Mulheres de Ruanda ganham centro de empreendedorismo - PORVIR
crédito Sharon Davis Design

Inovações em Educação

Mulheres de Ruanda ganham centro de empreendedorismo

Sobreviventes de genocídio participam da construção de espaço onde terão aulas sobre independência financeira

por Mariana Fonseca ilustração relógio 30 de abril de 2012

Mulheres da zona rural de Ruanda, mais especificamente do distrito Kayonza, a cerca de 70 km da capital Kigali, estão participando da construção de um centro comunitário onde as sobreviventes do genocídio de 1994 terão aulas de empreendedorismo e sustentabilidade. O Centro de Oportunidade para Mulheres (em tradução livre) será inaugurado no ano que vem e é resultado da parceria da WfWi (Women for Women International), ONG que atende mulheres sobreviventes de guerras ao redor do mundo, e o escritório americano de arquitetura Sharon Davis Design.

A proposta do centro é educar e levar novas oportunidades de formação para mulheres ruandesas que vivenciaram os massacres na região durante as disputas entre etnias locais. Para elas, os conflitos resultaram em traumas emocionais, perda de filhos e maridos, gestações indesejadas, proliferação da infecção pelo vírus HIV e instabilidade financeira. O foco do projeto é torná-las independentes economicamente, ajudando a impactar os avanços regionais rumo à igualdade de gênero e à inclusão social.

O espaço oferecerá formação profissional e agrícola, com treinamentos vocacionais, técnicas de produção rural, empreendedorismo, liderança, além de suporte financeiro e emocional.

De acordo com Karen Sherman, diretora executiva dos programas globais da WfWi, os centros foram pensados para criar um impacto duradouro na vida das participantes. O objetivo é que se tornem espaços de encontros para se pensar mudanças econômicas, sociais, políticas e psicológicas na região. “O centro tem uma grade permanente de serviços, focada no aprendizado de competências importantes para a vida dessas mulheres. Além disso, promove o empoderamento da comunidade e o fortalecimento das redes e conexões locais, ajudando a promover a paz e prosperidade local.”

A primeira etapa do processo educativo teve início em 2010, quando 250 pessoas participaram da produção dos tijolos que estão sendo usados hoje na construção do centro. “A fabricação de tijolos e a construção civil são duas áreas de atuação dominadas por homens. Ensinar essas habilidades para as mulheres é interessante não só para o aprendizado de um novo negócio, mas também porque oferece a elas acesso a uma formação que antes não teriam devido à diferença de gênero.”

Design para sustentabilidade

O projeto arquitetônico do centro foi premiado, em 2011, no Festival Mundial de Arquitetura, ficando em 1º lugar na categoria Educação e em 2º no ranking geral. O escritório de arquitetura Sharon Davis Design trabalha com projetos verdes e ligados à sustentabilidade. Segundo Bruce Engel, gerente do projeto, o próprio design é pensado para servir como uma ferramenta de educação.

Entre as ideias presentes na proposta está um telhado adaptado para a coleta e o tratamento da água da chuva, que ainda não é uma técnica usada na região, apesar da escassez de água. Além disso, propõe a criação de uma fazenda modelo para o cultivo de alimentos e criação de animais, reutilizando seus dejetos para a produção de biogás, de forma a reduzir o desmatamento desenfreado no país, que usa tradicionalmente a queima de madeira como combustível. Também na linha da preocupação sustentável, inclui ainda banheiros de compostagem que não poluem o ambiente.

O projeto também visa criar uma atmosfera que facilite a troca entre as mulheres. Para isso, foram desenhados espaços que lembram pequenas aldeias típicas de Ruanda, tornando o ambiente familiar e seguro.


TAGS

empreendedorismo, gênero, sustentabilidade

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