Educação na Copa: professores inspiradores da África - PORVIR
Ronaldo Abreu / Porvir

Inovações em Educação

Educação na Copa: professores inspiradores da África

Confira os professores inspiradores e inovadores do continente Africano

por Redação ilustração relógio 24 de novembro de 2022

Camarões

Clement Ngosong
Educador social

Em Muyuka, Camarões, cerca de 90% das famílias dependem da agricultura. Ao crescer, Clement Ngosong e seus amigos na zona rural não foram estimulados a estudar ou mesmo tiveram contato com uma orientação sobre qual carreira seguir. Depois da aula, as crianças ajudavam suas famílias nas plantações. No entanto, ao se mudar para a capital Yaoundé, para morar com o irmão mais velho, experimentou um padrão diferente de educação.

Ao virar monitor na escola, Clement passou a ajudar outros alunos a escolher as matérias certas para suas aspirações de carreira e a ensinar tópicos que eles ainda não entendiam completamente. Isso alimentou seu amor por trabalhar com alunos que precisavam de orientação. Aos 17 anos, começou a trabalhar como voluntário em organizações sem fins lucrativos. Alguns desses projetos envolviam ensinar alunos em regiões em crise, organizar limpezas comunitárias e visitar orfanatos com presentes. Cerca de mil jovens foram impactados por seus projetos em menos de um ano.

Em 2019, Clement foi voluntário no programa da ONG Open Dreams, ensinando e orientando vinte e cinco alunos de Alta Conquista e Baixa Renda (HALI) de Camarões que estavam em busca de bolsas de estudo. Ele também lançou uma iniciativa chamada Youths Inspiration, que apoia os jovens a criar mudanças positivas, compartilhando trajetórias inspiradoras de jovens transformadores em Camarões. Por meio desse projeto, alcançou mais de 1.000 alunos do ensino médio, organizou quatro conferências e criou um workshop multinacional para jovens na África Ocidental.

Fonte: Global Teacher Prize

Marrocos

Charif Hamidi
Empreendedor em educação

Charif vem de uma família de educadores, mas foi só depois de conhecer sua esposa Naida que decidiu se dedicar totalmente ao ensino. Quando criança, durante a guerra da Bósnia, Naida e sua família foram presos em um campo de concentração. Quando os guardas a viram lendo um livro, disseram à mãe que, se a vissem lendo novamente, eles os matariam. Essa experiência traumática, no entanto, apenas alimentou sua paixão pela leitura e pela educação.

Anos depois, em uma visita ao Marrocos, Charif notou como as crianças brincavam continuamente nas ruas durante o horário escolar. No país, menos de 15% dos alunos da primeira série tem probabilidade de concluir o ensino médio, 90% das meninas e mulheres nas áreas rurais são analfabetas e apenas 10% delas frequentam a universidade. Quando Charif perguntou às crianças por que não estavam na escola, elas responderam: “Não consigo entender o que a professora está dizendo”; “Tenho que trabalhar na lavoura e ajudar meu pai”; “A escola é muito longe, e o professor nunca aparece”.

Naida sugeriu que ele ensinasse essas crianças usando algumas das ferramentas digitais que a dupla havia desenvolvido ao pesquisar o papel de edtechs na melhoria da aprendizagem. Em duas semanas, as crianças progrediram de mal reconhecer números para dominar adição e subtração simples. Na verdade, as crianças vieram procurar Charif, onde ele estava hospedado, para que pudessem continuar a “brincar de matemática”! Aquele momento o fez realizar sua ambição: lançar o “Ed4.0” – um projeto de tecnologia educacional que traz prosperidade econômica e justiça social para a quarta revolução industrial.

Desde então, Charif lançou a Ed4.0 Mobile, uma escola itinerante que percorre as áreas rurais com um programa que ajuda a diminuir as lacunas em matemática dos alunos. O Ed4.0 Smart Lab é aplicativo escalável e de baixo custo que permite que crianças em áreas rurais aprendam as habilidades necessárias para os mercados de trabalho da quarta revolução industrial. Com essas abordagens, a sala de aula passa a ser centrada no aluno, onde os professores não são “sábios no palco”, mas sim facilitadores.

Fonte: Global Teacher Prize

Senegal

Assane Ndiaye
Lycée De Mbacke 2

Assane é professor há 28 anos. Sua carreira se tornou um sinônimo de perseverança, dedicação, ambição e comprometimento em garantir uma boa educação para as crianças. Ele começou em 1990, como professor primário assistente. Após iniciar curso superior em educação, obteve um mestrado em estudos literários antes de ingressar na École Normale Supérieure, em Dakar, onde se qualificou no ensino secundário, em 2015. Atualmente, é professor do ensino secundário no Lycée De Mbacke 2. 

Nesta parte do Senegal, estudantes percorrem grandes distâncias até as escolas, que muitas vezes carecem de banheiros e água potável. Durante epidemias de malária, que ocorrem entre outubro e dezembro, a instituição sofre com evasão de estudantes. A falta de infraestruturas e de recursos pedagógicos dificulta muito o alcance de todos os objetivos traçados.

Ao longo de sua carreira, Assane reteve alunos e melhorou a oferta educacional, combinando atividades acadêmicas e extracurriculares. Em sala de aula, ele mistura teoria e prática, sempre destacando conhecimentos e habilidades para a vida. A experiência adquirida por Assane também lhe permitiu capacitar os colegas para obter seus diplomas profissionais e melhorar sua prática em sala de aula, a fim de proporcionar aos seus alunos uma educação de qualidade. A taxa média de conclusão de seus alunos para o Certificado de Ensino Fundamental é alta: cerca de 70%, entre 1994 e 2009, com um recorde de 100%, em 2000. Desde 2008, ele também apresenta um programa de rádio para incentivar alunos e sensibilizar a comunidade para a importância da educação.

Fonte: Global Teacher Prize

Gana

Evans Odei
Achimota Senior High

O professor de matemática Evans leciona há 20 anos em escolas públicas de Gana. Depois de ensinar em várias instituições, inclusive em aldeias remotas, foi na Swedru School of Business Senior High, onde passou 12 anos de sua carreira docente, que enfrentou um de seus maiores desafios. Os alunos faltavam às aulas, principalmente de matemática, e isso prejudicava o acesso à universidade. Vulnerabilidade social, casos de gravidez na adolescência e a tentação de serem atraídos para o crime eram obstáculos adicionais.

Evans montou uma “Clínica de Matemática” gratuita, realizada aos finais de semana. A partir daí, dificuldades foram diagnosticadas e soluções duradouras encontradas com o uso criativo da tecnologia. Essas estratégias fizeram com que seus alunos acabassem aprendendo matemática com facilidade, emoção e alegria. Essa mudança na percepção e na participação levou a uma redução acentuada na evasão escolar, uma melhoria nos resultados de exames de larga escala e sua escola se tornou uma das 16 em Gana a participar de um desafio internacional de STEM com escolas estrangeiras.

Fonte: Global Teacher Prize

Tunísia

Riadh Zammali
Gyathi Centre Zayed Higher Organization, Abu Dhabi

Apaixonado por esportes, Riadh Zammali apoia os estudantes da escola a desenvolverem suas habilidades – e inclusive seu caráter – por meio da Educação Física. No início de sua carreira, frequentemente pagava as passagens para que seus alunos pudessem competir em eventos nacionais. Nesse período, eles conquistaram mais de 15 medalhas nos campeonatos escolares do país.

Já quando ingressou no Centro Ghayathi para Pessoas com Deficiência, nos Emirados Árabes Unidos, seus alunos ganharam mais de 100 prêmios nacionais e internacionais em diferentes esportes. Durante esse período, Riadh lançou um currículo de programação para estudantes com deficiência, buscando capacitá-los com habilidades STEM.

Fonte: Global Teacher Prize

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TAGS

ensino fundamental, ensino médio, ensino superior, Série Copa da Educação

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