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Inovações em Educação

Venda de cookies, snacks e sopas gera recursos para educação

Aliança Futuro da Criança cria modelo para resolver um dos principais problemas dos projetos sociais, a sustentabilidade

por Fernanda Nogueira 18 de julho de 2017

Criado há pouco mais de um ano, o Instituto Aliança Futuro da Criança nasceu com um objetivo bem definido: contribuir para a área da educação. Mas como fazer isso de forma diferente e eficaz? Foi a partir dessa reflexão que surgiu a ideia de criar uma marca de produtos, a Dos Anjos, que pudesse ter 100% de seus lucros revertidos para o investimento em projetos sociais já existentes.

Toda a concepção do instituto começou quando sua sócia-fundadora Luana Cunha Lima Rizzi, profissional da área de marketing com experiências em arte e teatro, decidiu migrar para o terceiro setor. Apaixonada por educação, ela uniu um grupo de pessoas, como executivos, empresários e empreendedores, em torno da ideia de usarem suas experiências profissionais e de vida em um projeto que promovesse transformação.

“Começamos a visitar projetos sociais que gostávamos. Percebemos que não tinha nenhum sentido criar um novo, porque encontramos projetos incríveis. Todos tinham problemas em comum. O principal deles era a captação de recursos e, como consequência, dificuldades na gestão”, conta Luana.

O instituto focou então em duas frentes de trabalho: curadoria e gestão das investidas sociais, com o estabelecimento e aprimoramento de critérios para escolher as ações que iria apoiar, e geração de recursos, com a venda de produtos e serviços.

Com a ajuda da especialista em educação e em terceiro setor Simone Coelho, diretora-presidente do Ideca (Instituto de Desenvolvimento Educacional, Cultural e de Ação Comunitária), ficou definido que os projetos a serem apoiados tinham que ser voltados para a educação integral, com o desenvolvimento emocional dos estudantes, além do aprendizado cognitivo. Poderiam ser voltados para o ensino fundamental, para o ensino médio ou para a preparação para o mercado.

“Olhamos para projetos em que a criança ou o jovem se reconhece, cria autoestima, constrói um projeto, desenvolve a autonomia e o protagonismo”, diz Luana. Outro aspecto procurado pelo instituto era que a ação produzisse resultados em larga escala. Mesmo que tivesse começado pequeno, precisava ser capaz de aumentar o alcance no futuro. Além disso, deveria ter solidez metodológica, ou seja, ter aprendido a lidar com as adversidades encontradas no caminho.

Quando o assunto é a captação de recursos, de acordo com Luana, o problema é que os projetos sociais sobrevivem principalmente de doações e incentivos. “Essa é uma forma de se sustentar bastante vulnerável. Cada ano é completamente diferente do outro. Às vezes, os principais patrocinadores cortam recursos de uma hora para outra. De repente, os projetos perdem o que conquistaram”, explica.

Para resolver esta questão, o instituto montou o mesmo modelo de uma empresa. A única diferença é que a Dos Anjos é uma marca para geração de recursos para a educação. Seus produtos têm de ser acessíveis e capazes de dar lucro. O instituto fez uma pesquisa de mercado e começou com uma linha de alimentos, que tem cookies, mel, sopas e snacks. “Não pedimos doações. Funcionamos como um negócio. Todos os agentes envolvidos têm resultado e margem com a gente”, conta Luana. Isso significa que os fabricantes, os funcionários e os canais de vendas são remunerados. Já o lucro com as vendas é investido nas ações sociais.

Os produtos, que começaram a ser comercializados em novembro de 2016, já estão disponíveis em mais de mil pontos de venda, como os mercados St Marche, os hortifrutis Oba, a Casa Santa Luzia e a Drogaria São Paulo. A maioria dos locais fica no estado de São Paulo, mas há planos de expansão para outros estados, principalmente no Sul e Sudeste.

Desta maneira, o instituto consegue criar recursos para a educação e acompanhar o investimento na ponta, para garantir que o resultado seja alcançado. “A pessoa que compra o produto faz uma escolha de consumo, que tem uma causa por trás. As gerações mais jovens estão cada vez mais conectadas com isso. As pessoas querem contribuir de alguma maneira, mas falam que não têm tempo, não sabem como ajudar, não sabem se confiam nos projetos, não têm dinheiro sobrando. Ao comprar os produtos da marca, podem ajudar de maneira simples e podem acompanhar o investimento pelos canais digitais”, afirma Luana.

O instituto também conta com a participação de empresas parceiras. Elas colaboram comprando os produtos para seus funcionários, como acontece com o Google e a Bloomberg, para seus clientes, como a Porto Seguro, ou divulgando, como o Grupo Ultra, que chamou a marca para vender seus produtos em um evento.

Esporte, potencial e arte
Os três primeiros projetos escolhidos pelo instituto para serem apoiados foram o Instituto Esporte & Educação, a organização Vocação e o projeto Locomotiva. Criado pela atleta Ana Moser, o Instituto Esporte & Educação usa o esporte como ferramenta educacional. Entre suas atividades está o atendimento a crianças de comunidades de baixa renda, a capacitação de professores da rede pública de ensino e o desenvolvimento da metodologia do esporte educacional.

Com quase 50 anos, a organização Vocação atua em três frentes. Atende crianças de 7 a 12 anos, tem um projeto para adolescentes e outro voltado para o mercado de trabalho. O foco principal é identificar e potencializar as características e potenciais de cada um. Todos os programas abordam a questão da importância do envolvimento da família e da comunidade no processo de evolução educacional.

Localizado em Santo André (SP), o projeto Locomotiva é uma escola de música. Para conseguir uma vaga, a criança ou adolescente precisa estar matriculado na escola. Ela ou ele participa do projeto todos os dias, de segunda a sexta, no contraturno escolar. Desde o primeiro dia de aula, tem contato com o instrumento musical que vai tocar e em pouco tempo já é capaz de entoar uma melodia. A orquestra se apresenta em auditórios e empresas.

O instituto faz questão de atuar em conjunto com os projetos, escutando seus líderes para descobrir seus pontos fortes e onde podem investir para aumentar a capacidade deles. “Fazemos um plano de gestão junto com eles e definimos métodos ao longo do investimento para irmos corrigindo a rota”, conta Luana.

A meta do instituto era atingir 6.000 pessoas no primeiro ano de atuação, entre crianças, adolescentes, jovens e professores. O impacto está em processo de avaliação, com uma primeira percepção positiva dos educadores. O estudo deve ser finalizado entre agosto e setembro.

Para o futuro próximo, o instituto pretende colocar mais opções de produtos à venda, chegar a cada vez mais pessoas, e fortalecer o núcleo de educação, incluindo mais especialistas da área no conselho. Com isso, poderá amadurecer os critérios de curadoria e garantir a escolha certa de mais projetos sociais a serem apoiados, já com o aprendizado adquirido com os três primeiros. “Queremos fortalecer a banca avaliadora. Trazer novos olhares para, nos próximos meses, lançarmos uma campanha para projetos que queiram ser apoiados trazerem propostas”, adianta Luana.

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