Quando crianças, os irmãos Roberto e Eduardo Sonnino tropeçavam em teclados e computadores em casa. O pai, desenvolvedor de sistemas, incentivou que, desde pequenos, os meninos criassem certa intimidade com as máquinas. O estímulo deu tão certo que, antes dos 12, os meninos já desenvolviam seus próprios programas; no ensino médio, participaram da primeira de uma série de competições mundiais de tecnologia. Neste mês, aos 24 e 22 anos respectivamente, a dupla apresentou na Austrália dois sistemas educativos, o Eureka e o Fusion 4D, desbancaram 350 adversários de 75 países e alcançaram um feito inédito: o primeiro lugar em três das oito categorias na Imagine Cup, olimpíada mundial da Microsoft para estudantes desenvolvedores.

“Nos baseamos na nossa experiência. Nós somos estudantes e vemos que a tecnologia está subutilizada na educação. As aulas são chatas, dão sono”, diz Roberto, que acaba de se formar em engenharia da computação na Poli/USP; o irmão mais novo cursa a mesma engenharia, mas na Unicamp. Para tentar tornar as aulas mais interessantes, então, os jovens resolveram criar um sistema que, com auxílio da tecnologia, facilitasse a tarefa do professor na hora de montar a aula e fizesse com que a apresentação desse conteúdo estivesse mais próximo do universo dos estudantes.

 

Assim nascia o Eureka, um sistema para criar e compartilhar aulas interativas, que acabou levando duas categorias na Imagine Cup com suas versões para diferentes dispositivos – tablets, celulares, computadores e até Kinect. Nele, o professor só precisa inserir o conteúdo, que pode vir das mais diferentes fontes, desde um documento de Word, Excel, Powerpoint, sites, vídeos músicas e até imagens em 3D. O programa se encarrega de agregar todo esse material de maneira visualmente atraente e salvar em uma galeria que deixa o material disponível para ser acessado a qualquer momento e de qualquer lugar por seus alunos ou pelos usuários do Eureka em todo o mundo.

“O mais inovador da plataforma é que ela apresenta as aulas de um jeito não linear e introduz o professor no mundo da tecnologia”

Na sala de aula, o conteúdo apresentado pelo professor pode ser visto e usado pelos alunos a partir de dispositivos que tenham acesso à internet e os estudantes podem fazer anotações e compartilhá-las com os colegas. “O mais inovador da plataforma é que ela apresenta as aulas de um jeito não linear e introduz o professor no mundo da tecnologia”, afirma Roberto. Veja, a seguir, um vídeo preparado pelos irmãos para apresentar o Eureka na Imagine Cup.

 

De acordo com Roberto, o Eureka ainda não está disponível para ser comercializado porque ele e o irmão precisam fazer alguns ajustes. A ideia é que a plataforma possa ser vendida a cerca de R$ 10 por aluno para as escolas. O programa, diz o jovem, é facilmente acoplável a sistemas educativos on-line que já tenham sido estabelecidos nas escolas.

“Com o Kinect, que custa hoje entre R$ 300 e R$ 400, dá para chegar a níveis de interação que não eram possíveis nem com hardwares de US$ 10 mil”

O Eureka também tem potencial de ser usado com o Fusion 4D, a outra invenção  premiada dos Sonnino. O programa é uma interface que ajuda a interagir com objetos 3D, que podem ser explorados pelo Kinect. Ele permite que as imagens sejam movidas, aumentadas, diminuídas, giradas e até explodidas para que os alunos possam ver de que as peças – seja um esqueleto, uma máquina ou um cérebro – são compostas internamente. É possível também ver como organismos vivos se modificam com o tempo – é possível ver a evolução de um feto ao longo dos meses, por exemplo.

“O conteúdo 3D sempre foi pedagogicamente muito interessante, mas ele era muito difícil de se desenvolver e sempre dependeu de hardwares muito caros”, diz Roberto. Até agora, para que uma aula possa ser dada em três dimensões, é preciso que um ambiente inteiro seja montado para este fim. Com o Fusion 4D, explica o jovem, essa experiência pode ocorrer em qualquer sala de aula. Basta ter um Kinect e uma televisão. “Com o Kinect, que custa hoje entre R$ 300 e R$ 400, dá para chegar a níveis de interação que não eram possíveis nem com hardwares de US$ 10 mil”, afirma.

No vídeo sobre o Fusion 4D que os irmãos elaboraram para apresentar na Imagine Cup, eles ressaltam que a consciência espacial é fundamental em algumas áreas do conhecimento, como engenharia, arquitetura, medicina e biologia. Tradicionalmente, dizem, essas habilidades são desenvolvidas por vídeos ou imagens, recursos que não permitem uma experiência completa. As alternativas dependem do desenvolvimento de realidade virtual ou do uso de modelos físicos o que, segundo os Sonnino, é “caro, trabalhoso e podem enfrentar barreiras éticas e geográficas”.

Assista ao vídeo, em inglês.

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7 Comments

  1. Muito bom… o sistema de ensino tem que se aprimorar. As novas gerações não suportarão a metodologia atual e com certeza a ideia destes rapazes mostra que o caminho é esse.
    Parabéns pela ideia e pelo prémio !!!

  2. Muito bom… o sistema de ensino tem que se aprimorar. As novas gerações não suportarão a metodologia atual e com certeza a ideia destes rapazes mostra que o caminho é esse.
    Parabéns pela ideia e pelo prémio !!!

    1. Oi Mari,
      Vamos encaminhar o seu e-mail para eles para que entrem em contato com você.
      Grande abraço

      Equipe Porvir

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