Professora indiana fundadora de 800 centros de aprendizagem vence 'Nobel da Educação' - PORVIR

Inovações em Educação

Professora indiana fundadora de 800 centros de aprendizagem vence ‘Nobel da Educação’

Rouble Nagi, artista e educadora indiana, venceu o Global Teacher Prize 2026 por transformar comunidades vulneráveis em centros de aprendizagem criativa. Com murais interativos a céu aberto, ela ensina crianças fora da escola usando arte, cidadania e participação comunitária

por Redação ilustração relógio 5 de fevereiro de 2026

Rouble Nagi, professora, artista e ativista social indiana que transformou favelas em salas de aula ao ar livre, foi reconhecida nesta quinta-feira (5) como a melhor professora do mundo ao vencer o Global Teacher Prize 2026, prêmio conhecido como o “Nobel da Educação”, que concede US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,3 milhões).

E o reconhecimento não é à toa. Há duas décadas, Rouble assumiu a missão de levar o aprendizado a lugares onde o Estado muitas vezes não chega. Por meio da Rouble Nagi Art Foundation, já implantou mais de 800 centros de aprendizagem em 100 comunidades e vilarejos em situação de vulnerabilidade na Índia.

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O Global Teacher Prize é uma iniciativa da Fundação Varkey, em parceria com a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). O anúncio da premiação foi feito feito durante a Cúpula Mundial de Governos (World Governments Summit), realizada em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. No mesmo evento, a educadora brasileira Débora Garofalo foi eleita a professora mais influente do mundo.

Em vídeo curto publicado no perfil oficial do prêmio no YouTube, Rouble afirmou estar “sem palavras”

O impacto da professora Rouble Nagi na educação

A professora Rouble transforma muros degradados em murais interativos de grande escala que ensinam desde alfabetização e matemática até higiene e consciência ambiental. Nos últimos 20 anos, seu trabalho artístico facilitou o ingresso de mais de um milhão de crianças no sistema formal de ensino, o que lhe rendeu destaque nesta premiação que teve 5 mil inscritos de 139 países.

Por meio de sua fundação, a educadora estabeleceu mais de 800 centros de aprendizagem na Índia. Esses espaços funcionam como ambientes seguros tanto para crianças que estão fora da escola, oferecendo aprendizado estruturado com foco na reintegração ao ensino regular, quanto para alunos já matriculados, aos quais são oferecidos reforço pedagógico, suporte emocional e estímulo à criatividade.

A base de sua proposta educacional é o conceito de “Muros Vivos”, que transforma muros degradados em materiais pedagógicos acessíveis ao ar livre. Os murais abordam temas como ciências, história e cidadania, funcionando como salas de aula interativas fora do espaço tradicional. A iniciativa também estimula o envolvimento das famílias e mobiliza a comunidade ao redor da educação.

“Rouble Nagi representa o melhor que a educação pode oferecer: coragem, criatividade, compaixão e a crença inabalável no potencial de cada criança”, disse Sunny Varkey, fundador do Global Teacher Prize, da GEMS Education e da Fundação Varkey. “Ao levar a educação para as comunidades mais marginalizadas, ela não apenas transforma vidas individuais, mas fortalece famílias e comunidades.”

Já Stefania Giannini, diretora-geral assistente para educação da Unesco, disse que a trajetória de Rouble lembra “nos lembra de uma verdade simples: professores importam. A Unesco se orgulha de celebrar profissionais como você, que, com paciência, determinação e confiança no potencial de cada aluno, ajudam crianças a entrarem na escola — um ato que pode mudar o rumo de uma vida.”

Rouble Nagi ensina grupo de crianças sentadas em viela com lousa ao fundo
Rouble Nagi/Facebook Aula comunitária ministrada por Rouble Nagi em um corredor estreito entre casas de uma favela.

Educação em condições desafiadoras

A atuação de Rouble exige presença constante nas regiões mais desafiadoras da Índia, onde ela coordena uma rede com mais de 600 educadores e voluntários. Seu modelo pedagógico foi desenvolvido para acolher crianças em contextos de pobreza extrema, trabalho infantil e casamentos precoces. 

Em vez de tratar esses fatores como barreiras, a educadora os incorpora à proposta, oferecendo horários flexíveis, atividades práticas com materiais reciclados e o ensino de habilidades úteis no cotidiano das famílias. Como resultado, suas ações já reduziram as taxas de evasão escolar em mais de 50% e aumentaram significativamente a permanência dos estudantes na escola.

Além do trabalho na educação, Rouble também é artista plástica reconhecida internacionalmente e referência em renovação urbana. Já criou mais de 850 murais e esculturas, com obras expostas em mais de 200 eventos ao redor do mundo. 

Agora, como vencedora do Global Teacher Prize, pretende investir o prêmio de US$ 1 milhão na criação de um Instituto de Capacitação Profissional, com cursos gratuitos de formação técnica e alfabetização digital, iniciativa que deve ampliar as oportunidades para milhões de crianças e jovens em situação de vulnerabilidade.

Rouble Nagi aponta para livro de geografia enquanto conversa com aluno
Rouble Nagi/Facebook Rouble Nagi interage com estudante durante aula em escola pública na Índia

Professor brasileiro entre finalistas do Global Teacher Prize

Galileu Pires, professor de biologia em escolas públicas de Manacapuru (AM), figurou entre os 50 finalistas desta edição do Global Teacher Prize. Reconhecido por transformar a cultura escolar por meio de metodologias ativas, ele orienta estudantes na criação de soluções sustentáveis que unem ciência, tecnologia e saberes locais. 

Entre suas iniciativas estão inovações como fibra sustentável a partir de escamas de peixe, indicador de saúde feminina, tecnologias voltadas à pandemia e um biofiltro de água feito com ossadas de pirarucu para comunidades ribeirinhas. Sua trajetória mostra como a educação pública pode ser espaço de protagonismo, inovação e transformação social.

Histórico do Global Teacher Prize

O professor saudita Mansour Al-Mansour, vencedor do Global Teacher Prize em 2025, também se destaca por um impacto que vai além dos muros da escola. Reconhecido por alfabetizar detentos e liderar iniciativas de educação financeira e sustentabilidade, Al-Mansour iniciou sua carreira em 2001, superando a falta de infraestrutura ao improvisar salas de aula em locais precários, uma demonstração de resiliência que hoje sustenta sua metodologia na escola Prince Saud bin Jalawi.

Atualmente, o educador alia o uso de inteligência artificial ao ensino baseado em projetos, reforçando a ideia de que o papel do professor contemporâneo é o de agente de transformação comunitária, capaz de converter desafios estruturais em soluções para o desenvolvimento humano.

Confira outros vencedores:


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arte, equidade, prêmios

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