O sucesso das escolas privadas em 2026 está vinculado à integração entre tecnologia e desenvolvimento humano. Dados da Certificação EX, a maior pesquisa de satisfação escolar do país, realizada pelo Escolas Exponenciais (EX), mostram que 65% das escolas tratam o desenvolvimento e formação de professores como prioridade estratégica. O tema ocupa a segunda posição no planejamento dos gestores, atrás da retenção de alunos (66%), e evidencia que a eficácia pedagógica depende diretamente da capacitação constante de quem media o conhecimento.

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Essa prioridade, no entanto, ainda esbarra em obstáculos culturais que impedem que a estratégia saia do papel e chegue, de fato, ao cotidiano das aulas. O estudo aponta que o desenvolvimento profissional ainda é visto como uma jornada solitária: 57% dos professores dedicam apenas de uma a três horas semanais ao aperfeiçoamento, e quase metade deles (48%) sofre com a ausência de feedbacks (retornos avaliativos) regulares.

Em sua 7ª edição, realizada em 2025, a Certificação EX reuniu quase 16 mil famílias, mais de 2 mil professores e 110 gestores. As percepções coletadas são analisadas por meio do NPS (Net Promoter Score, em inglês), padrão global para mensurar lealdade e recomendação. Com isso, cada escola recebe um relatório exclusivo que funciona como um verdadeiro termômetro institucional. Ao medir o sentimento de famílias e docentes, a gestão deixa de operar por suposições e passa a tomar decisões orientadas por dados reais, alinhando a entrega educacional às expectativas da comunidade.

O incentivo real vai além do discurso

Para Jones Brandão, gerente de soluções educacionais da Arco Educação, essa falta de retorno avaliativo é um ponto crítico que beira o desumano. Ele defende que todo profissional merece saber como está se saindo para conseguir evoluir, alertando que descobrir falhas apenas no momento de uma demissão é uma falha grave de gestão.

Jones explica que o incentivo real não é mero discurso motivacional e nasce do senso de pertencimento. Segundo o executivo da Arco Educação, o professor se sente verdadeiramente motivado quando tem abertura para opinar e influenciar o contexto da escola, vendo seu trabalho ser validado e usado como referência para o coletivo. Além do acolhimento, ele sugere caminhos práticos:

“Outro aspecto de incentivo é a criação de programas de certificação que evidenciem as melhores práticas. Esses programas precisam ter critérios claros de aplicação e avaliação, bem como oferecer premiações. As certificações podem ser um indicador de incremento salarial, o que também gera um natural incentivo”, afirma Jones.

Etapa de ensinoPercentual de feedback
Educação infantil60%
Ensino fundamental – Anos iniciais56%
Ensino fundamental – Anos finais48%
Ensino médio 46%

A barreira do esforço individual e o “apagão”no ensino médio

A maturidade de uma escola só é alcançada quando o desenvolvimento deixa de ser um “evento” isolado. Jones reforça que a qualidade do ensino não pode depender da boa vontade de um professor que estuda por conta própria e deve ser resultado de um currículo formativo que aproveite a própria rotina escolar como catalisadora.

Essa estrutura de apoio, contudo, enfraquece à medida que os alunos avançam nos ciclos. Se na educação infantil 60% dos professores recebem feedback constante, no ensino médio esse índice cai para 46%, justamente na etapa em que o acompanhamento pedagógico é ainda mais decisivo, devido à carga de conteúdo, múltiplos docentes por turma e pressão por desempenho, tornando o retorno pedagógico ainda mais necessário.

Bruno Alvarez, diretor de esino e inovações da empresa de tecnologia educacional Geekie, explica que a pressão por conteúdos e a rotina dos professores “horistas” (contratados por hora de aula, e não por jornada fixa semanal ou mensal) criam um nó logístico. Esse cenário afasta os coordenadores da sala de aula, focando mais em “apagar incêndios” do que em mudanças estruturais.

Bruno alerta que, sem um acompanhamento que ligue o estudo à prática real, a formação acaba sendo apenas um desejo do gestor que nunca vira cultura coletiva. Um outro ponto sensível destacado pelo diretor da Geekie é a insegurança de coordenadores com formação generalista no momento de avaliar professores de áreas específicas e densas, tais como física e química.

Esse cenário afasta os coordenadores da sala de aula, focando mais em “apagar incêndios” do que em mudanças estruturais.

Ele avalia que o incentivo real exige ações concretas de reconhecimento: “Saber que sua prática está sendo percebida e reconhecida, ter seu trabalho validado e usado como referência no coletivo são algumas das ações que incentivam o professor a criar raízes na instituição”.

Formação como proteção

A pesquisa também evidencia um paradoxo: embora a inteligência artificial seja uma urgência para 43% dos gestores, é o vínculo humano que segura o aluno na escola. Nesse contexto, instituições que negligenciam o impacto da evolução do professor na aprendizagem correm riscos financeiros diretos.

O cenário em números (Certificação EX):

IndicadorÍndice
Gestores que veem a formação como prioridade65%
Professores que se sentem incentivados71%
Professores que não recebem feedback regular48%
Urgência em transformação digital / IA43%

O retorno sobre o investimento 

Manter a equipe atualizada é, no fundo, uma estratégia financeira. Isso porque o marketing faz o convite, mas é o corpo docente que conquista as famílias e garante que elas não saiam da escola.

“A infraestrutura e o marketing trazem o aluno para a escola, mas quem o mantém lá dentro é o corpo docente, que é o executor da rotina pedagógica. Quando a instituição adota uma cultura de feedback constante em vez de treinamentos isolados, ela estabelece um controle de qualidade preventivo. O custo de desenvolver o professor em atividade tende a ser menor do que a perda da receita recorrente”, diz Bruno.

Quando a instituição adota uma cultura de feedback constante em vez de treinamentos isolados, ela estabelece um controle de qualidade preventivo.

Jones, por outro lado, reforça que esse ciclo de valorização também é a ferramenta mais eficaz contra a rotatividade da equipe. Para ele, reter um profissional vai muito além do salário: trata-se de criar um ambiente onde o educador se sinta visto e premiado.

“Professor que é visto, validado, reconhecido, valorizado e premiado é um profissional com alto senso de pertencimento e com motivação alta. Reter não é só pagar melhor, mas promover incentivos que os façam sentir que estão crescendo e contribuindo para o todo”, conclui.

É diretor e editor do Porvir e faz parte da equipe desde 2014. Nesse tempo, já produziu séries sobre formação de professores e guias multimídia sobre temas como educação socioemocional, tecnologia, participação estudantil e aprendizagem prática....

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