O debate político se intensifica com a proximidade do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para o próximo domingo, 25 de outubro de 2026. Nas escolas, nas ruas e nas conversas em família, a votação mobiliza opiniões e dúvidas.

Na escola, essas conversas podem ajudar os estudantes a compreender a política e formar suas próprias opiniões. Para isso, é preciso abrir espaço para o diálogo e respeitar diferentes pontos de vista, sem promover partidos ou candidatos.

Esse trabalho vai além do período eleitoral. Compreender direitos, avaliar informações e participar de decisões coletivas faz parte da educação cidadã durante todo o ano. Os jogos podem apoiar esse processo ao colocar os estudantes diante de situações que envolvem administrar recursos públicos, conhecer as instituições e identificar desinformação.

Com a mediação do professor, essas experiências se aproximam do cotidiano da turma e ajudam a discutir as escolhas feitas, suas consequências e as possibilidades de participação na comunidade.

Confira nove jogos para trabalhar política, cidadania e democracia com os estudantes:

1. IAgora? – Gênero, eleições e fake news

A experiência interativa do Politize!, organização da sociedade civil sem fins lucrativos de educação política no Brasil. convida os participantes a assumir o papel de coordenadores de campanha de uma candidata fictícia durante uma eleição. Ao longo do percurso, os jogadores enfrentam situações relacionadas à desinformação de gênero no ambiente digital e precisam identificar estratégias de manipulação, analisar conteúdos enganosos e tomar decisões para reduzir seus impactos no debate público. A atividade permite discutir como as fake news afetam a participação política e a representação de mulheres na política.

Acesse: IAgora? – Gênero, eleições e fake news

2. Jogo da conversa – 2026

Na experiência interativa da Arvor-Politize, o participante escolhe um personagem e simula conversas com eleitores de diferentes posições políticas. As decisões sobre como ouvir, responder e encerrar o diálogo afetam a confiança e o desfecho de cada encontro. Com objetivo explícito de conquistar votos para Flávio Bolsonaro, o jogo pode ser analisado para discutir persuasão, escuta e o uso de recursos lúdicos na comunicação eleitoral.

Acesse: Jogo da conversa

3. Cidade em jogo

Desenvolvido pela Fundação Brava e pelo Brazil Institute do Woodrow Wilson Center. O simulador online coloca os participantes no papel de prefeitos, responsáveis por administrar uma cidade e definir prioridades de governo. Ao longo da experiência, os jogadores exploram 117 políticas públicas e precisam considerar os impactos de suas decisões no orçamento, na satisfação da população e na infraestrutura municipal. A atividade permite discutir gestão pública, planejamento e participação política.

Acesse: Cidade em Jogo e a reportagem do Porvir sobre o projeto


Conheça os jogos e as oficinas do Coletivo 3Palitos

Fundado em 2016, o coletivo 3Palitos reúne os jornalistas Felipe Neves, Gerson Camargo e João Almeida e a consultora Alexandra Papini. Segundo reportagem da Agência Mural, o grupo realiza oficinas para públicos a partir de 13 anos com jogos sobre o funcionamento do poder público. Entre eles estão o Passa-Lei, sobre a tramitação de propostas; o Jogo do Orçamento, sobre investimentos municipais; e o Jogo das Eleições, que explica como os votos se transformam em cadeiras no Legislativo.


4. Game da cidadania

Desenvolvido pela CGU (Controladoria-Geral da União) em parceria com a UFG (Universidade Federal de Goiás), o jogo digital gratuito apresenta dilemas éticos vividos por personagens adolescentes, especialmente no ambiente escolar. Os participantes fazem escolhas diante de situações cotidianas, que podem servir de ponto de partida para discutir ética, cidadania, direitos humanos e responsabilidades na vida em sociedade. O recurso conta com quatro versões, com diferentes situações, e pode ser utilizado online e offline.

Acesse: Game da cidadania

5. Quebra-cabeças: Constituição e cidadania

A Câmara dos Deputados conta com o Plenarinho, um portal que reúne jogos, passatempos, quadrinhos e outras atividades para aproximar crianças e adolescentes do funcionamento da política brasileira. Os recursos abordam temas como a elaboração das leis, as atribuições de representantes eleitos e a organização dos poderes. A iniciativa também promove o Câmara Mirim: nela, estudantes simulam a atuação de deputados, desde a elaboração de propostas até a votação em plenário. Entre os jogos, está o “Quebra-cabeças: Constituição e cidadania”

Acesse: Jogos do Plenarinho

6. Pares da democracia

O jogo de memória online do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI), apresenta conceitos relacionados à democracia e à participação cidadã. Por meio da associação de pares, os participantes podem conhecer e retomar termos ligados à vida democrática e ao processo eleitoral. A atividade pode servir como ponto de partida para conversar sobre o significado desses conceitos e sua relação com o cotidiano.

Acesse: Pares da democracia

7. Outras histórias, novas identidades

O baralho faz parte da trilha de Equidade Racial da Viven e reúne personalidades negras que marcaram a história do Brasil. A proposta é ampliar o reconhecimento dessas trajetórias e estimular reflexões sobre representatividade, identidade, racismo e discriminação. Em sala de aula, o material pode ajudar a relacionar o reconhecimento de diferentes grupos sociais à discussão sobre igualdade de direitos e participação na sociedade.

Saiba mais: Viven – Vivências educativas

8. Sociedade conectada 2.0

O kit de cartas Educação Midiática na Sociedade Conectada 2.0, lançado pelo Instituto Palavra Aberta, por meio do programa EducaMídia, reúne recursos para explorar temas como jornalismo e informação, mídias sociais, publicidade, produção de mídia e tecnologias algorítmicas. As cartas podem ser usadas em atividades que estimulem os estudantes a analisar criticamente as informações, refletir sobre a circulação de conteúdos e compreender como escolhas e comportamentos influenciam o ambiente digital. A proposta abre espaço para discutir desinformação, discurso de ódio e participação responsável na sociedade.

Acesse: Kit Sociedade Conectada 2.0

9. Pedras no caminho da participação

Criado por adolescentes mobilizadores da Rede Não Bata, Eduque, o jogo foi desenvolvido para sensibilizar os participantes sobre o direito à participação de crianças e adolescentes. O jogo é físico, mas conta com uma versão digital e propõe uma experiência lúdica para refletir sobre os obstáculos que dificultam essa participação infantojuvenil e a importância de garantir que a infância e a adolescência sejam ouvidas e tenham suas opiniões consideradas. O recurso pode ser utilizado por educadores em escolas, grupos comunitários e organizações sociais. 

Acesse: Pedras no caminho da participação

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Estudante de Jornalismo e estagiária. Tem forte interesse em educação e cultura, atuando na produção de conteúdos para redes sociais e na cobertura dos temas educacionais.

Jornalista especializada em educomunicação, com estudos em mídia e cultura na América Latina. Trabalhou no Instituto Paulo Freire, onde aprofundou seu compromisso com a EJA e a educação em direitos humanos. No Porvir, escreve para todas as editorias....