ao invés de ter aulas com pessoas”, “a gente quer aprender a nadar se afogando”, “aprender a salvar pessoas em um prédio em chamas”. Isso significa que eles entendem que para aprender é preciso viver experiências e se arriscar, porque será mais prazeroso do que sempre acertar, seguindo sempre um mesmo caminho”, diz Graziella Matarazzo, gerente de projetos do Tellus.

Com isso em mãos, alunos puderam conhecer e se aproximar de novos conhecimentos e descobrir que, assim como o artista renascentista Leonardo da Vinci (1452-1519), agora eles também conseguiriam montar seus protótipos. “Eles sempre falaram sobre o sonho de voar e como faziam para chegar até Marte. Por isso, a gente contou histórias do passado e mostramos que Leonardo Da Vinci fazia protótipos parecidos com o helicóptero de hoje. Se eles fizessem um protótipo de uma nave, alguém poderia dizer no futuro por quem ela havia sido pensada”, disse Graziella. Essas ideias também deram origem a atividades em que as competências socioemocionais aparecem ao longo do percurso e da necessidade de obter conhecimentos técnicos. “Eles criaram cenários e fizeram as pessoas vivendo em Marte usando a parte técnica, como edição de vídeo e storyboard (esboço de cenas), e, antes de começar, tiveram que planejar e trabalhar em grupo”, explicou.

Graziella conta que, no começo do trabalho, os adolescentes estavam receosos e diziam que era muito difícil, mas “hoje já estão a mil, operando 3D, desenhando nas cortadoras”. E isso é perceptível no entusiasmo por aprender demonstrado por Lucas, que apareceu no começo do texto, mas também por seus novos amigos Tarcísio Alves, 15, do 2º ano do ensino médio da Escola Estadual Francisco de Paula Conceição Junior, e José Bruno Melo da Silva, 15, do 1º ano do ensino médio Escola Estadual Deputado Hugo Lacorte Vitale. Em três semanas de aula, eles mostram com orgulho as placas cheias de fios em seu protótipo de nave espacial. O trio faz parte de um total de 240 jovens que devem ser atendidos pelo projeto até o final do ano, quando toda a organização e gestão do laboratório passará a ser feita pelo Instituto Ana Rosa.

TAGS

aprendizagem baseada em projetos, competências para o século 21, ensino médio, experimentação