Solve For Tomorrow é uma iniciativa global de cidadania corporativa da Samsung que estimula estudantes do Ensino Médio de escolas públicas a desenvolverem soluções para problemas reais de suas comunidades
Beatriz Vitória da Silva, 18 anos, nasceu e cresceu em uma comunidade de produtores de farinha de mandioca. Sarah Moura Cruz, 19 anos, é filha de produtora do sisal, uma planta comumente usada na produção de cordas e fios. As duas jovens são do sertão nordestino e não imaginavam que se destacariam em uma carreira acadêmica, mas a participação nos clubes de ciência escolares e a experiência de programas de Aprendizagem Baseada em Projetos transformou suas vidas.
Beatriz é hoje vencedora do Prêmio LED Globo 2026 na categoria “estudante do ensino médio” com o projeto “Filtropinha”, um reconhecimento que faz parte do Movimento LED Globo – Luz na Educação, uma iniciativa da Globo e Fundação Roberto Marinho, que visa reconhecer e impulsionar projetos inovadores em educação.
Filha de agricultores e moradora do quilombo do Brejo de Dentro, em Carnaíba (Pernambuco), ela desenvolveu, junto a colegas da Escola Técnica Estadual Professor Paulo Freire, um filtro ecológico feito com casca de pinha e carvão ativado para reduzir a toxicidade da manipueira, o resíduo gerado na produção da farinha de mandioca. “Se eu não tivesse desenvolvido um projeto de pesquisa com os colegas, se não tivesse errado e aprendido com esses erros, não teria chegado até aqui”, reflete.
A solução permite o reaproveitamento mais seguro da água e ainda transforma os resíduos do filtro em fertilizante, com um protótipo de baixo custo, inferior a R$ 5. O projeto foi também o vencedor do programa Solve for Tomorrow Brasil, em 2024. Presente na América Latina desde 2014, o programa da Samsung mobiliza comunidades escolares para elaborar, construir e sistematizar protótipos de soluções inovadoras para questões que afetam o cotidiano das juventudes e suas comunidades.
Com base na estrutura do Design Thinking, estudantes são convidados a identificar o problema, pensar cientificamente sobre suas causas e possíveis soluções e elaborar um protótipo para uma solução que responda de forma inovadora ao que foi identificado.
No caso de “Filtropinha”, a ideia nasceu a partir de um desafio escolar para criar soluções para problemas locais e acabou se tornando símbolo de inovação ligada à educação e à sustentabilidade. “Começou com um convite dos professores Gustavo Bezerra e Carla Robécia para participar de um clube de ciências. Foi quando eu entendi o que era um projeto científico pela primeira vez”, recorda.
Quando chegou a hora de pensar num problema real que poderiam solucionar com STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), olharam para dentro da própria realidade. “A gente via que a produção da farinha de mandioca tinha um descarte inadequado desse líquido tóxico”, observa.
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O projeto, então, se propôs a reduzir ou mesmo eliminar o ácido cianídrico presente na manipueira, que é o principal causador de problemas de saúde e meio ambiente. O protótipo final foi composto por um suporte fabricado em impressora 3D, acompanhado de um filtro feito com papel, algodão, farinha de casca de pinha e carvão ativado feito a partir dessa mesma casca. Saiba mais sobre o projeto aqui.
“Foi muito gratificante poder ajudar a minha própria comunidade. Além disso, receber todo esse reconhecimento é indescritível. A gente se inscreve num programa como esse, mas não imagina que realmente vai conseguir. A escola nos recebeu de volta depois da premiação do Solve for Tomorrow de um jeito inesquecível, acho que toda a comunidade se sentiu beneficiada, sabe?”, declara.
Beatriz é estudante atualmente do 1º semestre da faculdade de Economia da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e quer aliar essa formação com os estudos relacionados ao meio ambiente. “Já entrei na faculdade procurando vagas de projeto de extensão, porque eu não me vejo mais sem fazer projetos assim. Foram três anos de ensino médio pesquisando, faz parte de mim”, destaca.
Transformação que nasceu no clube de ciências
Já a história da Sarah Cruz começa com o clube de ciências que a professora Pachiele Cabral coordena no Centro Territorial de Educação Profissional (CETEP) do Sisal II, no município de Araci, interior da Bahia. “Durante um dos nossos debates, surgiu a ideia de desenvolver luvas biodegradáveis a partir do sisal. Eu nunca havia experimentado nada relacionado ao mundo científico antes desse projeto”, conta a jovem, referindo-se ao “Produção de luvas a partir do bioplástico”, vencedor do júri popular do programa Solve for Tomorrow no país, em 2022.
Sob mediação da professora, Sarah e mais quatro estudantes do 1º ano do ensino médio (antepenúltimo ano de escolaridade básica obrigatória) notaram que o volume de resíduos gerados pelas luvas, apenas nos estudos laboratoriais da própria escola, era alto no final do dia. A equipe pensou em uma forma de trazer mais sustentabilidade a esse uso e ao mesmo tempo valorizar a cadeia produtiva do sisal.
Araci tem uma produção muito grande dessa planta, mas não se desenvolve economicamente no sisal, de acordo com a professora, pois tudo é levado para indústrias de outras cidades, que depois exportam esse material e os produtores locais não conseguem ter muito lucro. Por isso, pensaram em possibilidades do que pode ser feito com o sisal, já que apenas 3% dele é utilizado para as fibras, 93% é descartado e o restante serve como alimento para gado em período de seca.
“Minha mãe, aos 7 anos de idade, trabalhava no motor de sisal. Então, ressignificar o uso do sisal e chegar onde chegamos foi muito importante tanto para ela quanto para mim”, destaca Sarah.
Segundo ela, o projeto transformou a própria cidade, porque, a partir do reconhecimento que receberam com o Solve for Tomorrow, outras pessoas passaram a se interessar e hoje também fazem parte desse movimento STEM. “Nossa experiência serviu como espelho até para o município em si. Porque antes só havia clube de ciências na escola estadual, hoje já é implementado nas escolas fundamentais municipais”, complementa.
Sarah agora cursa o 3º semestre do curso de Enfermagem, e é bolsista integral do Programa Universidade para Todos (Prouni). Apesar da rotina puxada da faculdade, ela arranja tempo para ser co-orientadora de outros projetos desenvolvidos na mesma escola onde estudou, atuando como mentora voluntária para os mais novos. “Como Pachiele sempre conversou comigo que nos deu a oportunidade que ela gostaria de receber na adolescência dela, carrego esse lema comigo para agregar ainda mais nesse mundo STEM”, diz.
Mas de início não foi fácil, lembra Sarah. A falta de experiência e de autoconfiança foi um obstáculo que tiveram que superar, ainda muito novos, por volta dos 15 anos. “Por ser algo totalmente novo e por sermos de uma cidade pequena do interior, além de estudarmos em escola pública, muitas vezes, nós mesmos não acreditávamos no nosso potencial. Disputar em nível nacional exigiu muita coragem e persistência”, avalia, olhando para trás.
O esforço valeu a pena e virou a vida de Sarah de cabeça para baixo, mudando sua forma de pensar e de enxergar o seu entorno. “Passei a entender que muitas das limitações que vemos são apenas degraus para conhecermos oportunidades além dos muros da escola”, afirma.
Na faculdade, ela recebeu a proposta de ser monitora de trabalhos científicos da própria instituição e já vislumbra a carreira acadêmica se desdobrando em um mestrado futuramente. Para outras garotas que pensam em colocar a mão na massa em projetos STEM, Sarah deixa o conselho: “Não tenham medo e, acima de qualquer coisa, nunca duvidem da própria capacidade. Nem sempre nossos objetivos dão certo, mas é justamente nas dificuldades que conseguimos enxergar muito além da nossa bolha e descobrir novos caminhos”.
Saiba mais sobre o projeto vencedor do voto popular do Solve for Tomorrow Brasil (2022) aqui.
Saiba mais sobre a plataforma Solve for Tomorrow Latam
O conteúdo da plataforma Samsung Solve for Tomorrow Latam é coordenado e produzido pela Agência Porvir e voltado à rede de educadores de todos os países da América Latina. Disponível em português, inglês e espanhol, a plataforma oferece uma coleção abrangente de referências e práticas pedagógicas inspiradoras em educação STEM (Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática). O material é fruto das experiências de educadores que participaram do Samsung Solve for Tomorrow nos últimos 10 anos, compartilhando projetos inovadores realizados em escolas públicas da América Latina.

