Estudante de Serra Leoa leva eletricidade para comunidades e ganha Global Student Prize - PORVIR
reprodução / Global Student Prize

Inovações em Educação

Estudante de Serra Leoa leva eletricidade para comunidades e ganha Global Student Prize

Para a primeira edição do prêmio, foram mais de 3,5 mil indicações de 94 países. Brasileira aparece entre os 10 finalistas

por Ana Luísa D'Maschio / Ruam Oliveira ilustração relógio 10 de novembro de 2021

“Sou apaixonado por energia sustentável porque me conecto diretamente com o problema”, diz Jeremiah Thoronka, de 20 anos, ganhador do Global Student Prize, premiação mundial voltada para estudantes que promovem grandes mudanças nas formas de aprendizagem de suas comunidades locais. Jeremiah desenvolveu o Optim Energy, sistema de energia cinética sustentável baseado exclusivamente no movimento dos pedestres para criar uma corrente de energia limpa. O impacto de sua iniciativa, que levou luz a 150 famílias e 9 mil estudantes de Serra Leoa, rendeu-lhe a escolha e o prêmio final de US$ 100 mil.

Foram mais de 3,5 mil inscrições de 94 países. Entre os 10 finalistas, estava a estudante brasileira Ana Julia Monteiro de Carvalho – outros brasileiros figuraram no grupo dos 50 mais bem classificados (confira abaixo). A cerimônia online do prêmio, criado pela Fundação Varkey em parceria com a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), aconteceu nesta quarta-feira, 10 de novembro.

O prêmio, tido como “Nobel da Educação”, sempre foi direcionado a professores. Apenas em 2021 lançou a categoria com estudantes.

Nascido durante a guerra civil de Serra Leoa, Jeremiah cresceu em uma casa sem eletricidade. Aos 10 anos, após ganhar uma bolsa para cursar uma das melhores escolas da região, vivia entre dois mundos: a energia disponível em todos os ambientes do colégio e a escuridão que encontrava ao chegar à sua comunidade, em Freetown (capital do país): todos os dias, às 18h, o bairro ficava às escuras.

Localizada na África Ocidental, Serra Leoa tem uma das taxas mais baixas de eletricidade do mundo: 89% da população não têm acesso a luz elétrica ou gás. Lenha e carvão são as únicas fontes disponíveis para iluminação e cozinhar. Como resultado da queima, além da destruição ambiental e do impacto climático, a inalação da poluição fotoquímica causa graves problemas respiratórios. Jeremiah viu a saúde de muitos de seus amigos ser afetada, além de recorrentes incêndios acidentais. Transformar esse cenário motivou o jovem a estudar e se especializar na área de energia.

Hoje, Jeremiah é um jovem empreendedor focado em contribuir de maneira significativa com o futuro energético na África. “O Optim Energy absorve a energia cinética. Quando instalado, as pessoas criam energia sem notar que a estão produzindo”, explica Jeremiah sobre seu projeto. Além do equipamento, o Optim Energy promove iniciativas para conscientizar os cidadãos sobre sustentabilidade e apoia a criação de um setor de energia renovável no país. “Os estudantes dessa geração estão à frente de grandes desafios. Nós lhes agradecemos por todas as contribuições para criar impacto real na sociedade”, disse o ator Hugh Jackman antes de anunciar a vitória de Jeremiah Thoronka.

Brasileira entre os 10 finalistas

Aos 18 anos, Ana Julia Monteiro de Carvalho, de Maceió (Alagoas), apareceu entre os 10 finalistas do prêmio deste ano, como a única representante da América Latina. Inovadora desde muito jovem, aos 13 anos Ana Júlia integrou a equipe de fundação da primeira Liga LEGO de competição robótica em equipes, da qual se tornou vencedora na categoria regional apenas dois anos após a criação.

Com o aumento da procura por robótica nas escolas de sua região, Ana também contribuiu bastante com a causa. Escreveu um guia de programação com cerca de 100 páginas para ajudar novos estudantes que estavam ingressando em competições. O texto trazia dicas das próprias inovações que ela havia projetado.

A trajetória de inovação de Ana Júlia segue firme. Em 2016, ela cocriou o Aerador Sustentável, um mecanismo para aperfeiçoar a produção de leite como forma de subsistência em países em desenvolvimento. Ela também ajudou a desenvolver um projeto de telhado sustentável feito de vidro reutilizado e ainda um sistema de desinfecção mecânico para Covid-19 que não utiliza energia elétrica.

Além de Ana Júlia, Alex Gamaliel, de São Paulo, e Anna Aragão, do Rio de Janeiro, figuraram na lista de 50 finalistas do prêmio, que farão parte de uma comunidade a fim de colocar em prática as mudanças sugeridas.


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empreendedorismo, Global Student Prize, Global Teacher Prize, prêmios

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