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Inovações em Educação

Personalização, sim; diploma, para quê?

Segunda matéria da Semana Khan mostra propostas do educador para tornar a educação adequada a necessidades individuais

por Redação ilustração relógio 15 de janeiro de 2013

O educador Salman Khan se reúne amanhã com a presidenta Dilma Rousseff. A pauta do encontro ainda não foi divulgada, mas ele já adiantou que costuma conversar com os governos sobre como fazer com que os sistemas de educação se tornem mais acessíveis e equânimes. Para isso, diz ele, é preciso pensar em uma forma de certificação diferente da que se vê hoje em dia, na qual o aluno possa mostrar o que sabe sem burocracias, a partir, por exemplo, de uma simples prova. A origem desse conhecimento, seja uma universidade, uma escola ou a vida, não importa – ou não deveria importar. E ele mesmo é um exemplo disso.

No fim do ano passado, Khan estampou uma capa da revista Forbes. No artigo, ele dizia: “O que eu consegui por faltar a muitas aulas foi obter dois diplomas de graduação e um mestrado em quatro anos”, lembrava ele, que sempre foi um aluno muito habilidoso em matemática. “Não foi indolência. Havia formas muito mais produtivas de aprender do que assistir a aulas”, completou. Isso porque, como está no DNA da Khan Academy, as salas de aula não são o único ambiente de aprendizagem legítimo, nem o professor é, sozinho, responsável pela transmissão do conhecimento. Aliás, é essencial que não seja assim. “Provavelmente o mais importante que você pode aprender enquanto está na escola não é nenhum dos assuntos da escola. A coisa mais importante a aprender é como aprender. Como você se apropria do seu aprendizado? Como você cria seus próprios guias? Como você atinge suas próprias metas?”, diz Khan no vídeo em que apresenta a visão da Khan Academy.

crédito Divulgação

 

A discussão é boa e ganha força com a emergência de modelos, como o criado por Khan, e outras tantas plataformas de educação on-line que surgiram a partir do ano passado. Com os recursos tecnológicos permitindo que as situações de aprendizado extrapolem os muros das escolas, as salas de aula têm se invertido. De casa, o aluno acessa material nos mais diversos formatos e acompanha o conteúdo no ritmo que lhe é mais adequado. Se ele está assistindo uma lição em vídeo, por exemplo, ele pode pausar e repetir tantas vezes quantas forem necessárias para entender o conceito que está sendo exposto. No ambiente físico de aprendizado, que pode ser uma sala de aula, o aluno discute e aprende com seu professor/tutor mas, principalmente, com seus pares. Tudo isso torna o ensino mais interativo e personalizado.

“O diploma diz muito pouco, é apenas um indicativo de suas competências. Como dar às pessoas algo que deixe evidente o que elas sabem? ”

Essa multiplicação de espaços de aprendizado reforça o argumento de Khan de que o diploma, hoje, não tem tanta importância. Afinal, se o conhecimento não está mais preso à escola e os estudantes podem inventar suas maneiras de aprender, muitas oportunidades ricas de aprendizado podem estar espalhadas por aí. “O diploma diz muito pouco, é apenas um indicativo de suas competências. Como dar às pessoas algo que deixe evidente o que elas sabem? Precisamos de uma solução para isso”, instiga ele, já apresentando sua proposta. “Para mim, bastaria ir a um lugar, mostrar a carteira de identidade, fazer uma prova e sair com as credenciais”, disse ele nesta semana ao Estado de São Paulo.


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ensino híbrido, khan academy, personalização, sala de aula invertida

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Olá equipe Porvir,
Excelente conteúdo, fico feliz de vê-los trazer grandes idéias e tendências sendo testadas pelo mundo para o público brasileiro. A troca ajuda a quebrar paradigmas e, ortanto, na concepção de soluções inovadoras para problemas reais.

Uma pergunta: no que deu esse encontro do Salman Khan com a Dilma em janeiro? Espero que não se torne mais uma iniciativa atravancada pela burocracia governamental.
Um abraço!