Quantos livros que trazem pessoas com deficiência (PcD) como personagens principais você já leu? A pergunta traz uma reflexão: por que ainda são poucos os títulos com essa temática? Em uma sociedade que precisa fomentar a diversidade e o respeito, como estão sendo retratados os 18,6 milhões de brasileiros com deficiência?

“É preciso olhar as pessoas, e não suas classificações”, reforça a escritora Carol Campos. Ao decidir se dedicar à pesquisa literária, Carol quis estudar justamente a produção infantojuvenil ligada à diversidade de gênero e à inclusão de pessoas com deficiência. Passou, então, a definir esse nicho de “literatura de falta”.

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Ela explica a terminologia: “Normalmente, quem procura literatura diversa é quem vive essas questões. Ainda há muitas obras assistencialistas, que não mostram a vida real das crianças para que elas possam, de fato, se identificar com a história”. Em seu mestrado, a ser defendido no próximo ano, ela analisa como vêm sendo feitas essas representações, como os livros são produzidos e a qualidade encontrada nas livrarias. “Por isso, é preciso celebrar a literatura de falta, a literatura diversa, que tem qualidade literária.”

Organizadora do Festival Infâncias Diversas, elaborado por Clau Naoum, da Livraria Infâncias Diversas, Carol fez uma seleção de 16 livros que debatem acolhimento e inclusão a partir da literatura infantojuvenil. “Todas as crianças têm direito de ler livros onde possam se enxergar e se reconhecer de verdade”, acredita.

Confira:

Capa do livro O menino e a gaivota

O menino e a gaivota

Texto: Ana Paula de Abreu
Ilustrações: Ana Cardia
Editora: Companhia das Letrinhas

Esta história, cheia de delicadezas e metáforas, narra a conversa de um menino cadeirante que, ao conversar com uma gaivota, reflete sobre liberdade e solidão. A ave lhe ensina que a liberdade não está nas pernas, mas nas “asas” que todos possuímos, incentivando-o a descobrir um mundo de possibilidades.


Capa do livro Capaz

Capaz

Texto: Emília Nuñez
Ilustrações: Paloma Santos
Editora: Tibi

Recém-lançado, o livro destaca a importância de itens de acessibilidade, como piso tátil e escrita em Braille nas escolas, e mostra como adultos e crianças podem mudar a vida de alguém por meio de suas ações. Diz a autora: “Todos somos diferentes e vivemos em comunidade. Todos temos talentos e grandes habilidades. Viver bem é viver juntos. Unidos, podemos mais. E você? Do que é capaz?”


Capa do livro O menino e o mar

O menino e o mar

Texto: Lulu Lima
Ilustrações: Lalan Bessoni
Editora: Mil Caraminholas

O menino tem medo do mar. A menina, deficiente visual, encontra poesia em cada grão de areia e é capaz de mostrar ao menino toda a beleza do oceano. Por meio da conversa entre as duas crianças, o livro aborda temas como coragem e superação.


Capa do livro Dorina viu

Dorina viu

Texto: Cláudia Cotes
Ilustrações: Dimaz Restivo
Editora: Paulinas

A vida da educadora e ativista Dorina Nowill (1919-2010), primeira aluna cega a frequentar um curso regular na Escola Caetano de Campos, em São Paulo, nos anos 1940, é narrada aqui especialmente para crianças. O livro tem texto e ilustrações também em Braille, comprovando que as diferenças devem conviver em harmonia.


Capa do livro Numa fração de segundos

Numa fração de segundos

Texto: Anna Claudia Ramos
Editora: Paulinas

Superação e amor pela vida são marcas deste livro voltado para adolescentes. Ele traz a história de Andrei, jovem de 19 anos que sofre um acidente de carro e fica paraplégico. Precisa enfrentar as dificuldades e os preconceitos, e encontra no esporte sua forma de superação.


Capa do livro Ciça e a rainha

Ciça e a rainha

Texto: Neusa Jordem Possati
Ilustrações: Renato Alarcão

A escritora capixaba Neusa Possati apresenta a forte história de Ciça, menina valente e cheia de energia, que perdeu uma perna em um acidente de caminhão. A narrativa é entrelaçada por temas sociais e por uma nova perspectiva de futuro.


Capa do livro ABPcD: Letras, infâncias e vidas de pessoas com deficiência

ABPcD: Letras, infâncias e vidas de pessoas com deficiência

Texto: Ana Clara Moniz com Lígia Azevedo
Ilustrações: Bruna Assis Brasil
Editora: Companhia das Letrinhas

A estudante sueca Greta Thunberg se descreve como “ativista autista pela justiça climática”. A escritora norte-americana Helen Adams Keller (1880-1968) foi a primeira pessoa surdocega a conquistar diploma de bacharelado em Filosofia. O livro “ABPcD: Letras, infâncias e vidas de pessoas com deficiência” reúne, ao todo, 26 biografias de personalidades marcantes na história, em diferentes áreas.


Capa do livro Tudo bem ser diferente

Tudo bem ser diferente

Texto e ilustrações: Todd Parr
Editora: Panda Books

Bem colorido e com frases curtas, o livro trata de assuntos como separação, preconceito racial e deficiência física, com um recado em comum: “você é especial e importante apenas por ser como é”.


Capa do livro Uma nova amiga

Uma nova amiga

Texto: Lia Crespo
Ilustrações: Cisko Diz
Formato: eBook Kindle

Jornalista e ativista do movimento das pessoas com deficiência, Lia Crespo convive com sequelas da poliomielite desde criança. Com muita sensibilidade, ela fala do papel fundamental do professor no apoio às pessoas com deficiência, para que desenvolvam seus talentos.


Capa do livro Daniel no mundo do silêncio

Daniel no mundo do silêncio

Texto: Walcyr Carrasco
Ilustrações: Ana Matsusaki
Editora Moderna

Quando Daniel perde a audição, aos 7 anos, precisa aprender a se comunicar com as mãos, por meio da Libras (Língua Brasileira de Sinais) e descobrir o mundo de uma maneira diferente. O livro é inspirado em um amigo de infância do autor.


Capa do livro Rã de três olhos

Rã de três olhos

Texto e ilustração: Olga de Diós
Editora: Boitatá

Falar sobre diversidade de uma maneira lúdica e muito delicada é a marca da escritora espanhola Olga de Diós. A casa da Rã de Três Olhos é uma lagoa contaminada, mas ela decide mudar as coisas ao lado de outros amigos, mostrando o valor do companheirismo e das ações coletivas para mudar o planeta.


Capa do livro Milágrimas

Milágrimas

Texto: Alice Ruiz S
Ilustrações: Luli Penna
Editora: Caixote

Esse livro é um poema da Alice Ruiz S, musicado por Itamar Assumpção. Fala sobre tristeza, mas como a dor pode transformar as pessoas: “Caso de tristeza, vire a mesa/Coma só a sobremesa, coma somente a cereja/Jogue para cima, faça cena/Cante as rimas de um poema”.


Capa do livro Enquanto João-Garrancho dorme

Enquanto João-Garrancho dorme

Texto: Elizete Lisboa
Ilustrações: Walter Lara
Editora: Paulinas

Escrito também em Braille, traz poeticamente a história de um menino que quer saber para onde João-Garrancho, um passarinho que chegou todo sem cor, vai voar quando o sol entrar no ninho e acordar todos os outros.


Capa do livro O menino que via com as mãos

O menino que via com as mãos

Texto: Alexandre Azevedo
Ilustrações: Grego
Editora: Paulinas

O menino Juquinha nos ensina que a visão é apenas uma das formas de descobrir e explorar o mundo. O texto, em verso e prosa, também está escrito em Braille.


Capa do livro No meio da noite no meio do mar

No meio da noite no meio do mar

Texto: Severino Rodrigues
Ilustrações: Adilson Farias
Editora: Saberes e Letras

Um menino sonhador e imaginativo descreve sua solidão num barquinho no meio do mar. Ele vive mil aventuras, e o que menos imaginamos é a deficiência, que só aparece na última página.


Capa do livro O escuro que mora dentro do escuro

O escuro que mora dentro do escuro

Texto: Anna Claudia Ramos
Ilustração: Vanessa Prezoto
Editora: Panda Books

Voltado ao público adolescente, o livro mostra a amizade de dois personagens: o menino Paulo e o jovem Pedro, que é cego. Ambos são filhos de pescadores e compartilham a vida praiana, além de pensarem o mundo de um jeito que vai além da visão. Neste link, a editora sugere uma sequência didática para os professores levarem o livro à sala de aula.


Livros e literatura para todos

Confira projetos com acervos inclusivos gratuitos e on-line:

Biblioteca Virtual Mais Diferenças

É uma iniciativa da Mais Diferenças, organização da sociedade civil que desenvolve projetos de cultura e educação inclusivos para promover a acessibilidade, a inclusão e os direitos das pessoas com deficiência.

Basta fazer um cadastro gratuito para conferir o acervo, dividido em infantil, infantojuvenil e adulto. É possível filtrar a leitura por recurso de acessibilidade: ouvir a narração, ler a história traduzida em Libras (Língua Brasileira de Sinais) ou acessar a obra em Linguagem Simples ou Leitura Fácil.

Plataforma Dorinateca

Site da Fundação Dorina Norwill, a Dorinateca atende pessoas físicas com deficiência visual e pessoas jurídicas que promovam ações de leitura inclusiva.

O acervo conta com quase seis mil títulos e é composto por obras literárias, dicionários da língua portuguesa e edições da Revista Falada, publicação da Fundação Dorina. Estão disponíveis os formatos digital acessível DAISY, o Braille para impressão e a fonte ampliada, além dos livros falados em MP3.


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Jornalista especializada em educomunicação, com estudos em mídia e cultura na América Latina. Trabalhou no Instituto Paulo Freire, onde aprofundou seu compromisso com a EJA e a educação em direitos humanos. No Porvir, escreve para todas as editorias....

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2 Comments

  1. Bom dia, queridos! Que belo trabalho.
    Gostaria de compartilhar com vocês que sou autora do livro ” Sou um Menino Legal e também sou Down”.
    Este menino se chama Víthor e a história é contada por ele. Seria uma alegria fazer parte deste coletivo.

  2. É bom ver que os autores estão se dedicando a obras com estes personagens, poos assim os alunos com alguma deficiência podem também se identificar com o personagem e se deixar encantar pelo mundo da literatura

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